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| PADRE ANTONIO GIANELLI 1923-2001 |
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| Por Doutora Leda Schirinzi | |
| 12 de March de 2006 | |
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Nasceu em Parabita (Lecce), no ano de 1923. Era filho de Pasquale e Settimia Vigna. Entrou no Instituto em 1933. Em 1943 fez a sua consagração a Deus com a profissão religiosa e, em 1947, foi ordenado sacerdote. Em 1949 foi enviado para as missões do Quénia, Diocese de Nyeri. Era esse o período do movimento Mau-Mau: a tensão, os perigos e o terror complicaram a sua missão logo no início. Foi coadjutor do pároco em Rocho (Nyeri), Fort Hall e Gekondi. Em 1954, o Bispo Dom Carlo Cavallera enviou-o a trabalhar nas fazendas de Tinderet, que se tratavam do cultivo do café; mas acabou por não se sentir inspirado para a função e, no ano de 1957, quando voltou de férias, ficou-se pela Itália. Foi então trabalhar na animação missionária em Darfo, Milão e Bolonha. Em 1975 voltou para o Quénia, fazendo trabalho pastoral em Kiangonyi, Gaturi e Kerugoya. Entre 1977 e 1983 foi pároco de Gaturi, onde reconstruiu a casa de repouso dos idosos (aliás prestes a desabar) e equipou-a com quartos espaçosos e os necessários serviços. Ao mesmo tempo entregava-se à azáfama da construção de capelas nos vários centros de missão. Entre 1983 e 1987 voltou a ser coadjutor do pároco em Ichagaki e, a seguir, em Tetu. Foi aqui que o seu olhar se deixou encantar por Wamagana, que era uma das maiores escolas-capelas da missão. Entusiasmado, desenvolveu-a construindo escolas e as residências dos padres e das irmãs, em alvenaria. Com a ajuda de amigos que o foram visitar na África, construiu uma das mais lindas igrejas de toda a diocese, dedicando-a, naturalmente, à “sua Senhora” - Nossa Senhora da Coltura de Parabita. De grande sensibilidade social, também construiu uma escola para crianças deficientes, uma das poucas que existem no Quénia. Ao escrever ao Padre Pietro Trabucco, superior geral, em agradecimento pela sua ajuda financeira para a realização desta obra, dizia ele, entre outras coisas: “«No próprio dia (da inauguração) também nasceu a associação Allamano Friends (Amigos de Allamano), que tem por finalidade congregar benfeitores da escola, mantê-la viva e propagar o conhecimento e a devoção ao Fundador, de quem todos os cristãos de Wamagana são devotos. Assim, penso ter cumprido, da minha parte, uma obrigação para com quem me deu a possibilidade de me tornar missionário. No ano que vem já farei cinquenta anos de ordenação sacerdotal, e penso que esta obra para os deficientes seja a mais maravilhosa que criei até agora. Por tudo isto dou graças a Deus, a Nossa Senhora e ao nosso Fundador» (11.12.1996). Mas a sua actividade não ficou por ali: com grandes investimentos financeiros, ainda abriu poços para dar água à missão e à população - e até energia eléctrica. Estas obras e o seu estilo amistoso e directo ganharam-lhe a amizade do povo; a celebração do seu jubileu de ouro, em 1997, foi um verdadeiro triunfo que lhe mostrou os frutos do seu trabalho incansável. Mas, por esta altura, já a sua saúde estava arrombada. Já desde 1988 que lhe tinham aparecido alguns linfomas, que acabaram por o matar. Assim, teve de voltar para a Itália em 1999. Depois de ter sofrido um longo calvário na enfermaria da Casa Mãe, voltou para o Pai a 23 de Janeiro de 2001. O funeral foi no dia 26 de Janeiro .O Padre Clemente Barlocco presidiu à celebração eucarística, apresentando o seu curriculum vitae. E fê-lo com documentação exacta e comovedora, mostrando “quem era o Padre Gianelli”, tanto para o Instituto como para a Igreja de Nyeri. Apresentou sombras e glórias, mas sobretudo o seu coração misericordioso, entregue à doação de si próprio, à fidelidade à vocação, ao seu amor às pessoas - principalmente as mais pobres e indefesas, e também as mais “incapazes” de lhe agradecerem por isso. Poucas horas antes de falecer, ainda fora com o pensamento até aos seus rapazes deficientes de Wamagana, deixando-lhes tudo aquilo que ainda lhe sobrava. O corpo foi para Parabita, a sua terra natal, onde agora repousa perto dos seus entes queridos e da “sua Senhora”, a “Madonna della Coltura”. P. Clemente Barlocco e P. Giuseppe Mina
TESTEMUNHOS Um instrumento da caridade O Padre Antonio Gianelli, que foi um pequeno-grande missionário, deixou-nos para sempre. Tinha um coração enorme e uma fé inquebrantável, ambos integrados num espírito um tanto rebelde e irreflectido, que fizeram dele um instrumento formidável de caridade e de amor. Encontrando-se no Quénia desde o início dos anos 50, logo aprendeu a criar, do nada, duas obras de acolhimento e de reabilitação de idosos abandonados e de crianças com graves deficiências psicomotoras. Ainda brilham como duas estrelas no firmamento da bondade e da doação gratuita de si mesmo aos outros, sem distinção de raça, religião ou posição política. Frederico Cesarani
Um Missionário incansável e um grande amigo Lembro-me, como se tivesse sido ontem, da emoção e também daquele bocadinho de apreensão com que, em Fevereiro de 1992, eu e o meu marido William, ambos médicos, aterrámos pela primeira vez em Nairobi a convite do Padre António Gianelli para passarmos um curto período de tempo na missão que fundara em Wamagana (Nyeri). Mas agora, pululam na minha mente numerosas sensações: desde os perfumes desconhecidos até à confusão geral e sobretudo o sorriso tranquilizador e a vivacidade do “Father Generi”, como era afectuosamente tratado o nosso padre António. Uma curta viagem de algumas horas levou-nos até à missão de Wamagana, aos pés do Monte Quénia. Foi uma viagem em que toda a Mãe África veio ao nosso encontro com a sua majestade, em oposição à pobreza impossível de imaginar. Foram dias intensos, aqueles: entre visitas às aldeias mais próximas, o trabalho de William, médico pneumologista do hospital de Mathari, e a observação de todo o trabalho realizado pelo padre António. A vida proporcionou-me outras viagens a Wamagana e muitas outras alegrias na Itália: o trabalho político e o voluntariado sempre animado pelo padre António, missionário incansável e grande amigo. Mas essa mesma vida também me deu dias tristes: a morte prematura de William e, agora, a perda do padre António. Meu caro Padre António: agora já não vai ser como antes, quando os teus olhos se fixavam nas crianças da escola ou quando, no centro para os deficientes, nos mostravas os esforços sobre-humanos para lá manteres um nível dignificado e aceitável de assistência. Mas eu vou voltar para o Quénia com a atitude que me ensinaste, com o teu Jambo (Olá!) no coração. Doutora Leda Schirinzi |
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