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Programação da direcção geral 2005 - 2011 (introd) PDF Imprimir E-mail
Por DG   
14 de Março de 2006

INTRODUÇÃO
O XI CAPÍTULO GERAL INSPIRA A NOSSA CAMINHADA

Foi ainda há pouco que começou o terceiro milénio. Também nós começámos um novo centenário, um novo mandato de seis anos e uma nova etapa… Mas o Espírito é sempre o mesmo, o Espírito do Pai que nos pede para darmos um novo impulso ao nosso Instituto.

O Instituto, a nossa família, é o objecto do nosso pensamento, do nosso amor e do nosso agir. Imaginamo-lo lançado para o futuro mas continuamos a sentir a força das palavras do nosso Fundador: «o molde que deveis seguir no Instituto é aquele que Deus inspirou e ainda inspira em mim…» (VS 86, 88). Note-se o tempo daquele verbo: “inspira…”: está no presente do indicativo. É ele, ainda hoje – aliás como sempre – quem nos guia como mestre de sabedoria. A semente que ele lançou na vinha da Igreja germinou e já é fecunda.

Presentemente, esta árvore secular encontra-se nas nossas mãos. Cabe a cada um de nós a tarefa de a tratar e de a fazer frutificar a cem por cento. Acolhamos então as novidades e as graças que nos vêm do Capítulo e nos comprometem criativamente com a missão. Não faltam desafios tanto dentro como fora do Instituto e da Igreja. Bem sabemos que a missão é ela mesma um desafio constante para a nossa natureza e para a nossa acção. E somos chamados a actuar consequentemente.

Durante o XI Capítulo, vivemos uma experiência profunda de comunhão. Mais de uma vez experienciámos o que significa ser família, quer dizer, o Instituto-Família. Fazemos votos para que ela se torne uma realidade permanente em cada comunidade, onde a comunhão possa ser encarada como “de casa”.

1. Dos valores estabelecidos a uma nova criatividade
Desde que começámos a preparar o XI Capítulo Geral, Deus aproximou-se de nós de mil e uma maneiras, como aliás fez com os discípulos de Emaús (Lc 24), e acompanhou-nos até hoje. Com a sua pedagogia típica, ajudou-nos a recordar e a valorizar a história já vivida, os vários acontecimentos, as suas intervenções no Instituto. Ajudou-nos a percorrer, servindo-se dos documentos da nossa família missionária (o Fundador, as Constituições e os Capítulos Gerais), o caminho do nosso modo de ser e viver a missão como Missionários da Consolata. O nosso diálogo com o Ressuscitado durante a caminhada missionária é, em síntese, o nosso estilo de vida e de actuação. Somos missionários com o estilo dos Apóstolos, tal como José Allamano queria.

Somos despenseiros dos mistérios de Deus. Colocaram nas nossas mãos muitos dons preciosos que têm de ser levados até aos confins da terra, para bem e salvação de todos. Daí a necessidade de sairmos de nós mesmos, dos nossos países, para o resto da vida, onde o Senhor da messe nos quiser.

Se de facto nos olharmos nos olhos, notamos que, sob certos aspectos, não somos ainda totalmente coerentes com o ideal que queremos viver. Para todos nós trata-se de um momento propício para nos empenharmos a tornar visíveis os valores que o XI Capítulo indicou serem válidos para nós nos nossos dias e de que vemos muitos dos nossos confrades dar testemunho.

A certeza de que o Ressuscitado está no meio de nós impele-nos, tal como aos discípulos de Emaús, a partir de novo para uma nova meta, enquanto Instituto, enquanto comunidade e enquanto indivíduos. Significa voltarmos a sair com entusiasmo renovado, com nova criatividade, para alcançar a santidade de vida, vivendo como confrades em comunidades cada vez mais multiétnicas e pluriculturais, juntando nossas forças às das Missionárias da Consolata e às de outros colaboradores, em novos areópagos, valorizando cada vez mais os meios de comunicação social, mesmo os mais modernos, que estão disponíveis para fazer missão com eficácia.

