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CAPÍTULO 4 – A EVANGELIZAÇÃO AD GENTES, AD EXTRA. AD VITAM, AD PAUPERES PDF Imprimir E-mail
Por Consolata.org   
28 de March de 2006
20. O Missionário da Consolata está consagrado a Deus para a missão:

20.1. Cumpre um serviço ad gentes “para iniciar a evangelização onde ela ainda não existe” (Const 70) privilegiando os mais pobres e prestando uma atenção muito especial às situações humanas menos acessíveis à mensagem cristã (Const 79), preferindo os mais necessitados e os mais esquecidos.

20.2. Dedica-se, para o resto da vida, a anunciar Cristo com o testemunho da vida e da palavra, converter a consciência pessoal e colectiva dos homens, renová-los com a graça do baptismo, regenerar as culturas a partir do seu âmago, mediante a força salvífica do Evangelho” (Const 69); sempre atento à “promoção humana, como componente que prepara e acompanha a evangelização e dela deriva” (Const 76) bem como a tudo o que o desafia.

20.3. Na pastoral, tem como centro dinâmico “a Eucaristia, mistério de comunhão e de solidariedade com os homens” e “Maria é a nossa esperança e aurora da salvação para o mundo inteiro e sinal de consolação” (Const 70).

20.4. Dá testemunho da ternura de Deus, ficando junto das pessoas “estabelecendo contactos pessoais e estando atentos aos seus problemas e necessidades concretas” (Const 73), vive de maneira simples e fraterna, falando bem a língua do povo (Const 73.1), tratando a todos com “grande caridade, paciência e magnanimidade” (Const 72), valorizando em cada cultura tudo o que de bom e valioso nela exista (cfr. Const 77).

20.5. Organiza comunidades cristãs maturas e animadas de dinamismo missionário (cfr. Const 75).

20.6. Trabalha com espírito ecuménico pela unidade dos cristãos (cfr. Const 78).

20.7. Envolve-se no diálogo interreligioso e nas actividades de JPIC para promover a vinda do Reino de Deus (cfr. XCG 71).

20.8. Na AMV, em serviço especializado e adequado às Igrejas locais (XCG 45), colabora ajudando-as a crescer na abertura à universalidade, no empenho pela evangelização e missão ad gentes (cfr. Const 80).

20.9. Educa a comunidade cristã local na “comunhão e cooperação entre as Igrejas e os povos e para o mútuo conhecimento dos respectivos valores religiosos e culturais” (Const 82).

20.10. Compromete-se a acompanhar aqueles que Deus chama à vocação ad gentes “através da oração, do testemunho de vida e da proposta vocacional explícita” (Const 81). A alma de toda a animação missionária é a proposta e o discernimento da vocação missionária dirigida aos jovens.

20.11. Colabora com outros Institutos e organizações que trabalham neste campo (cfr. XCG 27).

21. As jovens comunidades cristãs dos países recentemente evangelizados são o dom mais maravilhoso feito à Igreja pelo nosso empenho missionário e constituem uma certeza de futuro e esperança para todos os fiéis. O missionário, seja ele sacerdote ou irmão, torna-se, a exemplo de Paulo, “ministro de Jesus Cristo entre os pagãos” (Rom 15, 16), para que eles se tornem uma oblação aceitável, santificada pelo Espírito.
Por isso, é importante:

21.1.A nossa identidade de dispensadores dos mistérios da salvação, que se define pelo anúncio da Palavra, pela santificação levada a cabo pelos sacramentos e pelo serviço de orientação pastoral.

21.2.Reconhecer a Eucaristia como fonte e finalidade da evangelização e da promoção humana.

21.3.Empenhar-se no desenvolvimento das comunidades religiosas e paroquiais na fé, na oração, na vida litúrgica, nos ministérios e na auto-suficiência económica.


I – ANÚNCIO E PROMOÇÃO HUMANA

22.Pela consagração à missão segundo o carisma do Beato José Allamano, ficámos fortemente vinculados à vocação da Igreja (cfr. EN 14) de levar aos pobres a alegre notícia da salvação a todos os cantos do mundo.

A evangelização das massas que ainda não encontraram Jesus Cristo ou reevangelização dos que d’Ele se afastaram é o “grave problema” dos nossos tempos. João Paulo II disse muitas vezes que, perante esta urgência, “não podemos andar tranquilos” (RM 86). Os sínodos continentais que precederam o Jubileu reafirmaram-no com vigor. Tudo isto deve orientar as nossas opções e toda a nossa vida (cfr. Const 5).

