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| À REGIÃO DA ESPANHA |
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| Por P. Antonio Bellagamba, IMC | |
| 12 de March de 2006 | |
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Roma, 20 de Junho de 2001
Caríssimos Confrades da Região da Espanha, No passado mês de Abril, exactamente a um ano da conclusão da VIII Conferência Regional, concluímos a visita canónica à vossa Região. Foi uma visita que até foi peculiar pelo facto de ter sido a primeira visita feita por um Vice-Superior Geral, de acordo com as decisões tomadas pelo X Capítulo Geral (XCG). O Padre António Bellagamba foi acompanhado pelo Conselheiro para a Europa, o Padre J. A. Benedetti. Se quiséssemos fazer uma síntese de tudo aquilo que captámos durante essa visita, poderíamos dizer que nos pareceu ter descoberto, na caminhada da Região, um entrelaçamento diário e vital entre ressurreição e morte, esperanças e dúvidas, altos e baixos. Aliás, tal foi também o tema da liturgia com que demos início à visita naquela terça-feira da Oitava da Páscoa. Nessa liturgia, celebrámos a vitória da vida sobre a morte, da certeza sobre a dúvida, do futuro sobre o passado - realidades que tiveram o seu ponto alto nas palavras: “Ressuscitou!…Aquele que crucificastes está vivo…; olhai para as minhas chagas e acreditai…”. A Páscoa lembra-nos a todos, tanto discípulos como ministros do Ressuscitado, que, se formos fiéis à nossa vocação…; se com fidelidade formos buscar inspiração criadora ao carisma do Fundador e à sua espiritualidade…; se soubermos aceitar os sacrifícios que provêm da falta de vocações, da pobreza dos nossos êxitos, do afastamento da missão…nós poderemos sentir-nos cada vez mais Missionários da Consolata e vir a contemplar um dia os resultados do nosso trabalho. Ao redigir esta carta, seguiremos os pontos mais relevantes da vossa VIII Conferência Regional (Actas), ou seja: a nossa identidade, o nosso ad gentes, a formação básica e a formação permanente e, por fim, a organização da Região. Procuraremos descrever sucintamente a situação actual de cada tópico tal como por nós vista e entendida; depois faremos algumas observações; e, por fim, indicaremos algumas propostas em relação ao futuro da Região.
I - A NOSSA IDENTIDADE
Tivemos ocasião de apreciar a vossa sincera identificação com o Instituto, com o seu carisma, com os objectivos da nossa presença e da nossa obra na Espanha. Tal como em muitas outras Regiões, também vós procurais manter viva a lembrança do Fundador e difundir a sua espiritualidade. A Santíssima Consolata reina não só nas paredes das vossas casas, mas principalmente nos vossos corações. Sentimos que viveis como membros da nossa família missionária.
A vida espiritual Todas as comunidades contemplam, no horário, um mínimo indispensável dedicado à oração comunitária. Aconselhamos que haja pelo menos dois encontros diários de oração, procurando torná-los relevantes e até mesmo fazendo espaço para a criatividade pessoal e comunitária. As Constituições e os nossos Capítulos Gerais exigem de todos os missionários um ritmo regular de oração quotidiana, semanal e mensal. Apesar dos numerosos compromissos que parecem dificultar um ritmo intenso de oração comunitária, desejamos lembrar-vos que o missionário tem o dever de reservar tempo suficiente para a dimensão espiritual, visto que é uma garantia de vida. Se frequentemente e sem motivos excepcionais e plausíveis se deixar passar a oração, a vida religiosa irá sofrer. Simplesmente porque ela ficará empobrecida logo na sua origem; a perseverança na vocação e no trabalho missionário poderiam estar em risco com a privação da sua verdadeira dinâmica; o espírito do Instituto e as vossas actividades poderiam entrar em dificuldade com essa privação de motivação. Não estamos a exigir um nível de oração excepcional ou alheio às Constituições. Mas não podereis fugir ao que elas prescrevem a tal respeito.
