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TEMÁTICA DA CONSULTA PDF Imprimir E-mail
Por Consolata.org   
12 de March de 2006

Os temas que seguem reúnem tudo o que foi tratado na Consulta aos Superiores de Circunscrição que teve lugar em Roma entre 7 e 25 de Outubro de 2002. Têm por objectivo captar o essencial dos assuntos abordados bem como as principais orientações que daí surgiram.
O Conselho Geral apresenta-os a todo o Instituto para que sirvam de indicação do caminho que vai seguir durante o próximo triénio.

I. A FORMAÇÃO BÁSICA

1. OS FORMADORES

A Consulta notou com preocupação a excessiva mobilidade dos formadores durante o passado triénio. As causas principais deste fenómeno encontram-se no cansaço ou na desmotivação de alguns formadores, bem como na iniciativa das Direcções Geral e de Circunscrição as quais, em certos casos, consideraram conveniente substituir alguns Missionários encarregados deste serviço, tal como a inclusão de outros. A mudança frequente de pessoal neste sector tão delicado expõe a caminhada formativa dos jovens ao risco da fragmentação e da superficialidade.

Orientações operativas
* Mediante o diálogo, as Direcções de Circunscrição e a Direcção Geral devem providenciar um plano de distribuição dos formadores tal que garanta adequada preparação e adequada inserção no respectivo serviço.
* Deve pedir-se explicitamente aos Missionários destinados à formação básica a disponibilidade para esse serviço durante pelo menos seis anos.
* Devem levar-se em conta, na selecção dos formadores: disponibilidade e atitudes pessoais, além de capacidade de colaboração com os outros confrades envolvidos no mesmo tipo de serviço.
* Deve estudar-se, nas Circunscrições e a nível continental, a possibilidade de se fazer uma revisão do número e localização das nossas comunidades formativas que antecedem o noviciado, para não termos de multiplicar o pessoal dedicado à formação básica.

2. O PROPEDÊUTICO

O Décimo Capítulo Geral (XCG) pediu para se introduzir no nosso ciclo formativo o ano propedêutico (p. 84). A situação actual dos jovens, bem como as suas carências a nível humano, religioso, vocacional e académico, exigem de nós um conhecimento maior e uma melhor preparação dos jovens que desejam passar do acompanhamento vocacional para um seminário nosso. Foi apresentado aos Superiores o texto que foi elaborado e aprovado pelos encontros continentais de formadores (2001) e que contém os objectivos, a natureza, os critérios de admissão e os conteúdos do nosso ano propedêutico. A Assembleia fez algumas observações ao texto que lhe foi apresentado.

Orientações operativas
* A duração do Propedêutico deve ser, pelo menos, de um ano lectivo.
* A idade para a admissão ao propedêutico será, normalmente, a dos 18-25 anos.
* A análise da personalidade, a fazer-se com a ajuda de psicólogos, deve ser um dos instrumentos a integrarem o programa formativo do Propedêutico.

3. O ESTÁGIO PASTORAL

O XCG pedira indicações mais claras sobre este assunto (p. 84). Nestes últimos anos foram-se tornando cada vez mais raros os casos de professos temporários que o pediram explicitamente. Mas as experiências que se fizeram puseram em evidência ainda algumas dificuldades que impedem a concretização das condições exigidas para este tipo de experiência. A Assembleia sublinhou a importância de expormos todos os nossos formandos a uma experiência missionária consistente e relevante, propondo ainda que esta exigência seja submetida ao discernimento do próximo Capítulo Geral.

Orientação operativa
* O Secretariado Geral para a Formação Básica e os Estudos deve elaborar uma proposta de "experiência missionária" à qual todos os nossos formandos deverão submeter-se, especificando o respectivo modo (duração, locais, tempo e modo da sua inserção no projecto educativo…).

4. OS SEMINÁRIOS TEOLÓGICOS: NÚMERO E INTERNACIONALIDADE

Nestes últimos anos, os nossos seminários teológicos vieram a perder o seu carácter intercontinental devido ao decréscimo de jovens provenientes de algumas das nossas Circunscrições, especialmente as europeias. A internacionalidade continua a ser uma das características das nossas comunidades formativas, tal como continua a ser parte integrante do nosso projecto educativo, apesar das dificuldades que já conhecemos. A Assembleia, tendo ponderado o facto do decréscimo no número dos nossos professos temporários, questionou-se sobre a conveniência ou não de manter o número actual de seminários teológicos e afirmou a necessidade de se fazer formação em vista da interculturalidade.

Orientação operativa
* Que em todos os seminários teológicos se preste maior atenção ao tema da interculturalidade, integrando no programa formativo anual iniciativas e temáticas que a promovam e que favoreçam a maturação das atitudes que a tornam possível entre os jovens.

