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Nesta parte final do Relatório desejamos fazer referência a algumas temáticas que a Direcção Geral deseja apresentar à consideração desta assembleia, ou porque nele não puderam ter espaço próprio ou porque ainda não foram tratados como merecem. Trata-se de alguns problemas ou preocupações que surgiram do nosso contacto com as várias situações que o Instituto está a viver neste momento. Limitamo-nos no entanto a fazer uma breve descrição deles e a levantar algumas questões que poderão estimular à reflexão e a orientar uma troca de pareceres. 1. Estilo e metodologia da evangelização Os Capítulos Gerais mais recentes e as iniciativas de formação contínua postas em andamento nas últimas décadas sempre tiveram um impacto muito limitado sobre o estilo e o método de fazer pastoral, embora a maior parte dos nossos confrades trabalhe exactamente nesta área. Há várias razões para esta situação. Apesar disso, todos acreditamos que não é conveniente diminuir a vigilância num aspecto tão importante da nossa missão. Até o XCG achou importante voltar a tratar da necessidade de nos lançarmos sobre este tema. Disse, de facto: "A tarefa prioritária da evangelização requer uma constante actualização bíblica, enquanto nós, evangelizadores, nem sempre nos deixamos evangelizar, tornando-nos estranhos ao caminho da fé proposto aos outros. Não são poucos os Missionários que parecem viver de renda, evangelizam apenas com esquemas que remontam ao período de estudos, agora totalmente superados e que não correspondem à evolução da realidade e às necessidades do povo." (p. 37). Como Missionários da Consolata, não podemos renunciar à responsabilidade de evangelizar segundo um estilo e método que radicam no carisma de José Allamano e que, no decorrer de todo um século de evangelização, se foram definindo cada vez mais claramente. De que meios nos podemos servir para encarar com coragem e eficácia esta matéria? Poderia o próximo Capítulo fazer-se intérprete desta assembleia e assumi-la como assunto preferencial? Que espaço damos, na formação dos nossos jovens, para a análise do estilo e do método de evangelização de marca IMC? Como é que vamos envolver todos os Missionários num sério aprofundamento deste tema e na análise de orientações concretas? 2. Perseverança e desistências O quadro estatístico da perseverança dos nossos alunos professos apresenta, para os últimos dez anos, uma situação que facilmente poderíamos classificar de alarmante. Bastam alguns dados simples para mostrar a natureza deste fenómeno. A primeira tabela vai mostrar-nos a taxa de desistência dos professos temporários nos últimos dez anos, por grupos de Noviciado: 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 26 34 35 39 21 39 31 25 26 31 14 14 9 12 10 23 9 10 5 2 54% 41% 26% 31% 48% 59% 29% 40% 19% 6% | Ano | 1992 | 1993 | 1994 | 1995 | 1996 | 1997 | 1998 | 1999 | 2000 | 2001 | | Noviços | 26 | 34 | 35 | 39 | 21 | 39 | 31 | 25 | 26 | 31 | | Saídos | 14 | 14 | 9 | 12 | 10 | 23 | 9 | 10 | 5 | 2 | | Percent. saídos | 54% | 41% | 26% | 31% | 48% | 59% | 29% | 40% | 19% | 6% |
Já a segunda tabela apresenta o número de Professos temporários que saíram nos últimos dez anos: | Ano | 1992 | 1993 | 1994 | 1995 | 1996 | 1997 | 1998 | 1999 | 2000 | 2001 | | Profes. saídos | 13 | 17 | 11 | 16 | 18 | 13 | 25 | 15 | 16 | 24 |
A década passada resume-se nos seguintes dados globais: 329 noviços; 193 professos perpétuos, 172 ordenações sacerdotais; 108 desistências. Quais poderiam ser as causas destas desistências? Vamos sugerir algumas, apenas a título de exemplo e como começo de análise: - A influência do mundo pós-moderno fragiliza as opções de vida. - As bases familiares, religiosas e culturais não aguentam as opções de vida que possam ir contra a maré e exigem uma doação total. - A exposição dos nossos jovens a contextos culturais, comunitários e religiosos diferentes durante a formação básica, pode criar um estado de insegurança que, com o andar do tempo, é nocivo para a sua maturação vocacional. - A caminhada da fé não parece estar adequada à opção de vida consagrada ad vitam. De facto, bastantes são os jovens que parecem não identificar a sua vocação com o seguimento de Cristo mas sim como uma carreira ou profissão. Na base da formação inicial ou contínua, devemos colocar uma educação à fidelidade, a qual tem por meta o reconhecimento da iniciativa divina; devemos desenvolver a dimensão contemplativa da existência; e devemos fazer aumentar a capacidade de superar crises e o desânimo; devemos ainda ensinar a solidariedade com o próximo e com os pobres. Mas o fenómeno das desistências nos anos de formação básica também poderia ter um aspecto positivo. De facto, nalguns casos, observámos que os nossos jovens, confrontados com a opção pela consagração missionária para toda a vida, se interrogam com maior seriedade e honestidade. Será isto fruto dum sentido de responsabilidade acrescido ou será resultado do medo de dar um salto para o desconhecido? Será o medo de se poder vir a não dar respostas adequadas a uma vocação tão exigente que os paralisa, ou será então a indecisão face à radicalidade da vocação missionária? 