A vida consagrada e comunitária Os superiores das comunidades revelam uma presença discreta, que se limita a garantir um mínimo de organização ou, então, a coordenar as actividades comunitárias. Consideramos tal nível de presença um pouco baixo e insuficiente para garantir verdadeira animação da comunidade - que, pelo contrário, exige o acompanhamento das pessoas, a oferta de ajuda e apoio, animação do carisma e da espiritualidade, e o uso do discernimento comunitário para evitar o recurso demasiado frequente ao Superior Regional. A nossa visita notou, na comunidade regional, algumas brechas capazes de contaminarem a serenidade e a unidade de propósitos do grupo. Reafirmamos o voto - aliás expresso nas actas da vossa conferência - de que haja em todos o empenho e “la capacidad de reconstruir las relaciones rotas” (Actas, p. 12). Também vos animamos a que avanceis no caminho da compreensão e do espírito de família, de forma que seja sempre, e em toda a parte, um sinal - especialmente nesta nação ainda dividida em facções mortíferas - de fraternidade e de amor. Por fim, pedimo-vos que os critérios a guiar-vos na avaliação de acontecimentos regionais ou situações actuais e passadas, sejam inspirados por uma visão de fé sobre a realidade e a nossa vida fraterna. Aquilo que nos deve unir é o carisma, a espiritualidade e a nossa herança histórica. O relevo a dar a aspectos específicos da nossa vida e da missão deve ficar sujeito ao discernimento comunitário.
II - O NOSSO AD GENTES
1. A animação Missionária e Vocacional (AMV)
Antes de avançarmos para as temáticas que nos parecem mais específicas da nossa AMV na Espanha, desejamos recordar algumas expressões da mesma, que achamos merecerem atenção e maior desenvolvimento. Comecemos pelos grupos FaCoMi (Famílias Colaboradoras Misioneras). Tivemos ocasião de nos encontrarmos com eles em Saragoça, em Elche e em Madrid. Trata-se de benfeitores que nos estimam e nos dão apoio mediante a oração, sacrifícios e solidariedade concreta. Da vossa parte, procurai garantir-lhes informações contínuas sobre a missão, momentos de oração e convivência. Os visitadores convidam-vos a manter vivo este sector da AMV congregando novas famílias e novos amigos e até envolvendo-os no trabalho que iniciastes a bem dos imigrantes. Anteriormente tínheis um estabelecimento conhecido por Ujamaa no centro de Madrid, que tinha por finalidade dar a conhecer a arte e as culturas dos países em que trabalhamos; e que ao mesmo tempo, funcionava como fonte de rendimentos. Após longa ponderação, a Região decidiu encerrar essa actividade e, em alternativa, deu início às exposições missionárias itinerantes. Todas as comunidades se empenharam em pô-las a funzionar e geri-las com o encarregado regional: os primeiros resultados parecem ser animadores. Consideramos que este modo de animação missionária também é válido e interessante, convidando-vos a continuar com essa iniciativa - aproveitando a colaboração dos grupos de jovens, dos missionários leigos e dos membros da FaCoMi. Registámos com prazer a presença das Missionárias da Consolata na sua nova sede, onde se estabeleceram há poucos meses, tendo-se integrado com o povo do bairro, na pastoral local e nas actividades de AMV. A colaboração com os nossos missionários, especialmente com a comunidade de Pinos Baja, pareceu-nos ser boa, construtiva e aberta a mais e maior desdobramento, sobretudo no campo da animação missionária. Devido à proximidade com as nossas comunidades da capital, é desejável que todos os tempos fortes de família sejam valorizados para fazer aumentar a partilha do carisma que nos é comum, na fraternidade e na colaboração já mencionadas.