5. DESPESAS COM OS SEMINÁRIOS

Os nossos seminários teológicos, tal como os noviciados, são todos internacionais. As despesas com os estudos e respectiva manutenção são muito elevadas e aumentam de ano para ano. A Direcção Geral, actualmente, passa às Circunscrições responsáveis por estes seminários um auxílio anual que, porém, fica incluído no conjunto de subsídios que se enviam para as necessidades da respectiva Região. Algumas Regiões desejariam que a Direcção Geral se encarregasse das despesas com os seus seminários teológicos na totalidade e que os subsídios para os seminários ficassem separados de outras ajudas que ela dá a essa Região. Uma prática deste tipo, embora por um lado evitasse algumas dificuldades, poderia, pelo outro, criar desinteresse por parte dos Missionários em relação aos seminários presentes na Circunscrição.

Orientações operativas
* Não se mude a prática actual durante o novo triénio: os subsídios para os seminários devem continuar incluídos naqueles que se enviam às Circunscrições.
* Cada Circunscrição com responsabilidade de seminário teológico e/ou noviciado deve preparar um orçamento anual para apresentar à Administração Geral com o orçamento Regional.
* A Direcção Geral enviará subsídios para cobrir as necessidades das Regiões levando em consideração as despesas com os seminários teológicos e os noviciados.
* Os Missionários devem sentir o seminário teológico e o noviciado como algo que é parte integrante da sua Circunscrição, devendo participar de boamente no seu sustento mediante contribuições suas e das comunidades cristãs.
* Recomenda-se que se inculque nos alunos o espírito de austeridade e de cooperação real em prol do funcionamento económico da comunidade.

II. A FORMAÇÃO PERMANENTE

1. A FORMAÇÃO PERMANENTE

O XCG pediu-nos que todos os Missionários participem em pelo menos três momentos prolongados de formação contínua ao longo da vida (p. 83). A Direcção Geral preparou programas, aliás já em fase de concretização, tendo em conta as faixas etárias propostas pelo Capítulo. A avaliação desses cursos pelos participantes foi sempre positiva. É mais difícil, porém, verificar o impacto destas iniciativas sobre a vida destes confrades e sobre o seu apostolado. A Direcção Geral e os Superiores Regionais foram exortados a pensarem também noutras iniciativas de formação contínua.

Orientações operativas
* Os cursos que foram oferecidos até agora segundo as diversas faixas etárias dos Missionários são válidos e, por isso, devem ser continuados.
* A Direcção Geral, futuramente, poderá introduzir mudanças nas faixas etárias dos participantes nos três tipos de curso. Por exemplo: dos 5 aos 10 anos de Ordenação ou Profissão Perpétua para o curso dos jovens; dos 15 aos 20 anos para o de idade intermédia; e a divisão do de terceira idade em duas secções: uma de preparação para a terceira idade, e outra para aqueles que já lá estão.
* Poderá vir a ser reproposta uma vez mais a experiência na Terra Santa, que no passado foi muito apreciada pelos confrades - tão logo as condições políticas a tornem possível.
* Os Missionários são exortados a participar em cursos oferecidos pelo Instituto. Naqueles casos em que tal não seja possível, ou por razões específicas, propõe-se um período sabático, o qual terá as seguintes características:
- ênfase sobre a parte formativa, mais que sobre a parte académica. O ano sabático deve ter em mira a renovação da pessoa do Missionário nas suas várias dimensões (espiritual, humana, apostólica, carismática, etc.).
- o programa formativo deve ser negociado com os Superiores Regionais e com a Direcção Geral, a qual colaborará, sempre que lho for pedido, na sua concretização.
- Uma atenção toda especial ao aprofundamento do carisma, da vida religiosa e da nossa espiritualidade. Se os centros formativos que se escolherem não oferecerem estes conteúdos, esse aprofundamento deverá ser feito numa comunidade do Instituto.

2. CURSO PARA MISSIONÁRIOS DE IDADE INTERMÉDIA

Já faz parte da tradição. A sua utilidade e a sua influência sobre a vida dos participantes têm sido sempre relevantes. Em 2002, esse curso não pôde ter lugar devido ao número insuficiente de participantes. A Direcção Geral pede que se continue a fazê-lo ou, se for preferível, suspendê-lo durante alguns anos. O número mínimo de participantes deve ser de doze.

Orientações operativas
* Deverá fazer-se ainda uma tentativa no ano 2003 seguindo o mesmo esquema e os critérios dos cursos precedentes. Alargue-se a faixa etária até aos sessenta anos.
* Os Superiores Regionais, por consulta prévia aos confrades, indiquem até fins do Novembro o número dos que desejam participar. O curso só se realizará se o número mínimo de inscritos for atingido.
* A Direcção Geral deverá consultar as Missionárias da Consolata para estudar a possibilidade de organizar o curso em conjunto. A sua participação não só facilitaria alcançar o número satisfatório como também lhe conferiria inequívoco enriquecimento.

