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| Por P. Benedetti Jean André | |
| 12 de March de 2006 | |
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Encontro dos Superiores e Vice Superiores Regionais da Europa
Síntese dos temas abordados
Madrid, 3-6 de Setembro de 2001
1 - Momento de reflexão (P. Piero Trabucco) Partindo da manchete “Lo que es nuevo pide novedad” (sobre as conclusões dos grupos de reflexão CEVRE, 1997-2000, em Barcelona; sobre o tema da transformação que se deve operar na Vida Consagrada, para que possa continuar a ser uma forma radical de viver o Evangelho), o Superior Geral colocou em evidência três aspectos:
A experiência de Deus Antes de mais, é preciso possuir e viver a paixão por Jesus Cristo, que é Aquele que seguimos na qualidade de discípulos, já que fomos conquistados por Ele e por Ele pescados, e pelo Qual vale a pena viver e morrer. Devemos fazer foco n’Ele e fazer d’Ele o nosso centro de gravidade. Somos chamados a trabalhar em nós próprios para viver uma espiritualidade incarnada, que não nos leve a fugir à realidade. Alguns procuram-na fora da comunidade, mas, frequentemente, ela não faz incidência sobre as suas vidas, não atinge as raízes nem as exigências diárias da sua consagração. Para nós, a Eucaristia, os sacramentos, a Palavra de Deus…são os lugares privilegiados do encontro com Cristo mas, ao mesmo tempo, também o trabalho diário, os acontecimentos aparentemente insignificantes, o encontro com as pessoas, principalmente aquelas que como sociedade marginalizamos, convertem-se em fonte da nossa espiritualidade. A espiritualidade gera uma paixão por Cristo e pelo nosso carisma. O discernimento torna-se, para nós, uma espécie de atitude perante a vida, não só por causa das decisões extraordinárias que tomamos, mas também pela nossa diuturnidade pessoal e comunitária. Se reflectirmos sobre as causas das numerosas desistências que enfraquecem o nosso Instituto, logo nos daremos conta da sua necessidade.
A significação da vida consagrada Numa sociedade plural e complexa como é a nossa, a vida consagrada perdeu em protagonismo e visibilidade, sentindo nós, assim, a necessidade de viver e dar testemunho com audácia àquilo que é essencial na vida de todos. É uma questão de qualidade e de estilos de vida. Foram-nos indicadas quatro pistas de busca: - a experiência diária revela-nos que muitas pessoas se sentem questionadas quando descobrem na pessoa consagrada uma pessoa normal, que não precisa de fazer isto e mais aquilo ou até realizar obras de peso para se tornar relevante (ser extraordinário no ordinário); - mais do que reconhecermo-nos como pertencentes a um estado de perfeição, queremos ser pessoas que se deixaram fascinar pela mensagem do Senhor e foram chamadas a segui-lo com coerência e humildade, num modo de vida que levante perguntas sobre os motivos que inspiram as nossas opções e o nosso agir; - os ritmos frenéticos da vida podem conduzir-nos a uma superficialidade e a um nervosismo que geram mau estar interior; precisamos de reler o nosso carisma no momento actual e na situação em que somos chamados a viver, para podermos chegar às raízes, ao que é essencial.; - o consagrado é chamado a revelar sinais claros de comunhão, sobretudo aos jovens dos nossos dias; esperamos da vida comunitária e eclesial uma praxe concreta feita de fraternidade, de sintonia e de cooperação.
