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Carta do Superior Geral PDF Imprimir E-mail
Por P. Piero Trabucco, IMC Madre Gabriella Bono, MC   
12 de March de 2006

O BEATO JOSÉ ALLAMANO

1 de Dezembro de 2002


AOS MISSIONÁRIOS E ÀS MISSIONÁRIAS DA CONSOLATA


Caríssimos Irmãos e Irmãs,

Ao iniciar-se o Ano Litúrgico 2002-2003, na certeza de que todos estamos a caminhar com novo empenho e alegria ao encontro do Salvador que está para vir, pensámos em vos convidar a reflectir sobre um tema que tem estado sempre a peito aos nossos dois Institutos. Ao recordarmos a promessa do nosso Beato Fundador - "Do céu, eu vou fazer e fazer"; "Farei mais de lá do que daqui" - achamos que será útil interrogarmo-nos nestes termos: como é que percepcionamos actualmente a sua presença? Sentimo-lo próximo de nós e a actuar? Continua ele a ser um ponto fixo de referência para cada um de nós e para as nossas comunidades? Comparamo-nos com os seus critérios nas opções de vida e apostolado que fazemos? Invocamos a sua intercessão com confiança? Sentimos a honra e a coragem de o apresentar às pessoas como modelo e como protector?
Temos uma percepção clara de que as nossas duas famílias missionárias estão empenhadas em permanecer fiéis ao seu Pai, no qual têm orgulho e que "não trocariam por mais ninguém" . Mas lá bem no fundo da alma, sentimos que ainda é possível deitar raízes mais fundas nas nossas origens, vivendo nós primeiro intensamente e propondo a todos os que encontramos os valores do carisma missionário que José Allamano recebeu do Espírito Santo e comunicou na íntegra aos seus filhos e filhas a fim de que o vivessem, o desenvolvessem, e o partilhassem com muita outra gente. Estamos convencidos de que estes valores carismáticos, em concreto, se encontram na vida e na doutrina de José Allamano. Eis porque tencionamos reflectir sobre ele uma vez mais e numa perspectiva toda particular.
Esta carta, que amadureceu no âmbito das duas Direcções Gerais, está endereçada às Missionárias e aos Missionários em conjunto. Afinal, o Fundador é Pai dos filhos e das filhas, que ama e acompanha, a todos do mesmo modo e sem distinção, e quer que caminhemos em sintonia com aquele mesmo espírito missionário e religioso que lhes transmitiu como sua própria herança. É sempre com profunda emoção que voltamos a ouvir aquelas palavras que deixou no seu testamento aos seus "caros Missionários e Missionárias": "Foi por vós que vivi muitos anos e por vós gastei haveres, saúde e vida. Espero, que ao morrer, venha a ser vosso protector no Céu" (Lettere, X, 540). E já pudemos verificar, vezes sem conta, que o Beato Allamano é real protector para nós e para quantos nos estão próximos.
Neste espírito, propomo-vos rapidamente algumas orientações práticas que nos poderão ajudar a viver ainda mais intensamente a nossa comunhão com o Pai Fundador e a incluir nela todas as pessoas que, connosco, tencionam partilhar das suas riquezas espirituais e usufruir da sua intercessão junto de Deus e da nossa Mãe Consolata.

1. "Que a vossa luz brilhe diante dos homens" (Mt 5, 16)

Nós cremos que o Beato Allamano é uma lâmpada acesa que não se deve colocar debaixo do alqueire mas, sim, no candelabro, para que brilhe na Igreja. Mesmo sem o termos visto neste mundo, nós conseguimos entrar em sintonia com ele através do estudo e do olhar amigo. Agora, graças a Deus, já podemos dizer que o conhecemos bem e que estamos à altura de espalhar a sua mensagem com autenticidade. Visto que estamos convencidos de que o povo de Deus tem o direito de receber esta mensagem, precisamente porque José Allamano é pertença da Igreja, nós seus filhos e filhas sentimos a necessidade e o dever de o dar a todos, tornando-o cada vez mais conhecido. Portanto, não podemos guardar esta luz só para nós; nem tão pouco devemos mantê-la escondida na esfera dos nossos dois Institutos.
Eis algumas sugestões para se atingir esse objectivo:

O dia 16 de Fevereiro
A Festa Litúrgica do Beato Allamano deve ser preparada com novena, tríduo e outras iniciativas que ajudem a descobrir de novo a sua figura e o seu testemunho de santidade. Ela deve celebrar-se com solenidade e, onde for possível, deve incluir manifestações populares que estimulem a participação das comunidades cristãs. Por ocasião da festa Litúrgica, renovemos a linda tradição de evocar o testemunho da sua vida, a sua doutrina e as suas intuições missionárias. As comunidades dos Missionários e das Missionárias devem colaborar activamente na preparação e na realização desta celebração em conjunto.

