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P. CHIUCH EMILIO 1922-2001 PDF Imprimir E-mail
Por P. Franco Sordella   
12 de March de 2006

Nasceu em S. Leonardo (UD) em 1922, de Giuseppe e Chiuch Cecilia Giacomina. Em 1934 entrou para o Instituto; em 1944, fez a sua profissão religiosa; e em 1948, foi ordenado sacerdote. Foi logo destinado à Tanzânia, onde concretizou o seu ideal missionário durante 52 anos de missão.

Energia, tenacidade, trabalho, ordem, perfeccionismo…foram as características do seu empenho missionário. Para ele não havia dificuldades. Só existia a missão. E o P. Emilio serviu em muitas missões, por vezes em situações difíceis: Tosamaganga, Ilula, Ujewa, Ulete, Chosi, Sadani, Kisinga, Kipengere, Matembwe, Igwachanya, Kifumbe, Casa Regional de Iringa, Pawaga, Nyabula. Em especial, trabalhou como autêntico pioneiro ao fundar as missões de Ulete (1956-1959), Chosi (1960-1964) e Kifumbe (1968-1979).

Em 1949, mal tinha chegado à Tanzânia, foi chamado para exercer a função de secretário de Mons. Attilio Beltramino, Bispo de Iringa. Ao escrever ao P. Gaudenzio Barlassina, superior geral, dizia: «…o que não esperava mesmo era o encargo de secretário, ou quase de Sua Excelência. Não obstante, na certeza de nem por isso ser menos missionário que os outros, vou esforçar-me sempre por cumpri-lo o melhor possível. Os caminhos de Deus são muitos e sempre se faz bem quando se está disposto a fazer a vontade de Deus.

Não posso esconder que nestes primeiros anos tenho alguma dificuldade em ficar horas a fio no escritório, mas o meu pequeno sacrifício fica compensado mil vezes quando, na catedral, assisto comovido pela fé destes queridos negros e quando, todas as noites, ao dar a Jesus Eucarístico o meu último adeus, me sinto cheio de alegria».

Mas foi no trabalho árduo da fundação, mesmo material, da missão, que o P.Emilio se sentiu mesmo missionário e deu o melhor de si. Vê-se isso numa carta que escreveu em 23.9.1956 ao P. Domenico Fiorina, superior geral, já de Ulete, aonde tinha ido para arrancar com a nova missão. «O dia 25 de Maio foi destinado a este lugar de Ulete, para abrir a primeira casa (filial da casa mãe) dos “Servos do Coração Imaculado de Maria” no lugar exacto que um dia serviu de Bacon Factory; construir um hospital provisório; e tomar conta do cultivo e plantação de 800 acres de terreno, etc.

À parte os primeiros dias, que foram um tanto difíceis, agora já nos podemos considerar bastante bem instalados. Em breve ficará concluída a instalação da água. Daqui a dias começaremos a colocar os alicerces da St. Joseph’s House para os watawa (irmãos). O hospital já está bem encaminhado. O forno, para cerca de 60 mil tijolos, ficará pronto dentro desta semana, etc. Em 30 de Junho deixei Ulete para ir desmontar e depois voltar a montar in loco a casa pré-fabricada para Ukiga. No dia 23 de Julho, já retomei as actividades em Ulete. No dia 12 de Agosto, o Bispo deu-me mais um cargo bastante exigente: o serviço de toda a cristandade em torno de Makadupa-Kibena…Todos os Domingos, logo depois de celebrar missa e pregar a meditação aos irmãos, dou um salto de moto a Makadupa (20 milhas) ou a Kibena (6 milhas e meia) para levar àquela fervorosa comunidade a consolação da missa e palavras de encorajamento. Todas as vezes faço 3 horas de confissões. Depois da missa, vêm os baptizados, perguntas, etc. Quando tudo corre bem, só por volta da uma da tarde consigo quebrar o jejum eucarístico. Como vê, meu Padre, nunca me falta trabalho…a pontos de cada vez estar a ficar mais magro. E no entanto, agora estou satisfeito e sinto-me bem».

O tempo foi passando, e o Padre Emilio continuou a trabalhar, de braços e de coração, pela sua missão. Em 1973 celebrou os 25 anos de sacerdócio; passara 24 deles na Tanzânia. Em resposta às saudações do P. Guido Motter, vice-superior geral, escrevia: «Depois de ter passado 24 anos na África, ainda me sinto, e cada vez mais, feliz com a minha primeira consagração a Deus e ao próximo, com pena de não poder fazer mais e melhor. Que as suas orações consigam obter-me essa graça».