a) Pastoral Juvenil e Vocacional
A Região da Espanha, tal como muitos outros países secularizados da Europa Ocidental, foi atingida por uma queda dramática no número de vocações. Mas parece que alguns institutos e dioceses estejam a subir lentamente esse declive e estejam a passar por uma espécie de renascimento vocacional. Os visitadores sugeriram à Região que fizesse uma análise cuidadosa da situação e se interpelasse mais ou menos nestes termos: somos merecedores de ter novas vocações? Para os jovens de que nos abeiramos, somos um exemplo alegre duma vocação realizada? A nossa vida atrai os jovens para a escola de José Allamano? Apresentamos-lhes a proposta de consagrarem a vida à missão? Sabemos muito bem que são múltiplas as causas da falta de vocações e que elas, por vezes, ultrapassam as nossas capacidades de compreensão. Mas a resposta a estas questões fundamentais poderia, pelo menos, apontar-nos os caminhos mais directos para trabalhar seriamente e com empenho no campo vocacional. Seja como for, os jovens ainda representam a vossa maior alegria e a vossa melhor esperança, apesar de o seu número ter diminuído consideravelmente. Encontrámo-nos com eles em todas as vossas comunidades e vivemos, com eles, momentos de oração e de partilha, sobretudo durante as celebrações da Páscoa dos Jovens. A Conferência declarou que a vossa pastoral dos jovens precisa de renovação e também pedistes que, o mais breve possível, se organize um projecto de Pastoral Juvenil Vocacional mais conforme com as exigências dos tempos, revestido de alguns aspectos típicos (Actas, p. 18). A este propósito, é nosso desejo: · Dar ânimo aos responsáveis por este projecto para que iniciem e levem a bom termo, quanto antes, as determinações da Conferência, para que cada comunidade da Região possa ter linhas-mestras e orientação comuns no respectivo trabalho de pastoral dos jovens. · Recomendar a todos que recebam os jovens com abertura de coração e de atitude, nos vossos centros, prestando atenção às suas necessidades, indagações e aspirações, principalmente espirituais. Os jovens sabem imediatamente se lhes queremos bem ou se apenas os toleramos nas nossas comunidades. · Exortar a todos para que sejam prestáveis em fazer o acompanhamento pessoal dos jovens, por ser o instrumento mais idóneo e mais prático para descobrir e sustentar o nascimento duma vocação. Nesse sentido, fazei com que cada comunidade tenha pelo menos um missionário capaz, sensível e disponível para fazer esse acompanhamento vocacional, que é a alma de toda a pastoral de jovens.
b) Servicio Conjunto de Animación Misionera (SCAM)
Em comparação com um passado não muito distante, parece que a Igreja espanhola tenha agora um ambiente mais acolhedor relativamente à AMV. O caminho percorrido pelo SCAM nestes últimos anos é a prova mais evidente desta mudança de atitude. A direcção nacional das Obras Missionárias Pontifícias e os Centros Missionários Diocesanos abriram-vos as portas para fazerdes animação missionária em todo o país; além disso, o próximo documento da Conferência Episcopal sobre a cooperação missionária da Igreja espanhola deverá vir a dar um impulso maior a este tipo de serviço. Tudo isto vos deverá ajudar a melhorar a vossa AMV, de forma que ela se não limite apenas a contar experiências parciais ou pessoais da missão, mas, sobretudo, apresente uma reflexão séria sobre a missão no mundo contemporâneo, sobre a necessidade de se ser missionário e de planificar uma pastoral missionária nesta Igreja e para esta sociedade. Assim, convidamos o Secretariado Regional de AMV a planificar e a realizar momentos de actualização para os nossos animadores e também a participar naqueles que as dioceses e os Secretariados Missionários oferecem. Haverá então actualização e capacidade permanentes para apresentar, de modo vivo e incisivo, a vocação missionária da Igreja.