Cada um deverá redescobrir os recursos que possui e oferecê-los aos outros. A troca de dons é uma característica da vida missionária, no seu vaivém. Quem de nós os não tem? São muitos e vêm de Deus. Tal como São Paulo, assim nós podemos dizer: «Tudo posso n’Aquele que me conforta» (Fil 4.13). Tudo! Muitos acontecimentos do passado e do presente da nossa história missionária são testemunho disso. Fazemos muita coisa boa no mundo, na Igreja e no Instituto. Mas temos de admitir que a força para tal não vem de nós, das nossas qualificações ou capacidades naturais ou intelectuais, mas sim d’Ele, que nos chamou e nos empenhou a trabalhar na Sua vinha. “Tudo posso…”: a Deus nada é impossível…Tudo é possível para quem tem fé. “Não é que sejamos por nós capazes de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; não, a nossa capacidade vem de Deus. Ele é que nos fez capazes de sermos ministros de uma nova aliança” (2 Cor 3, 5-6).

Os talentos que recebemos de graça darão fruto com o contributo do nosso esforço!

2. Um novo chamamento
Como os discípulos de Emaús, também nós podemos ser tentados a voltar à vida que fazíamos antes de encontrar o Senhor. E muitas vezes afastamo-nos da “nossa” Jerusalém.

Enfrentando o desafio da renovação, respondamos hoje ao Senhor que nos chama. É que Ele chega-se a nós pontualmente e, tal como fez a Adão, pergunta-nos a nós: “Onde estás?” (Gen 3, 9). Deus interpela o ser humano ao longo da história com perguntas do tipo “onde estás tu no teu mundo? Os dias e os anos que ficaram marcados para ti talvez já tenham passado em bom número: a que etapa já chegaste na tua vida? A que ponto te encontras?”. Deus pretende provocar-nos. E devemos deixá-lo provocar-nos; devemos deixar que as suas perguntas atinjam o nosso coração.

Adão escondeu-se para não apresentar as contas da sua vida, para fugir às suas responsabilidades. E é assim que se esconde todo o “Adão” que se encontra na mesma situação. É o que também nos poderia acontecer a nós, se fugíssemos à responsabilidade e nos escondêssemos. Dessa forma, a nossa vida pessoal tornar-se-ia cada vez mais problemática. Ao fugirmos de Deus, acabaríamos por esconder-nos de nós próprios. E até é fácil abafar a voz de Deus. Mas quando isso acontece, a vida da pessoa deixa de ser uma caminhada. Só caminhamos quando ouvimos a sua voz e se – tal como Adão – reconhecemos a nossa queda e confessamos : “escondi-me”.

O regresso a nós mesmos é o começo da caminhada humana. A que ponto nos encontramos? Não só na nossa vida pessoal, mas também na do Instituto, na concretização dos seus projectos… Em que ponto nos encontramos? Ele então poderá surpreender-nos com o sopro do seu Espírito, fortalecendo-nos nos valores que já vivemos ou com a novidade das inspirações divinas. E chama-nos a dar respostas. Só quem estiver aberto a ouvir, a fazer discernimento, é que poderá captar o chamamento a uma vida nova.

Nós somos o Adão. Nós somos os discípulos de Emaús. Na nossa caminhada, e a seu modo, o Senhor continua a repetir o seu chamamento, como aliás já fez muitas outras vezes. Hoje, segundo o XI Capítulo Geral, somos chamados à renovação, principalmente nas seguintes dimensões da nossa vida:

a) Na nossa pessoa
A pessoa do missionário, como primeiro bem do Instituto, deve ser objecto de grande atenção a fim de que o seu processo de crescimento e renovação nunca pare.

Uma pessoa pode estar a caminho de Emaús enquanto se afasta de Jerusalém a motivo da desilusão com as muitas promessas que lhe foram feitas mas que nunca foram concretizadas. Acaba, então, por procurar resposta noutro sítio, que não na fé.

Da experiência do nosso agir diário podemos chegar à seguinte conclusão: a fé, hoje, tem de oferecer respostas cada vez mais eficazes, tal como acontece no mundo da tecnologia e da ciência. Os meios que se usam nestas áreas têm que ser de alta qualidade, se quiserem atingir os seus objectivos. É esse o critério a aplicar no nosso campo específico, que é o de religiosos missionários.

Comecemos pela nossa pessoa. A nossa pessoa, se quiser desenvolver a Missão que o Senhor lhe confiou, tem que funcionar de modo super-bom em todas as suas dimensões: física, afectiva, psicológica, espiritual, carismática e institucional. Podem aflorar zonas de sombra nalguma destas áreas em qualquer fase da vida e incomodar-nos.

