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PADRE GABBINI GIUSEPPE CARLO 1915-2001 PDF Imprimir E-mail
Por Angelo Grioni   
12 de March de 2006

Nasceu em Paullo Milanese a 4.8.1915, de Leone e Sangalli Adele. Era já um empresário de calçado bem estabelecido quando deixou tudo aos 31 anos, em 1946, e entrou no Instituto no grupo das vocações adultas. Fez a profissão em 1950 e foi ordenado sacerdote em 1954.  Foi enviado para Fátima, Portugal, onde ensinou geografia durante um ano no Seminário (1954-1955) enquanto se dedicava á aprendizagem da língua. Mas esta área não era nada a sua. Assim, foi-lhe atribuída outra função: a do acolhimento dos peregrinos e dos hóspedes, na Casa da Consolata, na venda de artigos religiosos e nos contactos com as pessoas que ele encontrou a realização do seu ideal sacerdotal.

Começou com bem pouco, mas desenvolveu aquela actividade até se tornar um dos melhores comerciantes de Fátima. Foi durante estes anos que construiu o prestigiado Hotel Pax e a grande loja de artigos religiosos que lhe está anexa. O Padre Gabbini trabalhou com empenho na concretização destas duas obras que têm como objectivo o sustento do pessoal em formação e dos Missionários em terra de missão. Como sacerdote, desenvolveu actividade pastoral em Fátima e nos arredores, sendo capelão da Melroeira (Ourém) durante vários anos. Mas um dia, espalhou-se com a mota pela estrada quando lá ia para celebrar a missa. Era Domingo: voltou a casa, ferido, num carro de bois.

Tinha uma grande devoção a Nossa Senhora de Fátima. De manhã, sempre muito cedo, ia à capelinha das aparições celebrar missa e ficava em oração.

Tinha um temperamento muito expansivo, estabelecendo relacionamentos e conseguindo organizar uma larga rede de amigos que ainda hoje falam dele com admiração.

Em 1970 voltou para a Itália, onde dirigiu, por um ano, as obras de construção de Boario Terme. Depois, até 1990, trabalhou na secção patrimonial do Instituto em Turim. Em 1990, foi nomeado director da clínica Koelliker, que reestruturou e alargou, conseguindo elevá-la ao nível de hospital de renome a nível regional e até nacional. Ao cumprir esta função, difundia a ideia missionária entre as pessoas que o frequentavam. Em 1998 deixou o cargo e retirou-se para a Casa de Alpignano.

Na manhã de 5 de Junho, foi constatada a sua morte: aconteceu durante o sono, por paragem cardíaca. No dia 6 de Junho, foi celebrada a missa de exéquias. Presidiu o P. Silvano Cacciari, assistido pelo Padre Geral e pelo Superior Regional.

À homilia, o P. Cacciari recordou a sua vocação já homem maduro, o seu empenho organizacional, o seu espírito religioso e o sentido de família que sempre marcaram as suas actividades. Também participaram nas exéquias o Conselho Geral, numerosos confrades e Irmãs da Consolata vindos de Turim, Rivoli e Fátima. Estavam presentes muitos parentes, amigos, bem como o pessoal da Clínica Koelliker.

O corpo foi sepultado no cemitério de Alpignano.

P. Giuseppe Villa

TESTEMUNHO

Um amigo por toda a vida

Eu tinha tecido a amizade com Carletto Gabbini nos últimos anos da segunda guerra; havia poucos anos de diferença nas nossa idades. Passámos e vivemos juntos as experiências da Acção Católica em San Vincenzo, actividades políticas e sociais, iniciativas de solidariedade e assistência aos necessitados, além da experiência na arte dramática: ele era até o melhor actor em toda a companhia, um íman e um entusiasta que era capaz de levar a todo o lado uma palavra que pudesse tocar o coração humano. Também era personagem na sua vida empresarial.

De súbito, aos 31 anos, deixou a terra natal, Paullo e - ainda o recordo bem - aquele seu desaparecimento causou grande sensação entre os habitantes da terra, sobretudo quando se descobriu que escolhera fazer-se missionário.

Nós seguimos por caminhos diferentes, mas eu fiquei sempre em contacto e em relação com ele: recordo-me de quando começou os estudos na Certosa di Pesio, aonde fui visitá-lo. Foi ordenado sacerdote em Julho de 1954; fez a sua missão em Fátima; ficou encarregado do hospital Koelliker; e fez muito pelos doentes e pelas pessoas que sofriam - tudo isso eu recordo. Recordo ainda que mantinha a ideia de ir para as missões, mas, tendo contraído uma forma grave de malária em Moçambique, isso convenceu-o a ficar com os doentes porque - dizia-me - «agora os meus amigos são estes»

Fui visitá-lo em Alpignano e, muito sereno, disse-me que estava contente com tudo aquilo que conseguiu fazer pelos doentes e pelos Missionários no seu pequeno hospital, de que me falava muitas vezes.

Os nossos encontros eram breves, mas bastava aquele telefonema por ocasião das festas anuais e, especialmente, a de São Carlos, para reavivar a nossa amizade e o conhecimento dos Missionários da Consolata.

Angelo Grioni

Fundador

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