3. CURSO PARA MISSIONÁRIOS DE TERCEIRA IDADE

A avaliação do único curso até agora realizado foi muito positiva. Foi muito apreciada, principalmente, a possibilidade de poderem partilhar, com liberdade e respeito, a sua própria vivência, tanto passada como actual. Embora a experiência que se fez tenha sido muito limitada, surgiram algumas orientações que poderão ser úteis para um futuro programa.

Orientações operativas
* Fica confirmada a sua necessidade; e a Direcção Geral está convidada a continuá-lo e a alargá-lo a todos os confrades idosos.
* A natureza deste programa formativo deve ser não tanto a de um "curso" mas a de um "encontro".
* Por ora, deve continuar a fazer-se em Roma. A Direcção Geral deverá explorar a possibilidade de o facultar aos confrades de Alpignano e, futuramente, também nos vários Continentes.
* Reconhece-se a necessidade de os confrades idosos serem acompanhados, mediante o interesse e proximidade do Superior local, dando-lhes a possibilidade de consultarem confrades ou especialistas, e dando-lhes uma formação adequada às suas necessidades.

4. ACOMPANHAMENTO DOS RECÉM-DESTINADOS

Os últimos Capítulos Gerais e Consultas inter-capitulares têm tratado deste tema repetidamente. Todas as Circunscrições já delinearam, nas Actas das suas Conferências, os modos e os meios de responder às necessidades dos confrades recém-destinados. Faz-se notar a atenção ao estudo da língua; dá-se aos jovens Missionários a oportunidade de visitar as comunidades da Região, de usufruir de convivências em comunidades relevantes, de participar em reuniões anuais ou semestrais dos confrades. No entanto, parece que ainda há lugar para melhorar esta área. Uma pesquisa feita ainda há pouco tempo entre os Missionários de primeira destinação, por obra do Secretariado para a Formação, revela que os jovens nem sempre se encontram à vontade na comunidade nem recebem ajuda personalizada. As crises de vocação remontam muitas vezes a estas primeiras experiências missionárias menos positivas ou então à solidão que caracteriza o início da sua missão.

Orientações operativas
* As Circunscrições devem prever comunidades capazes de receber os Missionários de primeira experiência missionária.
* Os Superiores e os encarregados da Formação Contínua devem seguir de perto estes Missionários através de visitas e conversas regulares.
* Deve dar-se atenção aos encontros periódicos de Missionários jovens. Eles devem incluir assuntos formativos, valorização da partilha de experiências, momentos de oração e espaços recreativos.
* Devem-se preparar orientações específicas a serem integradas na Ratio Formationis, as quais devem delinear amplamente a formação que se deve dar aos recém-destinados. Todas as experiências positivas realizadas nas várias Regiões deverão ser valorizadas.

III. O PESSOAL

1. A DISTRIBUIÇÃO DO PESSOAL

O XCG deu orientações bem claras a respeito da distribuição do pessoal pelas várias Circunscrições e em proveito das actividades do Instituto (pp. 85-86). A Direcção Geral tem-se visto incapaz, até à data, de cumprir à letra com as directrizes capitulares nesta matéria, constatando que as forças activas do pessoal do Instituto estão a diminuir. Também se deve dizer que continua a haver acentuada disparidade entre o número de pessoas disponíveis e as actividades e obras confiadas ao Instituto.

Orientações operativas
* Exorta-se a Direcção Geral a iniciar com coragem a distribuição do pessoal tendo em consideração as prioridades indicadas pelo Capítulo, enquanto convida as Direcções Regionais a adequarem-se-lhe de boamente, sem tentarem manter a qualquer preço o status quo da própria Circunscrição.
* Cada Circunscrição deverá, por isso, saber encarar a escassez de pessoal mediante a realização pontual do redimensionamento das obras, especialmente das que foram indicadas pelas Conferências Regionais.
* A distribuição do pessoal segundo as directrizes capitulares ficará facilitada se sempre se tiver viva a disponibilidade do Missionário para assumir qualquer serviço que lhe seja pedido. De facto, essa disponibilidade é a alma do espírito prático de obediência que o nosso Fundador considerou ser a "virtude fundamental do nosso Instituto missionário" (Constituições, 36).