A itinerância e a mobilidade A vida consagrada é, no fundo, uma resposta de seguimento de Cristo; é itinerância. É uma vida de serviço, caracterizada pelo dinamismo, pela mudança e pelo provisório, com os olhos sempre fixos na novidade. Constatamos que, na realidade em que estamos situados, surgem continuamente necessidades novas que pôem à prova a nossa capacidade de ouvir e de dar respostas autênticas de consolação. A tentação, em tudo isto, poderia estar em construirmos para nós próprios um mundo à nossa medida, no qual nos encontraríamos bem porque o conhecemos e que nos pediria para fazermos o que sempre temos feito: uma espécie de ninho, em que, pouco a pouco se perde a exigência do empenho e da radicalidade. Enquanto Missionários da Consolata, devemos fazer uma revisão de alguns modelos da nossa presença que, por vezes, já se tornaram modos de fazer e estar “estáticos” e fechados à realidade actual. A fidelidade criativa ao nosso carisma deveria levar-nos a dar respostas mais adequadas à sociedade que muda sensivelmente: mais do que preocuparmo-nos em manter obras e estruturas, deveríamos esforçar-nos por exprimir o que somos. Dá que pensar que, por exemplo na Europa, as nossas obras IMC ainda sejam as mesmas de há cinquenta anos. Também para nós, hoje, como aliás o foi ao longo de toda a história da Igreja, as situações de pobreza e de exclusão continuam a ser um critério de valorização da actualidade do nosso carisma, um empurrão a que nos “desloquemos”, em fidelidade às nossas origens carismáticas. Onde é que ficam, hoje, as “fronteiras” no nosso continente?
As reflexões dos Superiores e Vice-Superiores Regionais, vista a realidade composta das nossas comunidades na Europa (quanto a idade, mentalidade e interesses) versam principalmente sobre a dificuldade em formar e fazer “funcionar”, no respeito pelas pessoas, comunidades locais que garantam unidade de intenções, realização de iniciativas e programas de AMV a nível de juventude, e o necessário acompanhamento dos confrades que se encontram em dificuldade.
2. - Promoção vocacional IMC na Europa Os Superiores e os Vice-Superiores Regionais descrevem o que se faz nas respectivas Regiões para propor aos jovens a vocação IMC. Dá-se realce àqueles que poderão ser caminhos novos para a promoção vocacional (por exemplo, a experiência da Certosa di Pesio e a busca da interioridade e da experiência de Deus por parte dos jovens…, a AMV num contexto de atenção e acompanhamento dos imigrantes…) e o parecer dos animadores que hoje manifestam o desejo de querer fazer algo mais que simplesmente propor a vocação missionária aos jovens. Também se constatam as limitações da nossa promoção vocacional: - pouca preparação na área do acompanhamento - direcção espiritual; - poucas iniciativas específicas a nível regional ou local; - pouca “visibilidade” do nosso carisma nas nossas presenças aqui na Europa; - falta dum verdadeiro projecto de caminhada vocacional para os jovens; - falta de cursos específicos para a formação de animadores deste tipo de pastoral; - o contra-testemunho de alguns dos nossos estilos de vida a nível individual e, sobretudo, comunitário; - nem todos os Missionários possuem qualidades necessárias para este tipo de serviço; - resta, nas nossas regiões, uma certa mentalidade que delega para os encarregados, sem haver interesse pelo tema; - os próprios animadores, por vezes, não revelam equilíbrio na organização do seu serviço. Assim, os Superiores Regionais comprometem-se a: - lembrar a todos a necessidade de colaborar e sustentar a promoção vocacional; - indicar as propostas que existem in loco para formação no acompanhamento vocacional - direcção espiritual; - indicar, seleccionar e preparar os missionários que possam servir de animadores vocacionais; - promover momentos de formação contínua sobre os temas da realidade juvenil, da promoção vocacional, etc.
Curso de formação para animadores IMC da Europa: Ficou decidido prever e organizar, para o ano que vem, um curso para os nossos animadores do continente, com os seguintes conteúdos: Temas: a nossa (IMC) AMV; como elaborar um projecto de AMV; a comunidade de AMV e o seu estilo de vida; conteúdos do acompanhamento vocacional; o mundo do jovem de hoje; metodologia da nossa AMV; Destinatários: os animadores que tenham entrado na Região desde 1997 em diante (poderá propor-se também a participação das Missionárias da Consolata); Data: fim de Maio a início de Junho de 2002 Duração: 15 dias Local: Itália Coordenador: P. Antonio Rovelli Peritos a convidar: os confrades que, em termos de preparação e experiência podem ajudar os animadores, além de peritos externos.