Se encontrarmos o Jesus Ressuscitado – que certo dia nos conquistou com o seu amor – então conseguiremos regressar em júbilo a Jerusalém para sermos fortalecidos pelo testemunho da comunidade, para tornar a encontrar inspiração no carisma vivo e perene do Pai Fundador e partir de novo, já transformados, para a missão.
A oportunidade de renovação vem-nos agora do Capítulo, que nos pediu para cuidarmos sobretudo da nossa maturidade humana e espiritual, tendendo para a santidade de vida, identificando-nos crescentemente com a nossa vocação de missionários da consolação, eucarísticos e cheios de zelo.

b) Na nossa comunidade
Quando José Allamano pensava nos seus missionários, era para lhes dar o seu melhor. Ele fundou o Instituto concebendo-o como uma comunidade, uma família. Como orientador de muitas comunidades religiosas, tinha conhecimento profundo do significado duma vida dedicada aos outros no apostolado e, mais ainda, na missão. Para ajudar eficazmente os missionários, quis que vivessem em comunidade, como em família.

Se vivermos e trabalharmos em espírito de comunhão, também nós estaremos à altura de realizar a vida trinitária no quotidiano da vida comunitária. Precisamente para possuirmos este espírito e o vivermos em profundidade crescente, nós queremos:

- chegar a ter pelo menos três membros em cada comunidade dentro de poucos anos;
- enfrentar os desafios que nos chegam da realidade multiétnica e multicultural das nossas comunidades, vivendo-os como uma riqueza e como sinal profético do Reino que fomos chamados a anunciar;
- trabalhar em comunhão com as Missionárias da Consolata, com os Leigos Missionários da Consolata e com as populações;
- atrair, com o testemunho da nossa vida de comunhão, muita gente que deseja, tal como nós, dar a vida pela missão.

c) Na nossa missão
A nossa renovação pessoal e comunitária enriquecerá a missão. Ad gentes, para o resto da vida, no meio dos pobres, são os três aspectos fundamentais que sempre devemos reclamar. Cada qual é chamado a dizer à sua alma: “isto é para mim; isto toca-me pessoalmente!”. Só partindo deste acto de fé é que o missionário estará à altura de viver e dar testemunho duma vida pobre, em instalações simples, partilhando com os outros tudo o que tem. Trata-se duma passagem obrigatória para depois se poder fazer o anúncio.

Todas as áreas do ad gentes que o Capítulo nos apontou se devem tornar lugar de demonstração do nosso zelo, para reanimar e renovar o nosso compromisso de chamados. Por exemplo, na AMV. Entendemo-la como um serviço específico às nossas Igrejas. Se nos esforçamos por estar qualificados do lado de fora, também devemos fazer o mesmo no interior do Instituto. Se falharmos nisto, acabaremos por perder a eficácia também em relação à Igreja e à missão, já que haverá falta de missionários. Queremos sublinhar que “cada missionário deve convencer-se cada vez mais de que este serviço é parte integrante e inegociável da missão ad gentes e da comunhão entre as Igrejas”. Assim sendo, poderemos sempre propor com coragem, aos jovens de hoje, a vocação do Missionário da Consolata (sacerdote, irmão, leigo) como via de entrega à missão para o resto da vida. Trata-se dum dever; não há desculpa alguma para não o fazermos!

São os jovens que atraem o nosso olhar cheio de esperança. Há tantos jovens nas jovens Igrejas em que trabalhamos; mas eles parecem andar longe de nós. Vemo-los andar interessados noutros ideais, nutras pessoas ou noutras instituições, sejam elas religiosas ou profanas. E no entanto têm entusiasmo, estão cheios de vida e dispostos a darem-se por ideais grandiosos e nobres. A missão seria capaz de preencher as suas vidas, se a pudessem conhecer. Então vivamos a missão com eles, atraídos pela figura de Cristo, que tem o poder de dar significado e força à realização de qualquer projecto de doação.