Logo desde o início da nossa tradição, a evangelização teve a promoção humana por companheira, como necessidade para a concretização do projecto de Deus, que quer o bem integral da humanidade, e até como expressão da consolação.

Para a levar a cabo:

22.1.Estamos empenhados em manter viva nas Igrejas locais a consciência da primazia do anúncio e o testemunho de vida.

22.2.Com a palavra e com a vivência, nós damos testemunho do Ressuscitado vivendo como reconciliados e como consolados, capazes de consolar e lutar por um mundo justo.

22.3.Privilegiamos projectos orientados para o desenvolvimento da pessoa humana e dos povos, para o seu bem-estar e para a sua dignidade.

22.4.Apoiamos iniciativas e projectos que surjam e tenham o apoio da comunidade local, que tenham a aprovação da autoridade competente, com previsão da sua continuidade mediante a colaboração de todos.

22.5.Damos preferência a projectos que vão ao encontro da auto-suficiência e da autonomia local, ultrapassando o assistencialismo, evitando o paternalismo e respeitando a cultura e os ritmos dos povos.

22.6.Trabalhamos em espírito de comunhão com outras forças vivas, especialmente com as Missionárias e com os Leigos Missionários da Consolata.

Deste nosso empenho na evangelização e na promoção humana é que brotaram as opções do Capítulo Geral anterior, que são reafirmadas uma vez mais, no sentido de que sejam aprofundadas e postas em prática sempre com crescente amplitude.


II – PARÂMETROS DA NOSSA MISSÃO

O anúncio aos não cristãos

23. Dois terços da humanidade ainda não conhecem Jesus Cristo ou o Seu Evangelho. A análise desta situação levou o XCG a alargar o critério geográfico da missão, enfatizando o primeiro anúncio, onde quer que seja preciso.

Nós damos cumprimento a esta prioridade:

23.1 na convicção de que o nosso anúncio é antecipado e reforçado pelo testemunho de vida;

23.2 reacendendo em nós o zelo e a acção missionária para com os não cristãos;

23.3 anunciando de modo explícito Jesus Cristo e o seu Evangelho;

23.4 fazendo uma avaliação periódica da conformidade das nossas actividades com o primeiro anúncio.

A pobreza urbana

24. A opção a favor da pobreza urbana (cfr. XCG) encontra o seu motivo na emergência de massas inteiras de pobres nas grandes cidades, geralmente amontoadas nas periferias. Faz parte do nosso carisma a opção preferencial pelos pobres na sua situação de sofrimento, ânsia de justiça e caminhada de fé e de esperança.

A nossa presença no seu meio caracteriza-se por:

24.1 um teor de vida pobre em instalações simples;

24.2. uma pastoral comunitária e de colaboração;

24.3 empenho na “elevação do ambiente”, trabalhando não só pelos pobres mas com eles, para que se tornem protagonistas do seu próprio desenvolvimento;

24.4 formação da comunidade cristã.

As minorias étnicas

25. Muitos grupos humanos são vítimas de discriminação, opressão e marginalização devido à sua origem, cultura e religião (cfr. XCG 44). Assim esquecidos pela sociedade civil e por vezes até pelas Igrejas locais, devido à sua diversidade, eles são um desafio ao nosso empenho ad gentes.

Assim, indo ao seu encontro:

25.1. professamos profundo respeito por todas as culturas, que reconhecemos como referência inevitável para a formação das pessoas;

25.2. preocupamo-nos com a harmonização dos valores culturais dos grupos humanos com os projectos de promoção humana a eles dirigidos;

25.3. propomos o Evangelho do renascimento em Cristo, para que se forme uma Igreja com alma e fisionomia próprias;

25.4. empenhamo-nos em promover a inculturação do anúncio, da celebração e da vida cristã;

25.5. promovemos a abertura e a reconciliação intercultural, quais fontes de crescimento.


Serviços especializados às igrejas locais


Animação missionária e vocacional
26. Enriquecida de novos filhos provenientes de culturas de todo o mundo por obra do trabalho missionário, a Igreja reafirma a urgência do anúncio do Evangelho que convoca a todos para a conversão, no início do novo milénio.

A AMV das Igrejas da África, da América, da Europa e da Ásia, é um dos serviços especializados que prestamos (cfr. XCG 86-87).