O dia 16 de cada mês
Procuremos valorizar esta data, incluindo os nossos amigos e as comunidades cristãs que nos estão confiadas. A celebração deste dia deve voltar a realizar-se para se tornar um momento fixo de encontro espiritual de todos, ou seja, dos filhos e filhas de Allamano, bem como do povo cristão. Quando a liturgia o permitir, habituemo-nos a celebrar as Missas votivas em honra de José Allamano, principalmente nas nossas paróquias ou igrejas que estão abertas ao público. Todos os que nos estimam deverão notar que o dia 16 é um dia especial para nós e, por isso, também para eles. O Secretariado da Postulação irá mandar materiais sobre isso.

Catequese e pregação
Façam-se referências frequentes ao pensamento de José Allamano na nossa evangelização. O mesmo se diga dos mestres de retiros ou de exercícios espirituais. Falemos dele com espontaneidade e com simplicidade, pois que a experiência tem confirmado que as suas ideias e as suas directivas espirituais e apostólicas agradam a quem tem a possibilidade de vir a conhecê-lo. Porventura os filhos e filhas não falam do seu pai amiúde e de boamente, precisamente porque o amam?

Publicações sobre José Allamano
Sirvamo-nos das numerosas publicações que falam dele e que o apresentam sob vários aspectos. Nós temos o privilégio, aliás raro e muito invejado, de termos acesso ao seu pensamento, tão rico e tão prático, na colectânea das suas conferências dominicais e nas suas cartas. Trata-se de material precioso que vale a pena disseminar, na certeza de estarmos a dar um presente muito útil a outras pessoas. Isto aplica-se , sobretudo, a quem tem contacto com padres, seminaristas, pessoas consagradas e noviciados. Não esqueçamos que José Allamano é pedagogo natural para todos os que são chamados a seguir Jesus Cristo mais de perto e a ser seus ministros.

A sua figura
Temos tantas efígies e sentenças de José Allamano. Sirvamo-nos então destes instrumentos simples para dar a conhecer a sua figura, para assim se tornar familiar a muita gente. Está prestes a sair uma nova curta metragem sobre o Fundador que está a ser produzida por profissionais. Sairá em italiano mas já está prevista a sua tradução noutras línguas. Será sem dúvida um instrumento moderno e eficaz para alargar o conhecimento do Fundador.

2. "Quanto a vós, rezai assim" (Mt 6, 9)

O nosso Pai foi homem de vida interior profunda e mestre na oração. Por exemplo, quem é que ainda não foi visitar a tribuna do Santuário da Consolata para ver o lugar onde ele passava longas horas em adoração? Quando chegava a altura de se fazerem os propósitos durante os exercícios espirituais, ele sugeria que se juntasse mais este: "Quero rezar muito e bem" (Conf IMC, III, 611). Neste capítulo, ele situava-se exactamente no mesmo comprimento de onda que Jesus, que tinha por hábito retirar-se para lugares ermos para rezar e ensinava os discípulos a "rezarem sempre, sem se cansarem" (Lc 18, 1). O que tencionamos fazer realçar é o facto de o nosso Fundador ser agora, no céu, intercessor junto de Deus - para todos os que o invocarem. Podemos rezar a Deus por intercessão de José Allamano; e podemos também rezar a José Allamano para que seja nosso intercessor perante Deus.
Também sobre este aspecto do Fundador gostaríamos de vos apresentar algumas sugestões simples:

Rezar por intercessão de José Allamano
Dia após dia, nas nossas comunidades, temos o hábito de recitar fórmulas de oração, novas umas e antigas outras, segundo a tradição dos nossos Institutos. Procuremos dirigir-nos ao nosso Pai Celeste, por intercessão de José Allamano, por meio delas, manifestando os sentimentos que mais nos estão a peito. Parece-nos ser um modo familiar e eficaz de rezar dirigirmo-nos a Deus passando pelo coração de José Allamano. Devemos continuar e até intensificar este bom hábito que, para além do mais, nos mantém em ligação íntima com o Fundador, que reza connosco e por nós.

Ensinar os fiéis a rezar como José Allamano
Os motivos que nos levam a dirigir-nos a Deus Pai são muitos: louvor, agradecimento, súplica de perdão, pedido de auxílio, etc. A pedagogia de José Allamano em matéria de oração é muito rica e bem conhecida de nós. Dêmo-la a conhecer também ao povo, convencidos de que, deste modo, oferecemos um tipo de oração com substância e compatível com o espírito da Igreja. Em especial, coloquemos em evidência os grandes "amores" do Fundador - a Eucaristia e Nossa Senhora. Os fiéis sentir-se-ão felizes por poderem tornar-se discípulos do nosso Fundador, que era mestre sapiente em matéria de oração.

Pedir graças e bênçãos
Em casos de necessidade especial, ensinemos o povo a pedir graças e bênçãos a Deus por intercessão de José Allamano. Não devemos esquecer que o Fundador está "sempre ao pugiol (balcão)", tal como prometeu quando ainda vivia entre nós ( cfr. Conf MC, II, 482). Lá do balcão, ele nos fixa e atende, pronto a ouvir-nos a nós e a todas as pessoas que lhe apresentamos porque precisam do auxílio divino. É maravilhoso ver uma Missionária ou um Missionário a rezar ao Pai Celeste na companhia duma pessoa em necessidade, implorando a intercessão do Fundador.