2. O "AVVICENDAMENTO"

No nosso Instituto, a praxe do "avvicendamento" já conta três dezenas de anos. Há situações novas que o tornam problemático e difícil de concretizar, hoje em dia: o envelhecimento do pessoal; a escassez de pessoal jovem face a tantos pedidos das Circunscrições, principalmente na área da formação básica e da AMV; a necessidade de dar a todos os Missionários o seu ad extra; as exigências de pessoal jovem para as novas fundações; e a resistência a uma segunda destinação para fora da Região de origem. O XCG reafirmou a importância deste "avvicendamento" ao estabelecer que, após nove anos de serviço numa Circunscrição, o Missionário deve disponibilizar-se para uma eventual destinação para outro campo de trabalho (p. 27).

Orientações operativas
* Servir-se da disponibilidade do Missionário para mudar de lugar depois de ter passado nove anos de trabalho missionário no mesmo país. Mas isso deve fazer-se com alguma flexibilidade, com base nas exigências da Circunscrição.
* Cada Missionário deve responder com prontidão ao pedido de mudança de lugar, mesmo quando isso acontecesse antes de terminado o período de nove anos de trabalho missionário, ou pela segunda e terceira vez.
* As substituições são facilitadas quando cada Circunscrição tiver um plano claro para o seu próprio pessoal no que respeita à oportunidade de saídas ou exigências de serviços especializados.
* A Direcção Geral deve evitar, por quanto possível, determinar o fim antecipado do prazo de serviço missionário de um confrade.

3. PREPARAÇÃO PARA A PRIMEIRA DESTINAÇÃO

Vão-se multiplicando os casos de Missionários que, uma vez recebida a destinação, deixam passar demasiado tempo entre a conclusão dos estudos básicos e a entrada no trabalho missionário. Estes períodos de inactividade não só são prejudiciais para os Missionários como também não permitem que as Circunscrições programem adequadamente a inserção dos novos confrades e também as suas actividades, com base no pessoal disponível.

Orientações operativas
* Fica reafirmada a orientação que a Direcção Geral já deu anteriormente a respeito dos recém-destinados, ou seja: que eles terão três meses à disposição após a sua formação básica para chegarem à Circunscrição a que foram destinados ou para darem início à aprendizagem da língua.
* Os Superiores Regionais devem acompanhar os jovens confrades durante este período para que, tanto as celebrações das Ordenações ou das Profissões Perpétuas como o processo para requerer visto de entrada, se façam com ordem e dentro dos prazos estabelecidos.
* No caso de os Diáconos terem necessidade de alguns meses de prática pastoral antes da Ordenação Sacerdotal, na altura da destinação os Superiores Regionais devem ser informados disso pela Direcção Geral.

4. DISCRIÇÃO NAS INFORMAÇÕES

Alguns Superiores Regionais exprimiram o desejo de poderem conhecer melhor o Missionário, sobretudo no momento da sua primeira destinação. As informações que podem acompanhar o Missionário no momento de chegar a dada Circunscrição até podem ajudar o Conselho Regional a atribuir-lhe tarefas ou funções especiais; ou a acompanhá-lo com um programa mais personalizado de formação contínua. Mas a discrição tem de ser sempre salvaguardada, especialmente evitando fazer circular relatórios formativos sobre os confrades.

Orientações operativas
* Os Superiores Regionais podem pedir informações aos Formadores dos seminários teológicos quando se tratar de confrades de primeira destinação. Nestes casos só se podem transmitir informações que sejam úteis para o acompanhamento do Missionário na missão.
* O Conselheiro Continental poderá ser a pessoa mais adequada para fornecer as necessárias informações sobre os confrades que são destinadas duma Região para outra.

5. O "AD EXTRA"

Permanecendo fiéis ao carisma do Beato Fundador e à história centenária do Instituto, os Consultores houveram por bem reafirmar de modo especial e com certo vigor o ad extra, ou seja, a saída do próprio país e da sua própria Igreja. É esta a modalidade "normal" de fazer missão segundo o estilo dos Missionários da Consolata.

Orientações operativas
* É importante facilitar o ad extra ao maior número possível de Missionários, sobretudo no momento da sua primeira destinação, já que a saída da sua própria cultura e do seu próprio país é parte integrante do carisma missionário IMC.
* Os Superiores devem vigiar para que se não multipliquem os casos de pessoas "inamovíveis", não aptas à substituição, ou incapazes de sair da sua Circunscrição de origem.
* Cada Missionário deve cultivar com especial atenção a disponibilidade para exercer a sua Missão onde quer que a obediência religiosa o coloque.
* A proximidade e a assistência aos parentes doentes devem ter-se como excepções a impedir a partida do Missionário para fora do seu país de origem.

6. INTERNACIONALIDADE E INTERCULTURALIDADE

São numerosos os desafios que a acentuada internacionalidade das nossas comunidades e o consequente pluralismo cultural causam ao Instituto. Este fenómeno nota-se mais entre as gerações mais jovens de confrades. A interculturalidade é, por outro lado, uma componente intrínseca da nossa vocação missionária, até porque todos somos chamados a sair da nossa cultura para entrar noutra. Esta situação, que é antiga e nova, exige muita atenção de todos, um estudo cuidadoso e uma formação esclarecida.