c) Os Leigos Missionários da Consolata
Os leigos missionários são a expressão mais original da vossa pastoral dos jovens. O trabalho em prol da formação de grupos de jovens e a preparação de leigos para a missão é uma das características mais marcantes e mais típicas da Região da Espanha. De facto, há grupos de leigos onde quer que temos comunidades - o que consideramos um dom divino, tanto para a missão como para o Instituto. Os visitadores não só reafirmam este tipo de trabalho como até estimulam todos os missionários da Região a que se sintam chamados por este movimento. Também eles vieram ao nosso encontro, contando-nos as suas experiências e partilhando connosco a sua alegria pela opção de vida missionária que fizeram. A vossa Região conseguiu dar início a este trabalho específico com os jovens seguindo uma metodologia própria e com grande dedicação. Queremos dizer-vos “Muito Obrigado” em nome de todo o Instituto! Recairá agora sobre vós a tarefa de continuar o caminho já iniciado, fazendo partilha da nossa mais preciosa herança com os leigos: do carisma, da espiritualidade, da missão. Com eles e com o Secretariado Geral para a Missão, procurai traduzir na prática as linhas-mestras de funcionamento que o XCG determinou. O documento que ainda está em fase de preparação por obra dos encarregados dos leigos da Europa, em conjunto com o Secretariado para a Missão, tenciona chamar a atenção de todos os missionários para este tema e propor um projecto de laicado extensivo a todo o Instituto. Exortamo-vos a que o analiseis em profundidade e leveis à prática os projectos de caminhada que aí virão propostos. Também gostaríamos de estimular o Conselho Regional e os Superiores de comunidade a envolverem mais intensamente estes leigos na vida regional e na vida das comunidades locais. Pouco a pouco, eles devem tornar-se parte da nossa vida, partilhando do nosso trabalho e da nossa espiritualidade. Sem dúvida que poderão tornar-se uma grande riqueza, um verdadeiro potencial missionário e vocacional de primeira categoria.
d) Os Meios de Comunicação Social
Eles são indispensáveis no nosso trabalho de AMV. O Capítulo Geral incentivou-nos à sua utilização. Os visitadores constataram, com prazer, que a revista Antena Misionera fez progresso e é apreciada em toda a parte. A presença activa dos missionários leigos na redacção, tal como a sua generosa colaboração, têm contribuído para melhorá-la. Além disso, não é de desprezar o auxílio económico que chega à região e às nossas missões através dela. Assim, continuai a valorizar cada vez mais os colaboradores leigos e fazei com que a revista se torne cada vez mais atraente e eficaz no relato da missão. Colaborai de boamente escrevendo artigos e fazendo a sua difusão. Usai-a no vosso trabalho de AMV, na pregação, ao falardes da obra missionária, na formação dos leigos. É uma peça de que vos deveis sentir orgulhosos. Também vos convidamos à colaboração com o Secretariado Geral para a Missão na criação e manutenção do site da Internet do IMC, procurando despertar o interesse dos jovens e dos leigos.
Em conclusão, queremos exortar-vos a desenvolver algumas atitudes que consideramos terem uma importância fundamental para o trabalho de AMV, ou seja: insistir no trabalho de equipa a nível local, enquanto cada qual interioriza os projectos dos outros e lhes oferece uma colaboração cordial. Mesmo quem já está mais directamente encarregado de um sector da AMV se deve sentir envolvido plenamente no projecto regional e aberto à colaboração sempre que lhe seja pedida. Por fim, são de evitar as interferências indevidas, que são sempre prejudiciais para a fraternidade e para a eficácia do trabalho.
2. Justiça e Paz (J&P)
O Capítulo incluiu, entre as cinco áreas do nosso ad gentes, o compromisso com a justiça e a paz. Embora válido para todo o Instituto, este compromisso assume um significado muito especial nas regiões do hemisfério Norte. De facto, é exactamente nos países da América do Norte e da Europa que está a jogar-se o futuro da humanidade e onde, por vezes, se tomam decisões políticas e económicas que geram pobreza e degradação para as populações do Sul junto das quais muitos dos nossos confrades fazem missão. A Conferência Regional abordou este tema de maneira alargada (cfr. Actas, p. 28), e também apresentou algumas linhas de acção eficazes. A seguir, a Região designou um missionário para coordenar todo esse sector através da Comissão de J&P. Exortamos todos os missionários a assumirem com seriedade esta área de compromisso missionário levando a efeito todas as propostas de actividade. Para esse fim, convidamo-vos a: · activar a Comissão de J&P, designando para ela mais missionários, para assim poder começar imediatamente o seu trabalho, que é de consciencialização dos missionários e também de colaboração com todas as iniciativas promotoras da J&P; · incluir a realidade da imigração na Espanha entre os âmbitos privilegiados deste sector.
