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PADRE SOLDATI GABRIELE 1927-2001 PDF Imprimir E-mail
Por Consolata.org   
12 de Março de 2006

Era filho de Luigi e Lucchini Luigia e nasceu em Corno Giovine no ano de 1927. Era o terceiro de quatro irmãos, que foram todos chamados à vida religiosa: Franco, Missionário da Consolata; Pietro, jesuíta; e a Irmã Luisa Piera, Missionária da Consolata. Entrou para o Instituto em 1940. Em 1948 consagrou-se a Deus com a profissão religiosa e em 1952 foi ordenado sacerdote. Trabalhou na Itália, nas casas de Montevecchia e Bevera, como assistente e como professor, até 1958. Depois, partiu para a Tanzânia, onde tomou o gosto pela missão em Kisinga e em Iringa, exercendo as funções de professor e coadjutor do pároco. Mas depois, passados dois anos, foi chamado de volta à Itália e enviado para a Casa de Rivoli como encarregado da imprensa e redactor da revista “Missioni Consolata”.

Entre 1962 e 1964 frequentou a “Escola de Jornalismo e Meios Audiovisuais” de Bergamo e, em 1967, conseguiu formar-se em jornalismo com uma tese intitulada “O socialismo africano na Présence Africaine”.

Em 1969 foi eleito conselheiro geral e geriu o secretariado geral da animação missionária. Com o fim do seu mandato, em 1975, trabalhou nos mass media durante um ano na casa Geral de Roma e, em 1976, foi nomeado director da revista Missioni Consolata e do Boletim Da Casa Madre - cargo que desempenhou até 1983. Transferiu-se depois para Roma onde, entre 1984 e 1990, exerceu a função de director do secretariado audiovisual do Instituto.

Deu-lhe então uma trombose que o deixa semi-paralisado e quase mudo. Com anos e anos de exercícios que cumpria com teimosa tenacidade, veio a recuperar a capacidade de locomoção e da fala. Em 1999 retirou-se para a Casa de Alpignano de onde partiu para a casa do Pai em 8 de Julho de 2001.

A s exéquias foram presididas pelo Padre Geral. Participaram: o Padre Gottardo Pasqualetti, superior regional; Mons. Franco Peradotto, reitor do Santuário da Consolata e numerosos missionários e missionárias da Consolata, entre as quais três irmãs primas do defunto em primeiro grau. Também esteve presente o seu primo, Dom Vittorio Soldati, numerosos parentes, paroquianos e conhecidos, entre os quais Dom Achille Lumetti. O corpo foi sepultado no cemitério de Alpignano.

As palavras que foram pronunciadas sobre a sua urna recordaram-no como o «missionário de cabeça e coração», sempre alegre e sereno naquela dolorosa doença; um técnico da comunicação audiovisual, que deixa um vazio ainda à espera de sucessor; um homem incansável no trabalho que literalmente cumpriu de dia e de noite; pessoa que nunca dizia não a ninguém e encontrava tempo e energia para tudo. Era um homem que trazia a missão no coração.

P. Giuseppe Villa

TESTEMUNHOS

De dia e de noite, mesmo na “500”

O pai Luigi Soldati morreu de tísica em 1932; nem sequer houve tempo para chorar. A mãe Luigina pegou logo na Singer do marido alfaiate e começou a fazer roupas para alimentar os filhos: Franco de 11 anos; Pietro de 9, Gabriel de 5 e Luisa Piera de 2, todos nascidos em Corno Giovine (MI). Este quarteto nem sequer chegou a gozar das alegrias da mãe, que morreu de dificuldades em 1944. Luigina, antes de morrer, confiou os filhos sobretudo ao bom Deus, até porque todos tinham decidido ser missionários: Pietro, jesuíta; Franco e Gabriel, missionários da Consolata; e Luisa Piera também

Hoje, desses quatro “Soldati”, apenas o Padre Franco ainda se encontra na frente de batalha, no Quénia,, enquanto que o Padre Pietro e a irmã Luisa Piera já foram ter com os pais Luigi e Luigina no além. A 8 de Julho, em Alpignano, também se apagou o Padre Gabriel, com 74 anos, bem conhecido dos leitores da Missioni Consolata.

