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PADRE BAGGIO GUIDO 1911-2001 PDF Imprimir E-mail
Por A Redacção do Da Casa Madre   
12 de March de 2006

Filho de Angelo e Cerantola Angela, nasceu em Rosà di Vicenza em 1911. Entrou para o Instituto em 1928. Fez a profissão religiosa em 1931 e foi ordenado sacerdote em 1937. Nesse mesmo ano partiu para o Meru (Quénia) onde exerceu o apostolado até 1995. Nos anos 1940-1944, foi prisioneiro na África do Sul. Foram muitas as missões que o tiveram como coadjutor do pároco e, depois, como pároco: Kyeni, Rombia, Tigania, Gatonga, Materi, Gatunga, Tuthu, Kiangunyi, Mwea e Gaturi.

A 15 de janeiro de 1947, escrevia ao padre Gaudenzio Barlassina, superior geral. E era a primeira vez que o fazia, depois de ter voltado do cativeiro na África do Sul.: «É com infinito reconhecimento para com Deus que ainda me encontro em missão, envolvido no exercício da minha função de missionário: graças a Ele pela nossa volta à missão; graças a Ele pela óptima saúde de corpo de que até agora temos gozado, tão boa, afinal, que às vezes até consigo caminhar 70 milhas num só dia, de visita a uma das out-schools mais longínquas».

O padre Baggio encontrava-se então na missão de Kyeni e faz narrativa do seu trabalho. Antes de mais, o começo duma escola para modelar e cozer o barro, que atraiu a admiração e o apoio financeiro do District Commissioner. «Tudo isto para maior glória de Deus e para o bom nome das nossas missões católicas da Consolata». Juntamente com o Padre Rosano, ele deu início também a uma carpintaria que atraía muitos jovens desejosos de aprender o ofício.

A escola da missão ainda era feita de lama: os rapazes passaram de 80 a 250: assim, havia uma grande necessidade de obras educativas: «Assim foi que nos decidimos a fabricar tijolos: com 60.000 tijolos projectamos construir duas lindas alas escolares: uma masculina e outra feminina…»

O Padre Baggio ainda falava das 15 escolas-capelas da missão, dos mais de 200 catecúmenos espalhados por todo o território e das numerosas conversões que acontecem por ano. Trata-se dum enorme trabalho que avança em todas as frentes, empenhando este missionário dia e noite. Apesar disso, ainda encontrava tempo para cultivar os seus grandes hobbies: o canto e a pintura. «Este ano quisemos tornar o Natal mais solene de maneira especial: caro Padre superior, se tivesse ouvido a Missa de Haller cantada a duas vozes e com mais uns motetos…foi uma alegria enorme para todos, até para aquelas velhotas que, já fora da Igreja me diziam: “sabe, Senhor Padre, parecia-nos estar no Paraíso”».

«E pintar? Tê-la-ei posto de lado? Confesso que não: recentemente pintei um São Miguel (de 2x1,50 metros) que vai ser o ícone da futura igreja da Primary (school). O ano passado, também concorri com algumas pinturas e esboços a lápis, que já fizera no Campo de concentração à exposição de arts & crafts (artesanato) de Nairobi e, Deo gratias, vendi alguns e tive uma boa crítica no jornal Standard».

Entre 1949 e 1957, o Padre Guido foi pároco de Rombia, uma das missões mais afastadas e necessitadas da Prefeitura do Meru, e o trabalho para “levantar” a missão do ponto de vista material foi enorme. A 22.12.1952, ao escrever ao padre Domenico Fiorina, superior geral, o Padre Guido queixava-se de não ter um confrade que o ajudasse a levar por diante o peso imenso dos trabalhos já começados: «..é preciso construir o colégio-dormitório para 30 rapazes, a escola e o dormitório para outras tantas raparigas, uma grande cabana para os doentes, uma ainda maior para os cristãos que venham passar aqui a noite de Sábado para participarem na missa do Domingo e é necessário, acima de tudo, construir a nossa cozinha em alvenaria…graças a Deus tudo isto já é, hoje, realidade. Para além disto, a casa dos padres, com oito quartos, já está um metro acima do terreno…e também tive que fazer dois fornos enormes para os tijolos, tendo também construído uma carpintaria com seis operários».

Arquitecto, pedreiro, carpinteiro…o Padre Guido também teve que ser comerciante para poder arranjar o saco de milho e feijões, nos mercados e nas casas, para dar de comer aos 250 estudantes da missão. Para tal, pediu e insistiu, também nos anos seguintes, em ter um confrade com quem pudesse partilhar o fardo da missão.