3. "Se tiverdes fé, (…) nada será impossível (Mt 17, 20)
Há um motivo todo especial que nos leva a escrever-vos esta carta. Sentimos necessidade de convidar todos e todas a pedirem a Deus, com fé e insistência a intercessão de José Allamano para alcançar um milagre que o leve à tão desejada canonização. Felizmente, o processo da beatificação chegou ao fim, na Congregação para as Causas dos Santos, graças a Deus e a quantos por isso trabalharam com inteligência e amor. Agora só falta apresentar o testemunho de um milagre de categoria, comprovado pelo devido processo, para que o Papa proclame "Santo" o nosso Fundador. Todos nós anelamos por este acontecimento, até porque temos a certeza da sua santidade e porque consideramos positivo que ele seja apresentado à Igreja inteira como modelo de vida espiritual e de dedicação apostólica e missionária.
José Allamano também teve de passar por esta situação quando andava a tratar da beatificação do seu tio José Cafasso. Se analisarmos a densa correspondência que correu entre ele e o Postulador da Causa, poderemos dar-nos conta do enorme empenho com que procurou os dois milagres que então eram exigidos. A certa altura, até chegou a ouvir do Postulador: "Diga lá ao Venerável que comece a fazer milagres, senão (…)" (Lettere, IV, 663). E depois da beatificação, alguns cardeais disseram-lhe: "Agora compete-vos a vocês fazê-lo santo, arranjando os milagres" ( Conf IMC, III, 723). Por certo que José Allamano rezou e mandou rezar muito para arranjar milagres por intercessão do beato Cafasso. E insistiu muito especialmente com os seus filhos e filhas. Têm grande significado estas palavras que dirigiu aos seminaristas da Casa Mãe ao dar-lhes uma relíquia do seu tio: "é para não terdes medo de pedir graças ou um 'milagrão'" (Conf IMC, II, 606). Embora raramente, também deixou sair um ou outro inocente desabafo do tipo deste: "Ora este cavalheiro (…) não quer fazer milagres e, por isso, andamos aflitos. Talvez os faça mais tarde (…). Mas é agora que precisamos deles!" (Conf IMC, III, 536). Na verdade, ficamos sem saber que mais admirar no Fundador: o desejo de encontrar milagres ou a sua resignação à vontade de Deus. Ouçamos o que ele disse, com visível satisfação, ao voltar de Roma depois da beatificação de José Cafasso: "Agora querem fazê-lo santo. Os cardeais andam a fazer insistências (…) e vocês devem pedir graças espirituais, pois que lhe agradam mais e assim as fará com mais vontade. Mas como elas não são suficientes, peçam também graças materiais, sobretudo milagres de cirurgia (faz-se uma novena, depois outra, e mais outra, sem desanimar). Acima de tudo peçam-lhe um autêntico espírito apostólico" (Conf IMC, III, 723). Mas agora somos nós que estamos na sua situação; e o objectivo do nosso interesse imediato é a sua Canonização. E queremos dirigir-nos a ele com a mesma fé e tenacidade que ele demonstrou - mas também com a mesma resignação à vontade de Deus.
As nossas sugestões nesta matéria são muito simples:

Rezar para obter um milagre
Antes de mais, sejamos nós a rezar para que se obtenha um milagre por intercessão do nosso Fundador. Nós temos conhecimento de tantas situações de necessidade e de doença. Porque não haveremos de pensar logo na sua protecção e intercessão? Se tivermos fé, nada será impossível.

Convidar as pessoas a fazerem o mesmo
Manifestemos aos outros a confiança que temos na intercessão de José Allamano. Tal como aconteceu no caso da Beatificação, um milagre que acontecesse numa área missionária seria certamente compatível com o espírito dele, que amava profundamente o povo ao qual enviou as suas filhas e os seus filhos. Anexo a esta carta vai um esquema de novena. Os Superiores e as Superioras de Circunscrição apressem-se a mandá-la traduzir, também nas várias línguas locais, de modo que possa ser distribuída e usada com facilidade.

Dar conhecimento das graças recebidas
Por fim, pedimos que informeis os Secretariados competentes dos dois Institutos sobre as graças obtidas por intercessão de José Allamano para que se possam publicar, para glória de Deus e do nosso Fundador.

Encerramos este documento apelando à Santíssima Virgem da Consolata - que sempre demonstrou tanta predilecção por este seu filho a quem constituiu "tesoureiro" - para que nos alcance a graça de aumentarmos no conhecimento e na comunhão com ele e, se tal for a vontade de Deus, a de o podermos venerar, quanto antes, como "Santo", em união com toda a Igreja.

Em nome dos dois Conselhos Gerais, saudamo-vos fraternalmente,

P. Piero Trabucco, IMC Madre Gabriella Bono, MC
(Superior Geral) (Superiora Geral)


(1) Testemunhos da Irmã Paola Rossi e da Irmã Giuseppina Tempo
(2) Testemunho do P. Guido Bartorelli

Fundador

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Biênio de Reflexão

Santidade