Depois de dois anos de missão na Tanzânia, o Padre Gabriel veio para a Itália para exercer várias funções. Foi conselheiro geral do Instituto, escritor, jornalista, conferencista, cineasta no sul do mundo, encenador, técnico de montagem e realizador de documentários - actividades que desenvolveu sempre com tenacidade, profissionalismo e paixão. Por exemplo, o vídeo “O milagre das muletas” (sobre as crianças deficientes de Tuuru, no Quénia), comoveu e ainda comove quantos o vêem. Se pensarmos que o Padre Gabriel era um autodidata…

Em Turim, entre 1980 e 1983, ele também foi meu director na redacção da revista “Missioni Consolata”. No escritório, até às 23 horas, era aí que nos dávamos as boas noites. Na manhã seguinte, era na escadaria que nos encontrávamos, logo pelas 6 horas: eu, já descansado; mas eu descia, e ele subia…para ir dormir algumas horas, depois de ter passado a noite à máquina de escrever.

Sob a sua direcção, a “Missioni Consolata” desenvolveu-se em novidade, coloração e volume (tinha 64 páginas, que depois subiram para 72) e, principalmente, em qualidade: de boletim, esta publicação mensal tornou-se “a revista missionária da família” respirando a nível do mundo. Foi do padre Soldati a ideia dos “números especiais monográficos” sobre as grandes religiões, a China, Tudo-África, Ventos do século do Evangelho, etc. - edições que entraram nas escolas secundárias e superiores como instrumentos de educação para a mundialidade.

Todos os fins de mês, Sexta-feira à noite, o Gabriel saía na “Cinquecento” para Roma, fizesse sol ou trovejasse. Fazia a viagem por estradas secundárias porque aquele Fiat, que ia sobrecarregada de pacotes e pacotinhos, e já com cerca de 150 mil quilómetros, já não dava para velocidades.

Com muita sorte (nunca segura), já estaria na capital pela madrugada de Sábado para redigir também o “Da Casa Madre”, órgão interno de informação missionária dos Missionários da Consolata (de 32 páginas). Também trabalhava ao Domingo, para poder voltar ao volante do “Cinquecento” pela noitinha. Segunda-feira de manhã, já em Turim, podia eu ouvi-lo: «Que temos para fazer hoje?»

Em 1991, o Padre Soldati teve uma trombose cerebral. Voltou a ser criança. Graças à sua força de vontade e apoio de alguns amigos, voltou a ser “homem”, tendo aprendido de novo a escrever, por assim dizer. Nos últimos 10 anos, muitos lhe ouviram dizer: «Dou graças a Deus e à Consolata pela trombose, porque me deu a possibilidade de rezar. Mas só rezar é cansativo. E agora sou eu que rezo um terço por ti…». Obrigado, Padre Gabriel!

P. Francesco Bernardi

Missioni Consolata, Out-Nov de 2001

Carta do Padre Giuseppe Inverardi ao Padre Franco Soldati

Meu caro Padre Franco,

Por certo que não precisas dos meus pêsames pela morte do Padre Gabriel. Na maturidade que temos da vida e da fé, a morte é só a nossa Páscoa. A vida, com a morte, transforma-se em vida eterna. Mas seria para mim muito difícil não te fazer chegar a minha lembrança de comunhão, porque eu tenho do Padre Gabriel uma profunda, querida e grata lembrança. Foi uma pessoa incansável no trabalho, que realizou, literalmente, dia e noite, principalmente quando era director da Missioni Consolata. Nunca dizia não a ninguém nem a nada. Sempre arranjava tempo e energia para tudo. Uma pessoa criativa, serena, de boa companhia, compreensivo, e uma pessoa de oração. Andava com a missão no coração. Sempre ficou tanzaniano, porque falava sempre de Kisinga com saudade - ela também era o seu sonho. Lá voltaria, se pudesse, mesmo a pé. E Kisinga era Kisinga! Ainda hoje é um grande desafio!

Outros haverá que dirão milhares de coisas sobre ele, porque sempre foi muito estimado, dentro e fora do Instituto. Quanto a mim, basta-me uma “lembrança de comunhão” contigo, em seu nome. Sinto deveras que devo dar graças a Deus pela sua vida, pelo seu exemplo e por toda aquela imensa actividade que realizou no campo dos mass media e não só.

Uma saudação muito especial, com um abraço no Senhor Jesus. Adeus.

