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AMV - ENCONTRO CONTINENTAL DA ÁFRICA Nairobi, 1-12 de Julho de 2002 Caríssimos Animadores e Animadoras, Permanece vívida em nós a lembrança dos dias maravilhosos que passámos juntos, como hóspedes da Allamano House em Nairobi, durante o nosso Encontro Continental de AMV da África. O clima de família que vivemos foi óptimo, cheio de trocas de experiências e de profunda oração comunitária. Durante este tempo de meditação, todos tivemos consciência da dificuldade da tarefa que vos foi confiada! Mas também descobrimos a necessidade dessa tarefa, da sua beleza, de nos tornarmos autênticos missionários e missionárias, completamente em sintonia com o nosso carisma missionário ad gentes e com as directrizes da Igreja. Todos juntos, procurámos traçar o caminho a seguir. Descobrimos, uma vez mais, que não podemos "lançar o fogo" se não o tivermos; não se pode anunciar o Senhor Jesus se antes O não tivermos recebido em nossa casa; não podemos convidar, convocar ou formar uma vocação para a Missão se antes não a vivermos plenamente e em primeira pessoa. Tudo procede destes princípios. O resto, tal como os objectivos, os projectos, os conteúdos, os métodos…tudo isso é um corolário importante que, no entanto serão inúteis se não assentarem nesse primeiro e fundamental pressuposto.Agora, neste texto de síntese, transmitimo-vos o relato de tudo o que fizemos e daquilo que, em conjunto, decidimos fazer. Contamos com o vosso empenho e com o vosso trabalho. E também contamos com a vossa auto-formação e com o vosso testemunho duma vida religiosa e missionária vivida intensamente. Que a nossa querida Mãe Consolata e o Pai Allamano vos acompanhem. Roma, 15 de Setembro de 2002 Irmã Alfia P. Norberto P. Diego O NOSSO PROJECTO DE AM Como resultado do trabalho dos grupos em torno do Projecto de AMV, e na sequência duma longa troca de ideias, de propostas e de retoques finais por discussão em Assembleia, chegámos à definição do "Nosso Projecto de AMV" para cada uma das 4 áreas pré-seleccionadas. JOVENS Ideal: Comprometemo-nos a apresentar aos jovens uma caminhada formativa séria, que os leve a uma maturidade humana e cristã de nível capaz de os transformar em testemunhas e anunciadores dos valores evangélicos para os demais jovens. Realidade: Do lado positivo: - Os jovens andam à procura de ideais, de valores, de sentido para a vida - Estão prontos a assumir responsabilidades na Igreja Do lado negativo: - Têm necessidade de formação a todos os níveis (humano, cristão e moral) - Estão fechados nos seus próprios interesses e pouco abertos aos outros - Têm ideais comezinhos (prazer, poder e possuir) - Não têm uma identidade bem delineada - Têm medo de ser tidos por diferentes dos outros. Objectivos: 1. Formação humana 2. Formação cristã 3. Formação para a Missão Conteúdos: - Para a Formação Humana: auto-conhecimento, sexualidade, projecto de auto-suficiência, abertura aos outros - Para a Formação Cristã: história da salvação, Palavra de Deus, Sacramentos, Fazer experiência dos valores do Evangelho, Espiritualidade Eucarística e Mariana - Para a Formação à Missão: origem da missão, a Igreja em Missão, Testemunho Missionário e do nosso carisma, abraçar o mundo como instrumentos de Consolação, formação para o empenho na justiça e na paz, algum empenho concreto de solidariedade na sociedade a todos os níveis (em situações de desafio). Método: 1. Convocar, formar e acompanhar um nosso Grupo Missionário Jovem, com um itinerário completo de formação… 2. E / OU: 3. Inserirmo-nos, mediante proposta formativa própria, em grupos de jovens já existentes 4. Estimular e acompanhar a formação de grupos de jovens nas nossas paróquias. Meios: - A própria Comunidade de Animadores, como lugar de comunhão e escola de oração - Testemunho de vida - Recursos e ajuda de peritos - Criação de um Centro de Espiritualidade e de AM; conferências, retiros, seminários, uso criterioso dos meios de comunicação, acompanhamento pessoal e de grupo. Avaliação: Ao menos duas vezes por ano (e facultativo noutras ocasiões). PARÓQUIA Ideal: - Comprometer-nos a ajudar os vários grupos que já existem na Paróquia (principalmente as Pequenas Comunidades Cristãs) a que se tornem conscientes da dimensão missionária da sua fé, - Criando, assim, um ambiente favorável ao desabrochar de vocações missionárias. Realidade: Cada Paróquia já tem vários grupos e pequenas comunidades constituídas; mas falta-lhes, muitas vezes, uma consciência clara da dimensão missionária da fé cristã. Método: - Apresentar um itinerário de formação missionária aos responsáveis dos vários grupos já presentes na paróquia, de modo a torná-los capazes de transmitir o compromisso missionário aos seus próprios grupos; - Ou então, oferecermo-nos para instituir e formar nas Paróquias (principalmente nas nossas) um Grupo