Por isso:

26.1. O missionário deve sempre e cada vez mais convencer-se de que este serviço é parte integrante e inelutável da missão ad gentes e da comunhão entre as Igrejas.

26.2. É urgente fazer uma formação adequada dos missionários que trabalham neste sector, uma formação que tenha em conta a interculturalidade e as dificuldades específicas que a AMV encontra na área cultural, social e eclesial.

26.3. Os aspectos a favorecer na AMV são: a formação da consciência missionária, a animação vocacional, os centros de espiritualidade, a colaboração entre as Igrejas, a solidariedade entre os povos, o conhecimento das culturas, religiões, situações mundiais e das Igrejas locais.

26.4. As actividades de AMV realizar-se-ão em comunhão com as organizações missionárias da Igreja local, com destaque para a colaboração com outros Institutos missionários.

A Pastoral paroquial
27. Nós colaboramos a título precário “com as Igrejas parcialmente evangelizadas, que ainda não atingiram suficiente autonomia nos ministérios e na maturidade das comunidades cristãs” (Const 17). Toda a paróquia a nós confiada é missionária e deve prestar o correspondente tipo de serviço. Temos consciência da precariedade deste compromisso, e estamos dispostos a entregar à Igreja local o cuidado pastoral das comunidades mais maturas, para que nos possamos integrar noutras mais em sintonia com as nossas opções prioritárias.

Para tornar missionárias as comunidades paroquiais a nós confiadas, deve-se:

27.1. conduzir a paróquia à maturidade promovendo vocações locais para a vida missionária, religiosa e sacerdotal, e formando os ministros responsáveis pelos vários sectores;

27.2. desenvolver a abertura à universalidade, dialogar e colaborar com os grupos não cristãos do território.

27.3. favorecer a abertura e a colaboração ecuménica;

27.4. elaborar anualmente um programa de actividades em conjunto com as forças vivas da comunidade cristã;

27.5. educar as comunidades cristãs a partilhar os seus bens espirituais e materiais com as Igrejas mais necessitadas e com o Instituto.

O Diálogo interreligioso

28. O diálogo interreligioso “faz parte da missão evangelizadora da Igreja” (RM 55) e assume hoje um papel fundamental na missão ad gentes, tornando-se “a figura, a actividade e o novo método” dele (XCG 73).

O diálogo interreligioso leva-nos a reconhecer, à luz da revelação, a acção universal e constante do Espírito Santo, que suscita na história, através das religiões e diversas experiências, a procura de Deus, da verdade e da salvação. Para nós, Jesus Cristo é sempre o fundamento eminente e irrenunciável desta caminhada.

As nossas comunidades e os nossos missionários:

28.1. cultivam uma atitude de abertura, estima e acolhimento para com os que professam uma religião diferente da nossa;

28.2. testemunham a sua fé durante os encontros interreligiosos, declarando a sua identidade cristã;

28.3. dão a conhecer a nova face do Evangelho na sua manifestação aos povos, bem como aquilo que eles nos ensinam;

28.4. fazem vários percursos:
a. o diálogo da vida (relações de amizade e interesse mútuo, nos campos onde se vive a vida de cada dia;
b. o diálogo das obras (colaboração interreligiosa e iniciativas de promoção humana, desenvolvimento, educação, justiça e paz…);
c. o diálogo entre especialistas (estudo e aprofundamento dos elementos de comunhão e de diversidade entre as várias religiões);
d. o diálogo da experiência espiritual (conhecimento, aprofundamento e troca das respectivas experiências religiosas, encontros de oração).


Justiça, paz e integridade da criação

29. No nosso serviço missionário, nós damos ouvidos aos suspiros da criação e de populações inteiras que sofrem violência, corrupção, opressão, guerra e injustiça. Tudo isto nos empenha em prol da justiça, da paz e da integridade da criação, como parte constitutiva da pregação do Evangelho e do nosso carisma.

Direitos humanos e direitos civis
30. Na qualidade de missionários que anunciam o Evangelho, nós temos o dever de proclamar e promover os direitos e deveres das pessoas e dos povos, formando-os para assumir as suas próprias responsabilidades. A nossa tarefa também nos chama à denúncia da injustiça, juntando a nossa voz à dos pobres, apontando a todos um percurso de conversão.