Orientações operativas
* Dê-se muita atenção à educação para a internacionalidade e para a interculturalidade logo desde a formação básica. Não basta que Missionários de origens diversas vivam juntos para poderem aprender a difícil arte da convivência e da comunhão enriquecedora e produtiva. A Ratio Formationis deve ter isto em conta e deve indicar meios adequados ao desenvolvimento desta dimensão.
* Todos os Missionários se devem esforçar não só por aprofundar o valor das várias culturas mas também por aprender a apreciar e a respeitar quem não é dos "nossos", a entrar na cultura do país que os recebe, a acolher com espírito crítico as várias formas culturais, e a saber interpretar todas as expressões culturais à luz do Evangelho mediante cuidadosa ascese.
* Devem ser retomados os encontros de "inculturação do carisma" que tiveram início no passado ciclo de seis anos. Devem participar neles não só os confrades que pertençam a uma dada área cultural, mas também todos aqueles que trabalham na mesma Circunscrição, já que a multiplicidade de expressões culturais se enriquece enquanto se elimina o unilateralismo estéril.

IV. A ANIMAÇÃO MISSIONÁRIA E VOCACIONAL (AMV)

O XCG, retomando o pensamento das Constituições (80), apresentou a animação missionária e vocacional como o serviço mais qualificado e específico que o Instituto oferece às Igrejas, para além da formação para o ministério (p. 45).
Os Relatórios que as Circunscrições apresentaram na sessão de Consulta revelam sinais de alguma retomada neste campo. Ao mesmo tempo, elas revelam também a existência duma certa lentidão na maior parte das Circunscrições, que atribuem a esta actividade um papel um tanto secundário e periférico.
Com a finalidade de imprimir maior dinamismo e consistência às actividades de AMV, bem como maior estabilidade aos que trabalham neste campo, os membros da Consulta, divididos por Continente, identificaram orientações e meios específicos.

Orientações operativas

ÁFRICA
* Todos os Missionários devem tomar consciência do resultado do último encontro de AMV que teve lugar em Nairobi no passado mês de Julho, especialmente no que diz respeito às áreas escolhidas pelos animadores, ou seja: paróquias, jovens, meios de comunicação social, e responsáveis eclesiais.
* No intuito de favorecer um projecto de AMV para a África, os animadores devem ser acompanhados no seu esforço em adaptarem o projecto continental de AMV à situação das várias Circunscrições.
* Aumentem-se tanto o pessoal como os meios para dar maior estabilidade e uma organização mais eficaz à AMV.
* A Direcção Geral recebeu do Capítulo o mandato de "preparar cinco Missionários para AMV durante este ciclo de seis anos" (p. 45). Pois bem: que todas as Circunscrições dêem a sua colaboração para que este importante objectivo se realize.

AMÉRICA
* Destine-se um maior número de pessoal à AMV.
* Procure-se atingir uma "distribuição justa" de animadores no Instituto.
* Que cada fundação e comunidade IMC se torne pouco a pouco um lugar de AMV, sobretudo na partilha da Missão com os jovens e através do alegre testemunho da nossa vocação.
* Dê-se maior relevância à pastoral juvenil nas nossas paróquias.

ÁSIA (Coreia)
* Formar o grupo de adolescentes e o grupo de jovens no nosso Centro de AMV.
* Cuidar melhor a apresentação da nossa AMV no site da web.
* Acompanhar adequadamente o Grupo de Amigos da Consolata e o Grupo Allamano, por etapas, até se tornarem verdadeiros Leigos Missionários da Consolata.
* Integrarmo-nos nos Centros Missionários Diocesanos tão logo o número de pessoal o permita.
* Oferecer programas de AMV a todas as paróquias.

EUROPA
* Trabalhar por uma melhor coordenação entre as Regiões da Europa.
* Valorizar e tomar como pontos de referência para o Continente as experiências mais relevantes na AMV, ou seja: os centros de espiritualidade, opções ad gentes, Justiça e Paz.
* Tomar em séria consideração uma nova fundação na Europa com o objectivo de promover a animação missionária e as vocações missionárias, por exemplo, na Bielorússia.
* Acompanhar e apoiar os Leigos Missionários da Consolata com maior atenção.
* Cuidar da formação dos animadores, principalmente no seu serviço de acompanhamento espiritual e vocacional dos jovens.