3. Grupo de reflexão permanente sobre a AMV na Europa Trata-se de um pedido explícito do X Capítulo Geral que também foi retomado pelo encontro dos Superiores e encarregados de AMV das Regiões Europeias (em Roma, em Setembro de 2000). Acolhendo o espírito dos Actos Capitulares a respeito da sua composição e funcionamento, faz-se notar que, face à entrada dos encontros continentais na nossa praxe, são suficientes as ocasiões de intercâmbio entre os Superiores e os encarregados regionais do continente: caberá a eles apresentar traçados de percurso e materiais de reflexão, interpretações da realidade, bibliografia…aos confrades, com o objectivo de renovar a nossa AMV na Europa.
4. O Ad gentes na Europa Portugal Há três missionários que integram uma comissão de estudo com o objectivo de se fazer uma fundação na zona periférica-norte de Lisboa (marcada pela pobreza e pela imigração), e que foi indicada pelo próprio Cardeal Patriarca. Presentemente, encontra-se em andamento o discernimento sobre a forma, o grau e o desenvolvimento eventual dessa presença. Pelo fim deste ano será apresentado à Região um relatório sobre esse estudo, por onde depois se possa tomar uma decisão sobre o assunto durante a visita canónica. Itália O Conselho Regional optou pela paróquia de Platì (a que ficam anexas outras duas comunidades - Natila Superiore e Natila Inferior), por acordo com o Bispo, Monsenhor Brigantini, Ordinário de Locri, na Calábria. Prevê-se, para aí, a presença de três missionários. O P. Manco Luigi estabelecer-se-á no local já a partir de 4 de Outubro. Nesta zona, que sofre a dominação da cultura mafiosa e respectivas nefastas consequências, os nossos objectivos consistirão em formar e educar os jovens, ser uma presença de consolação entre o povo, e propor as nossas iniciativas de AMV, visto que naquela região não há praticamente Institutos missionários em funcionamento. Espanha A opção da Conferência Regional foi ao encontro dos imigrantes, tendo já sido confirmada para concretização pela recente visita canónica (Abril de 2001). Está a avançar, sobretudo em Elche, onde se está a tornar cada vez mais sólido o acompanhamento dos imigrantes (especialmente do Magrebe) e a estreita ligação deste serviço com as iniciativas de AMV entre os jovens e as paróquias. Bielorússia No âmbito da reflexão actual sobre o nosso ad gentes na Europa; constatando que há já vários anos as obras IMC sofreram redução em três países; e acolhendo o convite explícito do Bispo de Vitebsk, foi levada em consideração a possibilidade de propor o estudo duma fundação na Bielorússia (onde, além do mais, já presta serviço pastoral o P. Malej Witold). O P. Benedetti apresentou um breve relatório da visita que fez à jovem diocese de Vitebsk com o P. A. Fiorentini no início do passado mês de Julho. Mons. Wladislao Blin convidou-nos explicitamente a trabalhar na sua diocese, numa paróquia da cidade (indicando-nos o nome de Olatsk), e para fazer promoção vocacional IMC. O país é terreno de primeira evangelização, visto que os católicos são uma minoria, ao passo que a maioria, definida como ortodoxa, é uma população que esqueceu ou desconhece o Evangelho. O Bispo convidou-nos várias vezes a propor a vocação missionária aos seus jovens. Os Superiores da Europa, nos modos e tempos mais oportunos, apresentarão aos confrades esta proposta para conhecerem a sua sensibilidade a este respeito. Se essa proposta tiver o consenso das bases, ela poderá ser apresentada na próxima Consulta para que se faça um discernimento mais amplo e mais determinado.
5. Formação de base na Europa Discutiu-se a possibilidade de contemplar um “filosofado ou postulantado” a nível europeu, visto o actual número reduzido de candidatos. Essa proposta também tinha sido ventilada pelos formadores da Europa durante o seu último encontro (Roma, Janeiro de 2001). Ficou esclarecido que o acompanhamento vocacional e o período propedêutico devem ser realizados a nível nacional, não se entrevendo dificuldades especiais referentes a um postulantado europeu. Mas ficam o problema e o sofrimento de se ter um número muito pequeno de jovens em formação no continente.