Missionário Paroquial que funcione como "memória e consciência" da Missão para todos os outros grupos da Paróquia. Actividades do grupo: Os membros do Grupo Missionário Paroquial participarão nas várias comissões e/ou grupos paroquiais e, a partir de dentro, criarão uma consciência missionária. Trabalham principalmente com as Pequenas Comunidades Cristãs, mantendo um contacto regular com as famílias. Conteúdos: Formação Cristã: Palavra de Deus - Teologia da Missão - Catequese - Eucaristia - Sacramentos - Espiritualidade Missionária Mariana - Interpretação das situações - Experiência viva dos valores do Evangelho. Formação à Missão: Origem da Missão - A Igreja é Missionária - a Comunidade Cristã está em função dos não cristãos - visão da situação religiosa do mundo - testemunho missionário e testemunho do nosso carisma - abraçar o mundo como instrumentos de Consolação - compromisso com a justiça e a paz. Meios: Um itinerário completo de formação para um Grupo Missionário Paroquial, com seminários, oração, peritos, meios de comunicação social e compromissos concretos de AM. Avaliação: Pelo menos duas vezes por ano. MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL Ideal: Comprometemo-nos, na medida do possível, a tornar os meios de comunicação social instrumentos de fé vivida, que transmitam a quem os usa uma boa informação e uma boa formação missionária. Realidade: - Os meios de comunicação social estão presentes em todos os níveis da sociedade - São instrumentos de comunicação muito eficazes - Já temos alguns à disposição: o nosso site na Web (consolata.org), a agência de notícias missionárias (MISNA (misna.org) e algumas revistas missionárias. No entanto, os meios de comunicação também… - Muitas vezes carecem de valores - São instrumentos de corrupção e de consumismo - Que destroem o sentido de comunidade Método: Usar bem os meios de comunicação à disposição, por quanto possível com a ajuda dos nossos próprios peritos. Procurar fortalecer os nossos laços de colaboração com outros peritos - que não só tenham a capacidade técnica mas também uma fé demonstrada, para podermos influenciar os meios de comunicação dominantes, dando a estes peritos da comunicação conteúdos e ideias para os seus programas. Meios: Imprensa, TV, rádio, audiovisual. Conteúdos: Os conteúdos normais da AM em geral (cfr. "Os Jovens" e "As Paróquias") RESPONSÁVEIS ECLESIAIS Ideal: Procurar os meios e veículos com que ajudar, de modo muito especial, os Bispos e os Padres a assumirem uma consciência mais clara da dimensão essencialmente missionária da Igreja. "A comunidade cristã na sua totalidade deve ser instruída, motivada e capacitada para a evangelização, na individualidade de cada membro, segundo o seu papel específico na Igreja" (Ecclesia in Africa, 75). Realidade: Nota-se escassez de consciência missionária nos responsáveis da Igreja, um pouco a todos os níveis. Método: - Procurar levar o tema da consciência missionária da Igreja para as reuniões das Conferências Episcopais, mediante a acção do Presidente da Comissão para as Missões, o encarregado das Pontifícias Obras Missionárias, ou a Associação dos Superiores Maiores dos Religiosos. - Oferecer cópia dos Documentos do Instituto e das nossas actividades de AM aos Bispos mais chegados a nós, através do(a) Superior(a) Regional. - Procurar fazer uso de um ou outro encontro anual da Conferência Episcopal com a Conferência dos Superiores Maiores. - Fazer todo o possível, nos lugares apropriados, para que se introduzam nos Seminários Diocesanos, e nas casas religiosas de formação, cursos de Missiologia. - Cultivar relações pessoais de amizade entre nós e os sacerdotes seculares. - Oferecer retiros espirituais de dimensão missionária a sacerdotes e a religiosos. - Participar nos encontros Presbiterais Diocesanos e de Vigararia. Conteúdos: Os mesmos da Animação Missionária em geral. AGENTES DA AMV Por esta altura, verificámos que até nós, na qualidade de Animadores e Animadoras Missionário(a)s, temos que fazer algo para estarmos mais preparados para enfrentar os desafios que o nosso Projecto de AMV para a África nos apresenta. Eis alguns compromissos que assumimos: - É fundamental formar bem o(a)s Animadore(a)s, face à situação complexa em que trabalham. - Para isso, devemos servir-nos, para além de encontros como este, de vários Cursos de Pastoral Jovem, dos Cursos de Lumko e outros, que estão disponíveis nas nossas Regiões. - Os Superiores Regionais podem e devem indicar que cursos estão disponíveis, mas nada poderá substituir o compromisso pessoal com a auto-formação do(a) Animador(a). - Convém que até os Superiores e os nossos Agentes de Pastoral tenham uma visão clara da Animação Missionária. - Em Addis Abeba foi pedida a duração de pelo menos seis anos no ministério da Animação Missionária: renovamos esse compromisso de estabilidade. - Os