P. Giuseppe Inverardi

Pessoa profundamente humana

Eu ainda andava de calções quando o Padre Gabriel Soldati entrou a fazer parte da minha vida. Estava eu em Montevecchia e frequentava o segundo ano da escola “média” quando ele começou o seu apostolado como assistente lá no Seminário. Logo me apareceu como uma figura dinâmica e cheia de recursos, mesmo na sua doçura de educador. Na região da Brianza, o seu zelo missionário logo se deu a conhecer e se fez admirar. Ainda hoje, eu próprio, que sou de Bevera, encontro muitas pessoas idosas que me perguntam por ele e me contam pormenores da sua vida.

Reencontrei-o no princípio dos anos ’70, quando era conselheiro geral, encarregado da AMV do Instituto e fez intervenções a nível nacional como ponto de referência na Federação do movimento “Mani Tese”. Eu era nessa altura o animador regional daquela associação. Eram anos ferozes e difíceis, aqueles, tal como para mim era difícil “estar ao lado “ das directivas dos institutos missionários e com os jovens contestadores das formas mais tradicionais de ajuda aos pobres do terceiro mundo. O seu estilo pacato, por outro lado, salvou-me das iras de um ou outro leigo zelador da causa e não só. Pude apreciá-lo em toda a sua humanidade.

Depois chegou o meu momento: o de ir para a missão - e os nossos caminhos bifurcaram-se. No início dos anos ’80, voltei a Turim para assumir a direcção do CAM. As revistas “Missioni Consolata” e “Amico”, faziam parte desse Centro. A colaboração encontrou caminhos simples e concretos por razões mútuas de estima e de afecto. O Padre Soldati era, nessa altura, director da “Missioni Consolata”. Mas isso não lhe bastava: a sua paixão pelos mass media impulsionavam-no no trabalho difícil de produzir novos documentários e novas cassetes de vídeo. Estar próximo deste grande colaborador e devorador de quilómetros pela Itália acima e abaixo, fizeram crescer em mim o afecto pelo Padre e amigo Soldati.

E depois veio o momento da primeira provação, quando a trombose começou a marcar a sua vida. Voltámos a ver-nos na Clínica Sanatrix onde a Ir. Giovanna, minha irmã, trabalhava e tinha ganho grande simpatia por ele. Nasceu um vínculo entre os três que nos fazia bem, tal como aos outros. Entre eles dois havia um intercâmbio contínuo de delicadezas. Quando a Ir. Giovanna foi para o céu antes dele, o Padre Soldati falou-me dela com grande ternura e comoção, até às lágrimas. A sua obra está entre as coisas mais queridas que eu conservo preciosamente.

Durante a sua longa doença, ainda em Turim, encontrámo-nos muitas vezes: na doença conservara o sorriso, o olhar jovial de homem bom, honesto até ao miolo, de pessoa cheia de fé. Quantas vezes ele me prometeu “um terço” em prol das actividades ou iniciativas que eu empreendia! Ficou mesmo muito feliz quando soube que tinha sido escolhido para preparar a grande exposição missionária para o Jubileu 2000. Alegrar-se com outrem, fazer o bem, e sentir compaixão…parece-me ser esta a síntese deste missionário que, por onde passou, soube levar a boa notícia de Deus que salva.

Obrigado, Gabriel. Repousa em paz e diverte-te também aí no Paraíso!

P. Giordano Rigamonti

ANTOLOGIA

Em 1976, o Padre Gabriel Soldati passou a director da revista “Missioni Consolata”. Ele estava habituado a não guardar o que escrevia; mas desde aquele ano, os editoriais com que abria a revista de cada mês, tal como os numerosos artigos que escreveu, permitem-nos agora entrever a personalidade humana e espiritual do Padre Gabriel.

Missioni Consolata, Fevereiro de 1977: «Terceiro mundo’: uma expressão que vamos banir da nossa revista, precisamente porque, quer queiramos quer não, está a degenerar numa marca de discriminação e humilhação. Esta expressão não conta nem com o apreço da nossa gente, jovens ou adultos, nem com o dos outros povos. Essa expressão choca-se contra a nossa fé de cristãos. Se olharmos para o mundo na perspectiva de Deus, descobrimos que o mundo é só um: uma grande família humana, onde todos são filhos do mesmo Pai, remidos, a título igual, pelo sangue de Cristo e co-herdeiros por força do mesmo amor salvífico duma grande promessa. Se estas coisas são verdadeiras para nós, cristãos,, então não há nem “primeiros” nem “terceiros”. E se alguma precedência existe, essa vai para os que sofrem, para quem não tem nada, para quem é o mais pequenino de todos».