6. Leigos Todos os Superiores apresentaram a realidade dos Leigos Missionários da Consolata nas respectivas Regiões, bem como as questões e as dificuldades relativas à sua identidade, desenvolvimento e actividades concretas. Será necessário estudar bem o texto-estatuto, que será enviado pelo Secretariado para a Missão, e que é fruto do estudo e da partilha de mais de um ano de trabalho, para poder ser avaliado, tendo presentes as objecções e as expectativas do IMC a seu respeito.
7. Atribuição de missionários não europeus à AMV Analisadas também as previsões vocacionais das três Regiões, está a tornar-se um dado de facto a presença de missionários não europeus a prestar serviço na AMV do nosso continente. Pareceu essencial haver uma boa integração desse pessoal na caminhada das Regiões. Depois de uma troca de informações sobre as experiências feitas ou em curso em cada Região, decidiu-se sublinhar quanto segue: - Nas nossas Regiões da Europa, deseja-se e existe abertura à presença de missionários não europeus para trabalhar na AMV; - É importante que todos os que a isso forem destinados tenham a possibilidade e a vontade de conhecer a fundo as nossas sociedades, culturas e Igrejas; - Principalmente na fase inicial do seu serviço, deverá garantir-se a estes missionários uma boa integração no contexto da Região a que foram destinados e um estudo sério da língua local; - Tal como para qualquer outro serviço missionário, pedir-se-á a esses Missionários a disponibilidade de trabalharem numa Região durante um período de tempo conveniente.
Nessa partilha houve também uma troca de opiniões sobre a necessidade de oferecer a todos os jovens a possibilidade de prestar serviço missionário fora da própria pátria, antes de serem colocados na AMV.
8. Comunicados da Direcção Geral Aproveitou-se este encontro para informar os Superiores e Vice-Superiores Regionais sobre a viagem recente do P. Bellagamba, do P. Cazzolato e da Irmã Alfia ao Camboja e à Mongólia tendo em vista uma nova fundação na Ásia. Sobre os cursos de formação contínua ou de renovação promovidos pela Direcção Geral, foi lembrado aos Superiores que tomem providências para que os confrades interessados (missionários com 10 anos de ordenação sacerdotal, ou de profissão perpétua no caso dos Irmãos; missionários que tenham atingido 25 anos de ordenação ou de profissão perpétua; missionários que tenham mais de 65 anos) possam participar. A Direcção Geral publicou há pouco dois Comunicados: um sobre estudos superiores (licenciaturas e doutoramentos) e um outro sobre a atribuição das despesas referentes a viagens e estudos dos missionários e dos estudantes do IMC. Recomenda-se às Direcções Regionais a programação e a realização de encontros de formação para missionários jovens a trabalhar nas suas Circunscrições. Para além de serem ocasiões de renovação, tornam-se momentos de partilha, de comunicação e de conhecimento mútuo, sendo óptimos meios para manter os confrades em sintonia com o trabalho das Regiões e com todo o IMC. Esses encontros poderão ser uma ajuda e um modo para os missionários se confrontarem enfrentarem, também para aqueles que estão a passar dificuldades especiais, poupando-lhes situações de isolamento e de fechamento. O Superior Geral fez notar com preocupação e com amargura o fenómeno das muitas desistências que se têm verificado nestes últimos tempos no meio dos mais novos, constatando o vazio ou a superficialidade com que tomam a decisão de abandonar a vida missionária e a vida consagrada. Chamou-se a atenção dos Superiores para a marcação da próxima Consulta (Outubro de 2002), tendo-lhes sido feito um convite para dar sugestões sobre os conteúdos da mesma. Pelo que diz respeito às próximas eleições das novas Direcções Regionais, prevê-se começar com a votação no mês de Maio de 2002 nas Circunscrições em que se costuma votar pelo correio e por zonas, encerrando-as, possivelmente, durante o mês de Junho de 2002 - ocasião em que o Conselho Geral estará em sessão.
P. Benedetti Jean André |
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