seminaristas que se achem idóneos para tal ministério deveriam ser ajudados a preparar-se com tempo, por exemplo, levando-os a participar em encontros deste tipo. - Os Formadores estão convidados a indicar aos respectivos Conselhos Gerais as capacidades específicas e os carismas individuais de alguns seminaristas para a AMV. O NOSSO PROJECTO DE AV Começámos por levar em consideração, na sua especificidade, a nossa Promoção Vocacional. Agora, vamos dedicar uma hora à reflexão pessoal e, a seguir, o resto da manhã, aos trabalhos de grupo. De tarde haverá uma Assembleia para partilhar os resultados dos trabalhos de grupo. Questão central dos Trabalhos de Grupo: Para além do que já fazemos, pergunta-te: que poderíamos fazer de melhor, de diferente ou em maior quantidade… Respostas dos Grupos: - Expandir a nossa acção de AMV a novos lugares: visitar as missões que transitaram para as Dioceses e aquelas em que houve ordenações, profissões ou mandatos missionários; arranjar pessoal a tempo inteiro para a AMV; fazer um balanço preventivo para a AV; envolver os responsáveis da Igreja local na AV. - Trabalhar com maior afinco nos grupos vocacionais: organizar campos e jornadas pelas vocações para os grupos vocacionais; estimular a abertura dos candidatos e acompanhá-los num relacionamento pessoal com Cristo; em casos de dúvida grave, convencer os candidatos a procurarem alternativas; possuir um Centro de AMV para programas de formação e produção de recursos; a equipa de AMV deve enviar os programas a tempo para as paróquias e para as escolas. - Estimular os Animadores de AV a seguir o Directório de AMV do IMC e das MC; arranjar um(a) Coordenador(a) a tempo inteiro em cada Região; melhorar a metodologia do trabalho em equipa mediante a Formação Contínua; melhorar a colaboração entre as MC e o IMC e entre outros animadores Vocacionais e Associações (KAVA, DARVAC, MAC, etc.); fazer visitas regulares aos grupos e às famílias; garantir maior estabilidade neste ministério. - Desenhar uma estratégia para ajudar e acompanhar as eventuais vocações em Regiões onde só um dos Institutos estiver presente; encontrar um modo de aumentar o número de vocações nas nossas paróquias; preparar um projecto sério para os grupos vocacionais; fazer visitas às escolas em equipa, com boa organização; se necessário, reduzir o número de escolas, paróquias e grupos a visitar, para assim aumentar a frequência das nossas visitas; procurar aumentar o número de Seminários e de Retiros para os grupos vocacionais. Depois de se terem analisado e esclarecido as respostas de todos os grupos, a Assembleia passou a identificar algumas prioridades que, assim, se tornaram Linhas de acção básicas do nosso Projecto de AV. Com o seguinte resultado: 1. Possuir um Grupo de AMV bem organizado em cada Região, com Coordenador(a) a tempo inteiro; 2. Cuidar bem da formação contínua dos animadores; 3. Onde possível, constituir, nas Regiões, um Centro de AMV, com todos os recursos que sejam necessários: secretariado, orçamento, meios de transporte, possibilidade de preparação de recursos e de acolher os jovens para o diálogo pessoal e para outras actividades de formação; 4. Preparar um itinerário sério e completo para a caminhada formativa e vocacional dos jovens: AM - AV - Discernimento; 5. Maior colaboração entre os nossos dois Institutos, outras Congregações religiosas, Dioceses, Associações, etc. REVISÃO DO ENCONTRO Todos consideraram este Encontro muito positivo e enriquecedor, tanto em termos de conteúdo como em termos de espírito de família e partilha, do sério empenho de todos, do entusiasmo e do contributo positivo para os nossos Animador(e)as "de jovens". Todos apreciaram muito a presença do P. Norberto e da Irmã Alfia pela escuta atenta e pelo grande respeito que manifestaram. É maravilhoso observar que os nossos dois Institutos insistem em trabalhar em conjunto, em equipa: a presença da Vice Superiora Geral e do Conselheiro Geral veio demonstrá-lo. Desejamos agradecer sinceramente à comunidade do Seminário por nos ter hospedado. Colocaram-se à nossa disposição com alegria e com solicitude. Claro que não faltou neste encontro um ou outro elemento negativo, tal como a fraca preparação de momentos de "distensão" comunitária à noite, ou uma ou outra liturgia mal preparada por falta de tempo; mas não houve nada que tivesse realmente perturbado o encontro. Agradecemos aos colaboradores e trocamos as últimas recomendações que foram feitas: - O compromisso de partilharmos mutuamente dos vários recursos que haveremos de preparar, bem como todo o material que acharmos útil ao ministério de AMV; - Com a promessa de o partilhar também com todas as outras comunidades da nossa Região. Encerrámos este encontro com um sentido e cordial muito obrigado mútuo e com uma liturgia solene.
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