É Ele quem nos forma, renova e impele para as periferias do mundo onde encontramos os marginalizados, os desesperados e os sem Deus que gritam pela nossa “consolação”. E será Ele também a fornecer o optimismo, o entusiasmo, a confiança e a alegria para vivermos plenamente a nossa vocação e a nossa missão. Tal como fez aos discípulos de Emaús depois de o terem encontrado Ressuscitado na fracção do pão.

d) Na coragem para redimensionar
A renovação e a requalificação têm de ter por companheiro o redimensionamento das actividades e das obras. Todos estamos conscientes da carga de actividades entregues ao Instituto nos quatro continentes em que funcionamos. São demasiadas as actividades a que temos de responder apesar do número sempre pequeno de missionários. E também são demasiadas em termos do modo como as gerimos, devido aos muitos condicionamentos que têm a ver com a idade das pessoas, as enfermidades psico-físicas ou mesmo a falta de qualificações necessárias.

Talvez tenhamos demasiadas Circunscrições, de forma que uma razoável quantidade de missionários é chamada a trabalhar para a manutenção das obras, na organização e no serviço a essas instituições.

Talvez estejamos há demasiados anos em Igrejas locais já bem constituídas, capazes de caminhar por si sós, com as suas próprias forças.

Ouçamos as palavras de Jesus que nos diz: “Vamos para outras aldeias vizinhas para Eu pregar lá também; de facto foi para isso que Eu vim” (Mc 1, 38). Esse apelo poderia ser hoje dirigido a nós, pois que, sem dúvida alguma, há muitos que ainda não ouviram o Evangelho e nos esperam. Também o convite de José Allamano à “coragem” poderá ecoar entre nós hoje sob a forma de empenho em olhar “mais além” das fronteiras que nos são familiares e dentro das quais funcionamos há muitos anos.

4. Vivendo e trabalhando de um modo novo
O Evangelista João fala-nos dum mandamento “novo”, que é o da caridade e do amor. Ao vivermos o amor, nós aprendemos a viver num modo novo a vocação, a consagração e a missão. Eis alguns exemplos de modos de realização do projecto de Deus na nossa vida, nos dias de hoje:

- viver a fraternidade-comunhão, em espírito de família, que se traduz na corresponsabilidade, no respeito pela subsidiariedade a nível de continente;
- dialogar amplamente entre nós, com as MC, os LMC, as igrejas locais, e as outras religiões;
- dar testemunho, mesmo nas situações mais difíceis, e perante a cultura dominante do poder e do ter, de que é possível uma vida evangélica alternativa;
- comunicar a todo o Instituto as maravilhas que Deus realiza através de nós;
- sermos pessoas de esperança e activas nas situações mais difíceis;
- partilhar com os pobres os bens que o Senhor coloca nas nossas mãos com tanta generosidade;
- caminhar com o nosso olhar virado para o futuro, com uma íntima segurança que nos permite ser perseverantes, flexíveis, acolhedores do que é novo e do que é melhor.

Conclusão
Depois de ter caminhado com os discípulos de Emaús durante todo o dia, Jesus “entrou para ficar com eles. Quando estava à mesa com eles, pegou no pão, abençoou-o, partiu-o e deu-lho. Foi então que se abriram os seus olhos e O reconheceram” (Lc 24, 30-31). E tornaram-se testemunhas da ressurreição do Senhor, primeiro na comunidade apostólica, e depois no meio da população.

O Ressuscitado também caminha connosco, nas nossas comunidades cada vez mais internacionais e multiculturais, com membros cada vez mais diferentes na idade, na origem, na formação, na preparação e nas competências. Acompanha-nos enquanto trabalhamos num mundo cada vez mais globalizado, em transformação contínua e mais dividido. Será nossa tarefa viver e trabalhar de modo fraterno, dando da nossa riqueza ao nosso vizinho, onde quer que estejamos a servir a missão: no apostolado, na AMV, na formação ou noutra coisa qualquer. A todos devemos querer testemunhar que é possível viver e trabalhar em comunhão, valorizando e harmonizando entre si os elementos culturais e religiosos.

No nosso serviço como Direcção Geral do Instituto, estamos conscientes da nossa composição internacional e multicultural e queremos ser os primeiros a viver, trabalhar e servir em espírito de comunhão, em unidade de intentos, tal como queria o nosso Pai Fundador.

Que a Nossa Mãe Consolata nos confirme nesta caminhada!

P. Aquiléo Fiorentini, IMC
Superior Geral

P. Stefano Camerlengo, IMC
P. Francisco López Vázquez, IMC
P. António Fernandes, IMC
P. Matthew Ouma, IMC

Última Atualização ( 16 de Março de 2006 )

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