V. A EVANGELIZAÇÃO

1. ESTILO E MÉTODO

Nos anos oitenta, por duas vezes, o Secretariado Geral da Pastoral apresentou aos confrades um texto de Ratio Evangelizationis. Parece que a sua influência foi fraca. O XCG, ao fazer uma interpretação da situação da nossa evangelização, constatou haver renitência entre os Missionários em se deterem a reflectir sobre o seu estilo e método de fazer evangelização. E também notou a existência de dificuldades em dar resposta aos novos desafios, resistência a iniciativas novas, e a tendência para cair na rotina. O Secretariado Geral para a Missão deu início recentemente a um programa para os Missionários que trabalham na evangelização para levar por diante, com eles, uma reflexão profunda sobre este tema. As respostas, pelo menos até ao presente, parecem animadoras.

Orientações operativas
* É conveniente pegar na Ratio Evangelizationis e rever com atenção o nosso estilo e método de evangelização, com a inclusão de novas ideias.
* Devem continuar, em todas as Circunscrições, as sessões de reflexão sobre a evangelização e a pastoral, detendo-nos especialmente sobre o método e estilo de trabalho, sobre os valores que ela exprime, sobre a capacidade de nos sintonizarmos com o plano da Igreja local.
* Exortam-se todos os Missionários a procurarem a unidade, a nível de Instituto, quanto ao modo de actuar os planos pastorais, esforçando-se por manter e desenvolver a especificidade que nos marca. Aprenda-se a reflectir periodicamente sobre o método de evangelização comparando-o com os documentos da Igreja e do Instituto.
* Durante o período de formação básica, os nossos estudantes devem ser acompanhados no desenvolvimento das suas actividades pastorais, com momentos específicos de reflexão e avaliação sobre o apostolado.
* Os projectos de evangelização/pastoral devem ser planeados, implementados e avaliados em conjunto. O Missionário, logo desde o período da sua formação básica, deve aprender a trabalhar no espírito de comunhão.

2. VIVER A MISSÃO EM SITUAÇÕES DE CONFLITO

Infelizmente, em muitos países onde fazemos missão, a violência e a guerra são uma triste realidade que toca de perto o pessoal missionário e as nossas obras. Como poderemos viver tais situações com atitude positiva? Que programa de apoio e que formação daremos ao Missionário que vive nestas situações?

Orientações operativas
* A opção "ideal" que o Missionário se esforça por fazer quando se lhe apresentam situações de conflito armado é a de ficar presente no meio do seu povo e partilhar do perigo e da precariedade. Nesses contextos, haja porém o cuidado de não pôr indevidamente em risco a vida do pessoal missionário.
* Mediante o discernimento comunitário, devem-se estudar com realismo os modos desta "presença". Face a perigos sérios, o Missionário terá a liberdade tanto de ficar como de sair. O modo da sua presença deve ser, porém, aquele que foi concordado em comunidade.
* É oportuno que a Região interessada institua uma comissão ad hoc para ajudar o Superior Regional e o seu Conselho a dar resposta aos muitos aspectos que a situação possa apresentar.
* O Superior Regional não deixe de acompanhar os confrades com a sua presença, compreensão, apoio espiritual e, se for preciso, até com terapias psicológicas adequadas.

VI. ORGANIZAÇÃO

2. AS VISITAS CANÓNICAS

A partir do XCG, as visitas canónicas passaram a ser feitas não só pelo Superior Geral mas também pelo Vice Superior, habitualmente acompanhados pelo Conselheiro Continental. A modalidade da visita segue o esquema do costume, ou seja: um encontro inicial com a Direcção Regional para identificar problemas; visita a cada comunidade e diálogo com cada Missionário; e encerramento com Assembleia Regional ou de zona, em que os visitadores apresentam as suas conclusões, que serão integradas na carta final. A Direcção Geral pede o parecer da Assembleia acerca da eficácia deste modelo, bem como outras sugestões.

Orientações operativas
* O método preferido para a visita canónica continua a ser o método tradicional.
* As visitas feitas também pelo Vice Superior Geral são consideradas positivas.
* Dê-se a máxima importância à preparação, tanto próxima como remota, da visita.
* As Circunscrições que não foram visitadas pelo Superior Geral devem encontrar um momento, possivelmente coincidente com uma actividade Regional, que dê aos Missionários a oportunidade de se encontrarem pessoalmente com o Superior Geral em pessoa - ao menos uma vez durante o ciclo de seis anos.

2. PUBLICAÇÕES DO IMC

Há quatro publicações que estão a cargo da Direcção Geral: o Da Casa Madre, o Boletim IMC, Documentazione IMC e Giuseppe Allamano - dalla Consolata al mondo. Faz-se uma despesa nada pequena em traduções, impressão e despacho destas publicações. A Assembleia questionou-se sobre a conveniência ou não de, gradualmente, se ir passando da tradicional impressão em papel para a produção informática, que é barata e rápida.