Missioni Consolata, Abril de 1977: Ao comentar o massacre de sete missionários na Rodésia, o Padre Gabriel escrevia: «Estes sete causavam problemas e, por isso, foram eliminados…Numa época como a nossa, em que todos se incendeiam como fósforos quando se fala de justiça e igualdade; em que se conversa à vontade, intelectuais e lactentes, sobre libertação e promoção, a palavra mais honesta que poderemos pronunciar só será uma: desilusão.

Mas o mundo é feito desta maneira: de um lado, criam-se teorias, do outro, morre-se. Os acrobatas da dialéctica continuarão a gastar palavras; e aqueles rapagões missionários, a vida. É uma questão de opções. Há quem luta pela justiça sujando paredes com tinta; há quem orquestre manifestações nas praças; há quem dispare tiros de metralha; há quem, polindo comunicados, condene os excessos da direita ou da esquerda.

Também os missionários fazem as suas opções: dar testemunho do Evangelho com a vida. Bem-aventurados os pobres; bem-aventurados os que têm fome; bem-aventurados os que promovem a paz; bem-aventurados os que são perseguidos por amor da justiça…E partem para ir viver num hospital, numa leprosaria, numa escola, ou para gastar os seus dias nas partes mais desesperadas do mundo.

…Nós, os vivos, somos impelidos pela ‘mania’ de saber quem foi; eles, os mortos, se pudessem falar, diriam simplesmente: fomos vítimas do ódio. E quando é o ódio que mata, é a inocência que está a morrer. Face a estas vítimas inocentes, o coração alarga-se-nos: nem tudo está perdido na Rodésia. Porque a inocência não grita pela vingança. A inocência grita pelo amor».

Missioni Consolata, Maio de 1977: «…Pregar o Evangelho torna-se cada vez mais perigoso, sobretudo quando dele se dá testemunho com a vida, servindo os pobres, os esfomeados, os marginalizados, os deficientes, os leprosos. Trabalhar e calar-se e, obrigado, se os grandes e os poderosos nos tolerarem ou deixarem viver.

Acusados de “imperialistas” pelos regimes comunistas, ou de “comunistas” pelas ditaduras militares, os missionários de hoje trabalham e sacrificam-se “com a respiração em suspenso” , ou seja, na contínua apreensão de serem julgados, processados, expulsos ou condenados, simplesmente porque o seu testemunho anuncia a paz e o amor pelos irmãos.

Também em nossa casa o vento está a soprar nesta direcção. Sob a bandeira da emancipação, do laicismo e do secularismo, a rejeição do Evangelho vai de mão em mão com a intolerância religiosa, a discórdia sistemática, as campanhas de difamação… Onde está a Igreja de Cristo? - perguntam os pusilânimes. A Igreja de Cristo ainda existe. Mas não a procuremos nos consensos das praças, dos cortejos, dos autocolantes, ou das tribunas políticas. Procuremo-la onde está a perseguição, onde se sofre e se morre pelo Evangelho. Descobriremos uma Igreja grande e viva como nunca».

Missioni Consolata, Setembro de 1977: «Preocupações? Sofrimentos? Doenças? Desgraças? Mortos? Sim, são factos demasiado comuns e inevitáveis da vida. Mas, tal como o dinheiro, o bem-estar, as honras e os prazeres, não chegam para nos fazer felizes, assim também, se quisermos, as adversidades, as canseiras, as provações e as desgraças não poderão tornar-nos infelizes. Podemos estar a rir e sentir o inferno por dentro; e podemos estar a chorar e sentir a paz lá dentro.

É um discurso, este, que se aproxima do absurdo (e apesar de tudo, tão verdadeiro), que nós não ousaríamos sequer fazer se o Evangelho o não confirmasse. Mas a Palavra de Deus não pode enganar-nos. Ela ensina-nos que é d’Ele que vimos e é para Ele que voltaremos. Ele é o nosso Princípio e o nosso Fim. Por muito que nos agitemos, não encontraremos nem paz nem alegria sem Ele.

E então? Se a nossa vida é um curto circuito que parte de Deus e a Ele volta, que interessa interromper a corrente? Ou seja: viver como se não fosse verdade que o precário fio da nossa vida parte d’Ele e a Ele volta? Para quê deixar passar os dias, os meses e os anos (quando não toda a vida) sem um pensamento, uma atenção, um sentimento de afecto por Ele? É aqui que está a nossa verdadeira infelicidade, ou seja, o aborrecimento, o desgosto, o desespero da nossa vida.