3. A realidade vocacional do IMC O número dos Missionários da Consolata está a diminuir. Este dado de facto não nos pode deixar indiferentes. Temos uma responsabilidade tanto para com o Instituto como para com a Igreja e a missão. Descobrimos campos de trabalho missionário cada vez mais numerosos em todos os Continentes. A Ásia está abrindo-se ao nosso Instituto, os novos e numerosos areópagos da missão exigem pessoal especializado... Que resposta podemos dar senão a de mandar novos Missionários, numerosos e identificados com o carisma do Beato Allamano? A pergunta que podemos fazer para a nossa reflexão é a seguinte: como inverter esta tendência? Apresentamos três pistas: 1. Cuidar mais da formação dos nossos seminaristas. Não queremos voltar à "velha questão" da duração do tempo do Noviciado, embora todos os Mestres dos noviços continuem a declarar que o trabalho formativo do noviciado infelizmente termina no momento em que começa a render mais. Os últimos quatro Capítulos Gerais debateram a oportunidade de acrescentar um segundo ano de noviciado, mas decidiram depois prosseguir com o sistema actual. Sendo assim não nos resta senão colocar todos os esforços em cuidar das várias fases formativas, reforçando antes de mais as equipas de formadores dos nossos Seminários. Deveríamos além disso criar as premissas para que os próprios formadores sejam mais "perseverantes" neste serviço. Poder-se-ia ainda discernir se é possível dar a todos os nossos estudantes a oportunidade de, pelo menos uma vez, terem um contacto directo com o trabalho missionário. 2. Ajudar os Missionários jovens na passagem da formação de base para o trabalho missionário: Nesta fase delicada, podem verificar-se por vezes traumas que levam as pessoas a isolarem-se até ao ponto de abandonar o Instituto ou a própria vocação. Enumeramos aqui simplesmente algumas das causas possíveis: o período que vai do termo dos estudos até ao início do trabalho missionário alonga-se, por vezes, desmedidamente; a primeira destinação na Região nem sempre toma em consideração as exigências de acompanhamento e de gradual introdução no trabalho; as comunidades locais nem sempre estão em condições de acolher positivamente os novos destinados; os programas regionais de formação permanente não conseguem dar respostas satisfatórias às exigências destes Missionários. 3. Dar maior espaço à animação missionária e vocacional. Tal será possível somente se tivermos a coragem de redimensionar outros empenhos. Deveríamos além disso estudar a possibilidade de distribuir melhor o número actual de animadores entre as várias Circunscrições do Instituto. Por fim, não pomos de lado a hipótese de abrir precisamente na Europa um novo campo vocacional, como já atrás dissemos. Todos estes aspectos necessitam claramente de um estudo atento e de uma verificação sucessiva. 4. Os desafios da internacionalidade O Instituto, que cada vez mais se vai internacionalizando, está a mudar de semblante, de cor, de lugar e de contexto muito rapidamente. De facto, ele está a receber o dom da entrada de novos membros provenientes de países e culturas diversos. As novas gerações de Missionários da Consolata já não provêm das áreas geográficas que tradicionalmente lhe forneceram vocações durante os seus primeiros cem anos de vida. O pluralismo étnico e cultural que vemos no coração das nossas comunidades vai-se acentuando cada vez mais. Daqui a pouco até o nosso estilo de presença e acção missionária mudarão. E as pessoas mais atentas já vão notando que, pouco a pouco, se vai dando uma "re-fundação" do Instituto. Como é que vamos lidar com esta realidade? Antes de mais, deveremos manter-nos abertos a todos os desafios que vêm da internacionalização, mesmo quando eles vierem a causar tensões e conflitos. Por isso, é preciso acompanhar esta mudança, aliás já em movimento em todas as áreas, com tacto e sem paternalismo, mas com paciência, com muito diálogo e com muita confiança, sem nunca perder de vista a autenticidade do nosso carisma. Quais seriam então as saídas para facilitar esta transformação? Aqui vão algumas: - Preparar com cuidado os líderes IMC de amanhã, estando conscientes de que este amanhã já chegou. Em todas as áreas e a todos os níveis. Temos que atribuir responsabilidades a estes nossos confrades, mas sem os expormos prematuramente a situações demasiado exigentes ou "desesperadas". - Falar entre nós do carisma, do Fundador, do espírito do Instituto. Temos de nos abrir a acolher com interesse os modos novos de exprimir esta situação e que os nossos jovens nos poderão manifestar. Temos de nos esforçar por criar comunidades em que o internacionalismo, o intercâmbio e a aceitação recíproca sejam possíveis e possam conviver sob o mesmo tecto. - As nossas comunidades formativas são realidades ambivalentes; portanto, façamos com que elas se tornem ambientes onde se permite que os jovens cresçam neste "espírito novo", e onde o Instituto possa, desde já, ter experiência, por amostra, de todos os valores que irão alimentar a sua vida futura. 5. Ad extra O XCG sublinhou até à saciedade o facto de, por força da nossa vocação, nós sermos chamados "a sair dos confins territoriais, culturais e até da nossa própria área religiosa para irmos a todos os cantos da terra anunciar o Evangelho nos postos avançados da Missão (cfr. EN 69)" (p.19). Cremos que esta vontade clara e explícita do Pai Fundador e esta tradição constante do Instituto devam ser preservadas, mesmo no que se refere à mudança para novas fronteiras da missão. As exigências de trabalho nas Circunscrições de origem tornam difícil, por vezes, a aplicação deste princípio, de forma que acontece pedirmos a muitos Missionários para ficarem na Igreja de origem. A Direcção Geral vai comprometer-se a concretizar, o mais possível, o ad extra com todos os Missionários, principalmente os de primeira destinação. E apelamos para os Superiores de Circunscrição para que facilitem este projecto, sobretudo por ocasião das substituições. Além disso, pedimos a cada Missionário que se mantenha sempre em atitude de plena disponibilidade, pronto a sair da sua terra, principalmente quando se lhe pede para sair da sua Circunscrição de origem pela segunda vez.
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