As nossas comunidades devem comprometer-se a:

29.1. favorecer a interpretação da realidade social, económica e política dos países onde trabalhamos, para podermos criar traçados eficazes de acção;

29.2. aprofundar a doutrina social da Igreja sobre a justiça, a paz e a integridade da criação; discernir e agir em comunhão com a Igreja local, seguindo as suas orientações.

Reconciliação
31. Neste mundo tão dividido e dilacerado, os missionários tornam-se ministros de reconciliação entre os contendores, procurando saídas de entendimento, de olhos fixos numa paz estável e justa. Em muitas das nossas circunscrições vivem-se situações de conflito, que precisam de actuações capazes de favorecer o diálogo e o perdão.

Para serem instrumentos de reconciliação, as nossas comunidades:

31.1. devem dar importância à formação das consciências, propondo percursos concretos para o perdão e a reconciliação, que nasçam da verdade e da justiça;

31.2. devem colaborar com as religiões, as organizações e todas as pessoas de boa vontade, que promovem acções orientadas para a solução de conflitos.

Integridade da criação
32. Todos os recursos materiais são um dom de Deus e são um direito de todos. O seu consumo desenfreado e a privatização levam à apropriação indevida, ao monopólio de uns poucos, à progressiva destruição desses mesmos bens e ao empobrecimento do planeta.

Por isso é necessário que as nossas comunidades:

32.1. se conscientizem todas cada vez mais do valor da natureza e do destino universal dos bens comuns;

32.2. Estabeleçam um estilo de vida sóbrio, capaz de evitar o desperdício;

32.3. Tenham conhecimento dos direitos da terra e de toda a criação.


III. OS NOVOS AREÓPAGOS

Os meios de comunicação social

33. O Instituto, logo desde os tempos do Fundador, se deu conta da importância dos meios de comunicação para o anúncio do Evangelho, para a formação cristã e missionária, bem como para a AMV. A rápida evolução do mundo da comunicação (imprensa, televisão, rádio e Internet) está a causar profundas mudanças que requerem a nossa atenção, formação e devida organização.

O mundo dos jovens

34. A atenção ao mundo dos jovens remete sobretudo para a sua evangelização. Os adolescentes e os jovens representam a maioria da população em muitos dos países em que trabalhamos; e é neles que está a tomar forma o futuro da sociedade. Frequentemente não evangelizados e com pouca formação nos valores religiosos, eles acabam por se afastar cada vez mais da Igreja e do Instituto. Parece que está a fraquejar, entre os animadores eclesiais, a possibilidade de propostas e iniciativas novas para os convocar.

É preciso:

34.1. conhecer, aceitar, mostrar interesse e ter amor ao mundo dos jovens para o podermos evangelizar, ultrapassando todo o tipo de pessimismo;

34.2. estudar e propor percursos formativos de fé, de vida cristã e de empenho missionário;

34.3. programar planos bem definidos de pastoral para jovens.


As migrações humanas

35. O interesse pelos migrantes tem estado presente na tradição do Instituto e tem até causado novas fundações. Mas hoje, este fenómeno revela proporções mais vastas ligadas à globalização; causa um entrelaçamento de culturas cada vez maior; gera minorias étnicas por vezes sujeitas à rejeição, ou até menos criminalizadas; faz vítimas ou agentes de diversas formas de escravidão e violência, bem como novas massas de refugiados ou foragidos. Por outro lado, os fluxos migratórios também são uma oportunidade de encontro entre os povos, contribuem para derrubar preconceitos e promover um clima de compreensão e fraternidade, fitando a unidade da família humana.

Para responder a estas situações:

35.1. nós estamos abertos à cooperação com outras organizações que labutam no campo da migração;
35.2. superamos as atitudes assistencialistas, promovendo iniciativas de integração, de pastoral e de diálogo interreligioso.


A participação na vida da sociedade civil

36. A nossa consagração missionária leva-nos a viver experiências de mundialidade e de solidariedade; coloca-nos numa posição privilegiada para encorajar, entre crentes e não crentes, uma interpretação correcta do mundo entendido como lugar de encontro entre povos e culturas que, em termos de diversidade, sabem promover a abertura ao outro e a ajuda recíproca.

Por isso:

36.1. A nossa AMV deve abrir-se aos sectores sensíveis a estas temáticas, especialmente ao mundo científico-cultural, tal como ao da política, das associações, do trabalho e, sobretudo, da escola;

36.2. O nosso empenho com as ONGs é um espaço privilegiado de colaboração extra-eclesial; e nós cumprimo-la sem renunciar à nossa identidade de evangelizadores.

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