Em 1982 foi-lhe permitido visitar o seu irmão no Canadá e, em 1985, os seus parentes na Austrália. Em ambos os casos escreveu a manifestar a sua gratidão ao superior geral. Nos períodos de férias-visitas, ia sempre dando notícias suas. Principalmente ia relatando o seu cansaço relativo ao longo período que pedira e o seu desejo de voltar à Tanzânia o mais depressa possível. O mesmo aconteceu durante a sua longa estadia que decorreu entre Abril de 1998 e Março de 1999. A 3 de Março já escrevia: «Ontem fiz o último exame de colonoscopia. Passei. Foi-me concedido voltar para a África». Passou, sim, mas não com nota máxima. Voltar para a África…não porque estivesse curado mas porque foi ele a querer. Alguns até pensaram que foi uma imprudência.

De facto, em Março de 2000, deu-se um inchaço súbito das glândulas da garganta e os médicos aconselharam um regresso imediato à Itália. Mas o seu pensamento e o seu coração continuavam em Nyabula, a sua última missão - e é isso que apregoa a todos. Não parecia estar consciente da sua verdadeira situação médica, que foi piorando continuamente…e ele a continuar a querer voltar à África.

Uma vez chegado à Itália, foi operado no Cottolengo. No dia 1 de Junho de 2001 chegou à comunidade de Alpignano, indo parar à enfermaria. Foi assistido com amor pela sua irmã, voltando para o Pai no dia 27 de Junho às 17 horas e 15 minutos.

As exéquias foram celebradas em Alpignano e na terra natal. Presidiram às respectivas cerimónias o Padre Zabotti e o Padre Antonio Accoto. O corpo, por vontade do pároco, repousa agora no cemitério de S. Leonardo.

Faleceu um missionário que sofreu muito, e não só do ponto de vista físico. Já desde o 4.º ano de liceu que o acompanhava uma enxaqueca contínua que certamente veio a influenciar a sua personalidade e as suas atitudes. Faleceu um missionário de grande energia e com vontade de ferro; um missionário consciente de que, sem comunhão com Deus, é impossível ser fecundo no apostolado. Por isso é que ele era intransigente quanto ao tempo a demorar-se na oração, bem como quanto ao tempo necessário para o seu reforço espiritual. Também era grande a sua sensibilidade para com os pobres, que ajudava de muitas maneiras, mas sempre com discrição caridosa.

No seu testamento deixou-nos escrito: «Sempre agradeço, e para sempre agradecerei, a Deus e à Consolata o dom inefável da existência, os numerosos dons naturais e sobrenaturais com que enriqueceu a minha vida, principalmente a inestimável vocação ao sacerdócio e à vida missionária. 

Agradeço aos confrades por terem suportado a rudez do meu carácter. Estou confiante de que não me deixarão partir deste mundo sem me terem perdoado todas as faltas que contra eles cometi. Apesar das aparências, posso afirmar que sempre lhes quis bem. Não mantive rancores e confio nas suas orações de sufrágio». Tudo o que possuía deixou-o aos seus pobres de Nyabula e ao Instituto, para ajudar os seminários de Morogoro e de Mafinga.

P. Giuseppe Villa

P. Giuseppe Inverardi

e Redacção de “Da Casa Madre”

TESTEMUNHO

Homem trabalhador

Nervoso e impulsivo, generoso e de boas maneiras, sincero e honesto, trabalhador e fervoroso…são todas definições e adjectivos que bem se aplicam ao Padre Emilio, quando visto e conhecido em momentos diversos. Vivi com ele mais de 4 anos numa missão tão difícil como o é Pawaga. O calor importunava-o e dava-lhe tremendas dores de cabeça. Os tambores nocturnos incendiavam-no a pontos de montar lamúrias pitorescas; apesar de tudo, tinha atitudes maravilhosas de alegria e ternura, sobretudo para com os doentes.

Passei com ele momentos difíceis de convivência; mas também momentos de maravilhosa amizade, que venceu os tempos. Aprendi muito dele: vi-o com fé na oração; generoso nas situações de necessidade; afectuoso nas horas difíceis; esquivo perante um louvor.

Devo reconhecer que uma das suas características era a laboriosidade e a qualidade de saber desenrascar-se em qualquer situação, embora não tivesse à mão as alfaias e os materiais necessários. A partir das suas narrativas, nas longas noites de Pawaga, vim a conhecer a sua história de fundador de missões e pioneiro em dias difíceis.

O último período, já na Itália, foi para ele um verdadeiro Calvário, mas ele viveu-o sempre com o coração voltado para a África, a pontos de as suas últimas cartas estarem cheias da espera saudosa por um (impossível) regresso à missão.

Posso agradecer-lhe por verdadeiramente me ter querido bem, por ter partilhado comigo muitas dificuldades, por me ter tornado participante das suas amizades e por me ter dado um exemplo verdadeiro de simplicidade, de verdadeira pobreza religiosa, na frugalidade e na satisfação com tudo: obrigado, Padre Emilio!

P. Franco Sordella

Fundador

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