Orientações operativas
* Deve fazer-se uma análise do número de revistas que se mandam a cada Circunscrição, para reduzir, se possível, o número de cópias e também para evitar desperdícios e despesas inúteis.
* Por ocasião do próximo Capítulo Geral deverá fazer-se uma análise, consultando mesmo outros Institutos, acerca da possibilidade real de se passar do papel para o método informático.
* Dê-se preferência ao correio electrónico no envio de Boletins Regionais às várias Circunscrições e respectivos membros.

3. NOVAS FUNDAÇÕES PARA A ANIMAÇÃO MISSIONÁRIA E VOCACIONAL

O Capítulo deu indicações claras sobre novas fundações. Porém, os Consultores reflectiram sobre o facto de o Instituto, nestes últimos anos, não ter feito fundações orientadas fundamentalmente para a AMV, acabando por se manifestarem de forma positiva em relação à conveniência do projecto.

Orientações operativas
* Qualquer eventual fundação deste tipo não deverá contemplar apenas a animação vocacional, mas deverá antes de mais oferecer um serviço de animação missionária às Igrejas locais.
* O Conselheiro Continental acompanhará a análise e a pesquisa do projecto a nível de Continente em estreita ligação com os Superiores de Circunscrição.
* Os Superiores Regionais, em vista do próximo Capítulo Geral, devem aprofundar este assunto nas suas Circunscrições, com o objectivo de alargar a análise e obter o consenso dos confrades.

4. O CONSELHEIRO CONTINENTAL

A Assembleia fez uma avaliação da experiência, já com três anos, da função do Conselheiro Continental e constatou que, pouco a pouco, está a revelar certa relevância a nível dos Continentes e das Circunscrições. A reflexão versou principalmente sobre o papel do Conselheiro.

Orientações operativas
* O Conselheiro Continental não é uma autoridade sobreposta a outras; é, antes, um serviço à Direcção da Direcção Geral e aos Superiores de Circunscrição.
* Ele deve animar as Circunscrições em todas as áreas, sobretudo a nível Continental, com iniciativas a incidir sobre as bases. Deve manter uma colaboração íntima com os Secretários Regionais.
* Nas visitas que faz às Regiões, deverá avançar com uma reflexão sobre a importância da colaboração continental em prol das Circunscrições.
* Compete ao Conselheiro responsável pela formação básica acompanhar de perto os centros de formação. Mas, nas suas visitas, o Conselheiro não deve esquecer os jovens formandos. Deve aproximar-se deles e dialogar com eles, passando ao Conselheiro da Formação Básica as informações referentes à situação dos centros de formação que visitou.

5. COMPROMISSOS ACIMA DAS POSSIBILIDADES DO PESSOAL

Os Consultores tomaram consciência, uma vez mais, de que, face ao decréscimo progressivo do pessoal, os compromissos actuais do Instituto ficam acima das nossas possibilidades. Considerando, além disso, que os novos desafios vão exigir pessoal cada vez mais especializado, interrogaram-se sobre quais serão as previsões e que medidas adoptar.

Orientações operativas
* Avançar com os planos de redimensionamento que as Circunscrições já escolheram nas respectivas Conferências Regionais.
* Evitar o hiperactivismo, que gera stress e frustrações, mediante a redução dos compromissos, se for preciso, e estabelecendo prioridades nos programas comunitários e regionais.
* As obras sociais não devem nunca impedir que se dê prioridade ao trabalho de evangelização como tal.
* As convenções com as Dioceses devem indicar com exactidão os períodos e modos da nossa presença. Esta norma não deve absolutamente ser esquecida ao fazermos novas fundações.

VII. TEMAS VÁRIOS

1. SECRETARIADO PARA A COORDENAÇÃO DOS HOSPITAIS

Este Secretariado, que surgiu em 1998, viu o seu estatuto aprovado em 1999 pela Direcção Geral e funcionou durante três anos. As suas actividades foram suspensas nos fins de 2001 devido à impossibilidade de atingir os objectivos para que fora criado. No entanto, as dificuldades dos nossos três hospitais (Gambo, Ikonda e Neisu) em conseguirem fundos suficientes e em assegurarem a presença continuada de pessoal médico qualificado ainda continuam.

Orientações operativas
* Existe em várias Circunscrições um secretariado regional para a Cooperação Missionária com o objectivo de angariar fundos a favor das obras missionárias. Convém que as direcções dos nossos três hospitais se dirijam doravante a estes secretariados regionais apresentando projectos e pedidos de auxílio que tenham sido previamente aprovados pelas autoridades regionais e eclesiásticas.
* Não se deve descuidar a possibilidade de as mesmas direcções se dirigirem a Agências internacionais de cooperação e assistência para pedir auxílio. Para esse efeito sirvam-se, na medida do possível, de leigos que tenham a devida preparação.
* Os Leigos Missionários da Consolata podem ser eficazes em garantir pessoal médico aos hospitais do IMC.