“Porventura Deus não está aqui também? - escrevia um missionário à sua velha mãe lá do centro da África - quando Ele existe connosco, a vida é sempre maravilhosa. Ao trabalhar para Ele, a gente nunca se cansa. E quando estamos cansados, basta contemplar uma flor e pensar n’Ele: isso vale mais que umas férias compridas”».

Missioni Consolata, Maio de 1979: «…Ouve-se dizer por aí, muitas vezes, que o sacerdócio será cada vez menos proponível, enquanto se continuar a insistir no celibato e no compromisso vitalício; ou que a vida religiosa, com os seus três votos de pobreza, castidade e obediência, acabará por não conseguir ser compreendida nem aceite pelos jovens de amanhã, se não for libertada do absolutismo e do radicalismo que a marca. Será mesmo verdade? Nós somos do parecer diametralmente oposto. Admiramos demasiado os jovens, que vemos sempre cada vez mais cansados e enjoados com as nossas incertezas, com as nossas perplexidades e com os nossos temores.

…”O Redentor do homem, Jesus Cristo, é o centro do cosmo e da história…” Estas palavras que abrem a encíclica (Redemptor Hominis) são o teorema da salvação do mundo e do homem, que o Papa propõe não só aos cristãos como a todos os homens. São palavras de causar vertigens, mas suficientes, ao menos para nós que nelas cremos, para resolver pela raiz todos os nossos problemas, até mesmo os vocacionais. Proclamemo-las também nós, com o mesmo vigor e com a mesma firmeza do papa. Falemos um pouco de Jesus aos jovens. Porque sem Jesus o Evangelho e o seu radicalismo serão sempre problemáticos e até absurdos».

Missioni Consolata, Junho de 1980: «Alegres, mais que todos, pela visita longa e laboriosa, mas abençoada, aventura africana do Papa - que ficará escrita em letras indeléveis na história da evangelização - ficaram os missionários. Ao contemplarem as multidões que saudavam o papa, que o acolhiam como se fosse o próprio Jesus, aclamando, ajoelhando-se, rezando, não por força dum cerimonial pré-determinado, mas simplesmente subjugadas pela fé, tiveram a impressão de estar a sonhar. E no entanto, era verdadeiro tudo o que estavam a ver. A África cristã estava ali, perante os seus olhos, viva, exuberante e delirante. Foi essa uma alegria íntima, saboreada e fruída gota a gota na intimidade do seu espírito, a tu por tu com Deus, sem dar nas vistas do jornalista, do foto-repórter, das câmaras de televisão. Eles saboreavam a felicidade de não terem trabalhado em vão.

Há cem anos, a África ainda era desconhecida, na sua maior parte. Através dos caminhos marítimos, atracavam nos seus portos os primeiros missionários. De cristão, no continente negro, não havia nada ou quase nada: nem missões, nem igrejas, nem cristãos, nem catecúmenos. Grande parte desses pioneiros, que eram homens e mulheres vindos da Europa, impelidos apenas por um grande amor por Cristo e pela África, morriam da doença do sono, de febre amarela e de malária. Mas logo vinham outros substituí-los.

…A viagem do papa à África foi preparado com cem anos de doação e sacrifícios, aliás testemunhados e sofridos por dezenas de milhares de missionários: batedores dos caminhos do Evangelho, da Igreja e do Papa».

Missioni Consolata, Março de 1983: «…Deus é acima de tudo amor e, visto que o amor tende a unir-se com a pessoa amada, aí está a Eucaristia! “Eu atrairei tudo a mim”: são palavras de Jesus que resumem toda a Eucaristia, entendida como ponto de fusão de Deus com o homem e do homem com Deus; palavras que Jesus pronunciou antes de subir à Cruz, para proclamar a mais estrondosa de todas as certezas: a de que o mundo, o mundo todo, - o homem, os povos, a terra, os astros, as galáxias, o cosmo - serão inexoravelmente absorvidos pelo vórtice salvífico do amor de Deus. Deus ama-nos. Eis a boa notícia do cristianismo; eis porque Jesus disse para a levarmos a todo o mundo; eis a razão por que os missionários existem! A Eucaristia - que é a presença de Cristo, sacrifício de Cristo, mastigação de Cristo - é o centro deste vórtice de amor que engole e salva o mundo».

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