O espinho que o atormentava era o seguinte: tendo que acompanhar todas estas obras e incumbências «não posso andar por lá a encontrar-me com os cristãos e os catecúmenos e dar-lhes a santa missa».

No mês de Agosto de 1958, o Padre Baggio foi aos Estados Unidos visitar parentes. De lá, no dia 10.10.1958, escrevia ao Padre Fiorina. «Mons. Bessone escreveu-me que não deixasse o coração pegar-se à América, mas eu respondi-lhe: Como poderei eu apegar-me á América quando eu já deixei metade de mim em Embu?” Sim, meu padre, desejo imenso voltar, sacrificar-me pelo resto da vida pelos nosso queridos pretinhos. Durante os exercícios espirituais em Washington, deixei cair uma lágrima ao pensar na África; desculpe-me, eu tenho um coração um tanto fraco... mas eu quero morrer como missionário na África».

Na realidade, a grande obra dos último anos, que fizera sozinho, tinha deixado as suas marcas ; e a saúde do Padre Guido ressentira-se. A viagem aos Estados Unidos tinha por objectivo ajudá-lo a recompor-se tanto fisicamente como psiquicamente. Com a mesma finalidade, foi trabalhar para o Brasil no mês de Outubro de 1959. Lá se dedicou à pintura, a decorar igrejas e capelas do Instituto, a fazer animação missionária nas paróquias servindo-se de alguns documentários que ele próprio produzira em África. Também foi pároco em Curitiba durante algum tempo, mas o assim chamado “mal da África” era mais forte que qualquer outro afecto. Sonhava com a África e só queria voltar a trabalhar em Meru. Depois de tanta insistência, já se encontrava na sua amada terra adoptiva no mês de Setembro de 1962.

Entre 1962 e 1967 trabalhou em Gatonga: estava contente de estar na sua África e envolveu-se com entusiasmo no trabalho missionário. Mas o clima tórrido enfraqueceu o seu organismo e ele foi constrangido a um período de repouso.

Recompôs-se e, em 1968 já estava em Materi: sentia-se bem e esperava, com a graça de Deus, fazer ainda muito bem.

Entre 1971 e 1972 esteve na Itália para férias e para um período prolongado de repouso. Durante este período, conseguiu organizar duas exposições individuais de pintura em Bassano del Grappa e, depois, em Turim, na Galleria Cassiopea, mais duas colectivas em Vicenza, conseguindo bons êxitos, nas vendas como no público. Um jornal local escrevia: «..Na sua passagem pela Itália, o Padre Baggio contempla e pinta. Desde o princípio do seu tirocínio em Turim que ele possui o instinto e a formação específica para a pintura. Sob a orientação do artista Morgari, ele afinou a sua técnica. Desde então, foi sempre trabalhando por uma necessidade que vem de dentro. Existe no seu espírito serenidade, ingenuidade, autenticidade e imediatez de visão. O seu desenho e as suas composições, aliás lineares e simples, são sempre sentidas como uma participação da alma na natureza. Igualmente límpida, transparente e pura é a sua paleta.  As suas cores são sempre ricas, nunca “atormentadas”; e a sua temática artística está cheia de adesão à realidade. Momentos de vida, de lirismo, que serenam as pessoas».

A propósito da sua arte, disse o Padre Baggio um dia: «A pintura é para mim uma segunda vocação. A primeira é ser missionário em África. E foi sempre assim desde os doze anos, quando comecei a pensar em ser missionário em África, e comecei também a desenhar; mas a vocação para a África sempre prevaleceu».

Em 1972, colaborou na animação missionária em Alpignano. No mesmo ano partiu de novo para o Quénia e trabalhou em Gatunga durante dois anos; depois, em Tuthu e em Kiangunyi. Entre 1980 e 1986 trabalhou como coadjutor do pároco em Mwea; de 1986 a 1994, em Gaturi.

Em 1995 voltou para a Itália , residindo na Casa de Alpignano. Ali, no dia 11 de Julho de 2001, depois duma longa doença, voltou para a Casa do Pai. A 13 de Julho, celebrou-se a despedida na capela G. Allamano. Presidiu à Eucaristia o Padre Francesco Bernardi, que recordou o confrade defunto a partir da parábola dos talentos. O padre Guido teve o talento do pincel e, no Meru, deixou a sua marca em obras importantes: nas igrejas e nas exposições individuais. Os rendimentos da sua arte ajudaram-no a construir capelas, fazer pontes, abrir poços: um verdadeiro talento de ouro…missionário.

Mas, para além do talento do pincel, o Padre Guido soube aceitar também o dom do sofrimento, qual sacramento da presença de Deus; uma presença que já cremos e esperamos plenamente realizada no céu com a Consolata e com o Fundador.

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