3. Os imigrantes
O Capítulo Geral pediu às Regiões da Europa para identificarem um ad gentes específico dentro dos respectivos países (XCG, 44) e de o incorporarem no projecto de AMV, para evitar dicotomias ou interferências prejudiciais. A Região da Espanha foi a primeira a responder a este convite e tomou a decisão de trabalhar entre os imigrantes (Actas, pp. 25-26). Esta experiência, que já tem dois anos, já demonstrou a validade da escolha feita. A comunidade de Elche, que ficou designada para assumir este serviço com um empenho todo especial, será a animadora das outras comunidades da Região neste campo. Os primeiros passos do seu trabalho e os seus futuros programas foram compilados num opúsculo intitulado Caminando con nuestros hermanos inmigrantes. As restantes comunidades também arrancaram com as primeiras iniciativas neste sector. Os visitadores, ao tomarem nota da seriedade das actividades desenvolvidas até ao presente, sobretudo pela comunidade de Elche, desejam propor-vos alguns critérios de trabalho neste campo: · Fazer com que, em Elche, a AMV e a pastoral dos imigrantes se completem e apoiem mutuamente, sem tentações de exclusividade: o trabalho entre os imigrantes deve iluminar a AMV; e a missão deve inspirar a pastoral entre os imigrantes; · Que a comunidade de Elche seja a animadora das outras comunidades da Região, para que todas possam fazer este serviço sem oposição ou dicotomia em relação ao trabalho de animação missionária e vocacional; · Que as decisões capitulares iluminem este vosso tipo de trabalho. Demos a preferência aos não-cristãos e usemos um estilo feito de presença, proximidade e acompanhamento espiritual que valorize a dimensão religiosa de cada pessoa; · Que o nosso trabalho, onde for possível, se integre nos programas diocesanos e se mantenha aberto à colaboração com todas as forças eclesiais e não-eclesiais, que já trabalham neste campo.
III. A NOSSA FORMAÇÃO
1. A Formação Básica
Não temos, na Região da Espanha, as primeiras etapas da formação básica, por falta de formandos espanhóis. Mas existe a comunidade de Pinos Baja em Madrid, que acolhe alguns estudantes sem profissão perpétua e os ministérios com ordens. Encontrámos nesta comunidade um ambiente de serenidade, cooperação e verdadeiro espírito de família. O relacionamento com o formador é intenso e sincero. Há seriedade nos estudos e vivo empenho nas actividades pastorais. Na assembleia de encerramento desta visita, pedimos a todos os missionários para fazerem uma reflexão séria sobre o futuro desta casa - que, há já seis anos, foi designada pela Direcção Geral para centro de estudos superiores. Por entre um intercâmbio abundante de opiniões, a assembleia manifestou-se muito positivamente sobre o significado e a importância da comunidade de Pinos Baja no contexto da Região: ela é um sinal de vitalidade e de futuro, devendo continuar a ficar envolvida nas iniciativas regionais, principalmente as de AMV e pastoral entre os imigrantes. Conforme as possibilidades, caberá à Direcção Geral a tarefa de enviar estudantes e missionários para esta comunidade, por forma a valorizar as múltiplas possibilidades que Madrid oferece através das suas universidades, em vista duma melhor preparação para a missão. Além disso, respeitar-se-á a identidade e a finalidade deste centro para estudos superiores, que, assim, não poderá receber candidatos jovens IMC da Região que estejam ainda envolvidos nas etapas formativas iniciais (do propedêutico e do curso filosófico).