2. PADRES DIOCESANOS AO SERVIÇO DA MISSÃO

Há vários sacerdotes diocesanos que, por agregação ao nosso Instituto, prestaram um serviço eficaz às missões durante estas últimas décadas. Actualmente, os pedidos parecem estar a aumentar nalgumas Regiões.

Orientações operativas
* Continuam essencialmente válidas as normas que a Direcção Geral instituiu no documento intitulado "Agregação de Sacerdotes e Leigos Missionários ao Instituto".
* Deve ser-lhes garantida uma preparação adequada, não só linguística como também espiritual e missionária, ao prever-se uma permanência prolongada na nossa comunidade.
* Haja prudência e cautela ao aceitar padres diocesanos no Instituto, sobretudo quando eles já fazem parte dos presbitérios das jovens Igrejas de Missão. A sua admissão ao Noviciado deve ser sempre precedida por um Postulado bem cuidado numa comunidade IMC, com a duração de pelo menos um ano, e com a explícita aprovação do respectivo Ordinário.

3. O XI CAPÍTULO GERAL

"A agenda do Capítulo com temas de carácter geral é preparada pela Direcção Geral, após consulta ao Instituto" (Constituições, 113). A Consulta inter-capitular foi um momento oportuno para se fazer uma primeira consulta em relação ao próximo Capítulo Geral. De entre as várias sugestões que apareceram, apresentamos uma lista das que pareceram mais relevantes e de maior consenso.

Orientações operativas
* Local: São Paulo, no Brasil, obteve o maior número de indicações, seguindo-se depois Roma e Fátima.
* Data e duração: Abril e Maio de 2005. A duração deve ser, se possível, de 4 a 5 semanas.
* Temas propostos: método e estilo da evangelização do Missionário da Consolata; inculturação; animação missionária e vocacional; formação.
* Preparação: redigir, com alguma antecedência, um instrumentum laboris que permita fazer uma participação ampla dos membros do Instituto no aprofundamento do tema seleccionado de antemão. Para além do aprofundamento desse tema monográfico, o Capítulo dedicará tempo e atenção à análise de outras questões que despertem maior empatia no momento actual, no Instituto. A este propósito, veja-se a conveniência de apresentar aos confrades um questionário para saber do seu parecer sobre temas que desejam apresentar à consideração dos representantes capitulares.
* Método: seria bom que fossem alguns dias de reflexão a separar e a preparar os momentos mais relevantes do Capítulo, em vez dos tradicionais Exercícios Espirituais. A Direcção Geral deve analisar, em conjunto com as Missionárias da Consolata, a possibilidade de os capitulares de ambos os Institutos disporem de um momento em conjunto com o objectivo de analisarem temas de interesse mútuo que tenham sido estudados e preparados com antecedência.
* Facilitadores e secretários: encara-se como oportuna a presença de um ou dois facilitadores externos, mas do IMC. Ajudarão os moderadores a gerir o Capítulo. É conveniente também que os dois secretários sejam externos.

4. A POSTULAÇÃO

O encontro dos membros da Consulta com o novo Postulador deu-lhes o ensejo de aprofundar o significado e o papel deste Secretariado Geral. Foi notado o trabalho intenso que se fez no passado, sobretudo em referência à beatificação do Pai Fundador. Além disso, foram consideradas as actividades possíveis que o Secretariado pode desenvolver na animação do Instituto.

Orientações operativas
* Veja-se a conveniência de "Il Tesoriere" continuar a figurar como suplemento na Revista "Missioni Consolata", ou então, de voltar a ser uma publicação autónoma. O seu conteúdo deve ser enriquecido e, se possível, deveria ver a sua periodicidade aumentada. As outras Revistas do Instituto deveriam servir-se do seu conteúdo, fazendo as traduções pertinentes.
* O Postulador deve cuidar de iniciativas capazes de manter viva a devoção ao Pai Fundador no Instituto mediante publicações, disseminando materiais de apoio a celebrações, novenas, tríduos… e oferecendo-se para Exercícios Espirituais ou dias de Retiro.
* O Secretariado deve analisar a possibilidade de começar com novas publicações sobre o Fundador, principalmente de carácter popular e vocacional.
* A Postulação, em comunhão com a Direcção geral, deve pensar em começar com as causas de Missionários da Consolata cujo exemplo possa tornar-se escola de santidade e de Missão para o povo de Deus.
* Neste contexto, deve estudar-se a colaboração das Missionárias da Consolata.

Fundador

Quem são...

Biênio de Reflexão

Santidade