2. A Formação Permanente
Sob inspiração das propostas capitulares, a recente Conferência Regional fez forte insistência num programa rico em formação permanente, e numa multiplicação de iniciativas que ajudem os missionários a desenvolverem-se como pessoas, como religiosos e como missionários. Todas as comunidades têm encontros regulares em que se debatem e aprofundam temas formativos. No decorrer das assembleias regionais incluem-se sempre momentos de formação permanente. Para os missionários mais jovens, no passado mais recente, têm-se organizado encontros ad hoc : presentemente, a Região delegou para um missionário a coordenação dessas iniciativas. Os visitadores exortam à continuação da caminhada que foi empreendida e faz relevar a importância de se aprofundar o estudo dos documentos do Instituto e de se aderir às iniciativas diocesanas, que são sempre variadas e relevantes.
IV. A ORGANIZAÇÃO DA REGIÃO
1. O Conselho Regional O Conselho Regional entende-se bem, reúne-se regularmente e debate livremente todos os assuntos que lhe são apresentados. Os confrades apreciam o serviço que lhes presta. Especialmente bem aceite é a proximidade que o Superior Regional mantém com cada um e com as comunidades. A comunicação no interior da Região parece ser regular e suficiente. Por isso, os visitadores recomendam que se mantenha a consulta frequente com as bases e se mantenha sempre viva a comunicação no seio da Região. Os confrades, pelo que lhes toca, procurem aceitar serenamente as decisões emanadas do Conselho, as quais a praxe do Instituto e os textos constitucionais confiam à sua responsabilidade.
2. Estabilidade do pessoal A visita canónica anterior tinha observado que o processo de substituições que se costumava fazer no passado tinha produzido o rejuvenescimento da Região. Por outro lado, queixava-se de que as substituições numerosas e frequentes causavam falta de estabilidade do pessoal e fraca continuidade operacional. A última Conferência Regional pediu que todos os missionários que são destinados à Espanha ali se mantenham, pelo menos, de 4 a 6 anos. A Direcção Geral tem continuado a enviar mão de obra jovem para a AMV; mas também se tem notado um esforço por parte dos Missionários no sentido de prolongar o seu período de permanência na Região para além do tempo previsto. No entanto, ainda se não atingiu a desejada estabilidade e, por outro lado, sobrevive a tentação de voltar a partir cedo para a missão. O vosso desejo de regressar à missão é algo de positivo. No entanto, exortamo-vos a entender o trabalho que fazeis como um autêntico ad gentes e a desejar continuá-lo com uma duração suficientemente prolongada. Não há dúvida de que isso redundará em benefício do próprio trabalho em que estais empenhados.
3. Secretariados Regionais A Região tem quase todos os Secretariados Regionais que são exigidos pelas Constituições ou recomendados pelos Capítulos Gerais. Cada Secretariado tem um encarregado e a respectiva comissão. Recomendamos empenho e espírito de iniciativa aos Directores de Secretariados na concretização das propostas feitas pela Conferência Regional e no apoio aos confrades. Também propomos que a comissão económica se abra outrossim a leigos competentes e conscientes, em ordem a um eficaz contributo profissional que estes lhe possam dar.
4. A Administração Regional Há já alguns anos que a Região conta com uma boa base administrativa: ela revela-se cuidadosa, exacta, prudente e bem fundamentada. Actualmente, todas as comunidades da Região conseguem ser auto-suficientes, com excepção duma delas, que tem de enfrentar despesas de arrendamento até conseguir residência própria. As diligências relevantes até agora feitas levam a esperar que, em breve, a Região também se possa tornar uma fonte de subsídios para as outras Regiões mais pobres do Instituto.
5. A Casa Regional Constitui o ponto de encontro dos confrades da Região, dos missionários em gozo de férias, e de parentes e amigos. Além disso, ela é a sede dos vários secretariados regionais e das operações regionais. O responsável pela casa e os confrades desta comunidade revelam solicitude, oferecendo um acolhimento fraterno, não obstante as limitações que a casa impõe.
6. Seguro de Saúde Esta temática foi tratada largamente durante a visita canónica tendo em mira uma solução de longo prazo. A proposta que surgiu no decorrer da assembleia final foi a de transferir todos os missionários espanhóis, bem como todos os confrades estrangeiros presentes na Região, do sistema conhecido por Colectivo Misionero a outro, conhecido como Colectivo General. Esta transferência causará um aumento razoável nas despesas, mas oferecerá melhor cobertura médica a todos os missionários da Região e aos que residem noutros locais, evitando assim as situações de emergência, sempre desagradáveis.
7. A assistência aos doentes e aos idosos espanhóis Esta temática também foi submetida a amplo debate durante a visita canónica, principalmente em conjunto com o Conselho Regional. O desejo de todos é que os nossos idosos ou doentes, embora sejam poucos, não se sintam isolados durante a sua velhice ou doença, mas tenham a oportunidade de continuar a partilhar da vida e actividades regionais na companhia dos outros confrades. Os visitadores puderam confirmar a necessidade de se continuar com esta reflexão até se encontrar uma solução adequada para o problema, de forma que as várias exigências e critérios apresentados pelos confrades tenham resposta. O assunto será retomado em breve; a Direcção Geral será informada sobre a solução que se prevê vir a ser tomada.
CONCLUSÃO
Para terminar, queremos agradecer a todos os membros da Região pela preparação cuidadosa e pela participação activa que revelaram durante a visita canónica: ao Conselho, por nos ter introduzido na dinâmica da caminhada da Região e pelo seu serviço à Circunscrição; aos Superiores locais e aos confrades pelo acolhimento fraterno de que fomos alvo nas respectivas comunidades. O nosso especial obrigado ao Padre Alvaro Palacios Arregui, Superior Regional, que se pôs totalmente à nossa disposição, nos acompanhou durante toda a visita e sempre se mostrou pródigo em conselhos e apoio.
Gostaríamos de vos lembrar os temas principais, que estiveram sempre presentes nas nossas orações e nos momentos de reflexão comunitária: enamorar-se de Jesus Cristo com intensidade e paixão crescentes; invocar o dom do Espírito Santo para o discernimento pessoal e comunitário e, ainda, pelo bom êxito da vossa missão; manter a caridade, o amor e a união entre vós, a qualquer preço; melhorar quantitativa e qualitativamente a vossa oração comunitária e pessoal; fazer da AMV, em todas as suas formas, a missão em que o Instituto hoje vos pede que vos gasteis generosamente e sem reservas.
Concluímos esta carta no dia 20 de Junho, festa da nossa Mãe, Fundadora e Padroeira. Convosco e por vós, oferecemos-Lhe todo o excelente trabalho que fizestes no passado e continuais a fazer no presente: os grupos de jovens, os leigos missionários, a opção pelos imigrantes como vosso ad gentes, o compromisso fortalecido pela Justiça e Paz, tal como a animação missionária e vocacional que procura responder às aspirações e às necessidades do mundo dos jovens e da Igreja local. A Ela confiamos a vossa vida de consagrados e de missionários para que ela continue a ser a oferta mais preciosa que fazeis a Deus, dia após dia, quando participais no sacrifício eucarístico. O nosso voto vai no sentido de que , com Ela, possais continuar a vossa caminhada de fé, de vida radicalmente consagrada e de actividades criativas e relevantes que empreendestes. Que a Espanha, terra de santos e de grandes missionários, encontre em vós sequazes autênticos do Senhor e veja patente em vós o veemente desejo que os animou e os tornou testemunhas do evangelho até aos mais longínquos confins da terra. Ao saudar-vos, confiamo-vos à intercessão do nosso Pai Fundador.
P. Antonio Bellagamba, IMC Vice-Superior Geral
P. Jean André Benedetti, IMC Conselheiro Continental |
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