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"Ide vós também. A convocação não se refere apenas aos pastores, aos padres, aos religiosos ou às religiosas: é para todos. Também os fiéis leigos são pessoalmente chamados por Deus, recebendo d'Ele uma missão, para a Igreja e para o mundo". (Christifideles laici 2). A Missão também precisa de vós. A convocação-envio para a Missão é afinal a vocação de todos os que foram baptizados e de todas as comunidades cristãs. "Os fiéis leigos, precisamente porque são membros da Igreja, têm a vocação e a Missão de serem arautos do Evangelho: estão habilitados e comprometidos com este trabalho em virtude dos sacramentos da iniciação cristã e dos dons do Espírito Santo" (CL 33). É o próprio baptismo que recebestes a dar-vos o "direito-dever" de nisso vos empenhardes "para que o anúncio da salvação seja conhecido e recebido por todas as pessoas, em todos os lugares" (Redemptoris Missio 71). Embora, desde o começo da sua história, o Instituto tenha tido uma longa tradição de colaboração com os leigos, ele reconhece que a maturação actual a que chegou o laicado missionário, bem como os pedidos que vós próprios tendes feito, constituem hoje um verdadeiro sinal dos tempos - a que se deve prestar atenção. Senão, como afirmou o X Capítulo Geral, "descuidaria um verdadeiro serviço missionário e privar-se-ia de preciosas potencialidades à disposição da Missão" (XCG 60). Portanto, o Instituto reconhece e acolhe com alegria a vossa vocação missionária leiga, na certeza de que a vossa presença "exalta o valor do testemunho, reforça a capacidade de colaborar e de viver a Missão na comunhão e na complementaridade" (XCG 60). O empenho de todos pela Missão ad gentes é, portanto, o primeiro e fundamental vínculo entre o Instituto e vós. Mas é um vínculo que ainda mais se reforça e aprofunda com o vosso desejo de partilhar directamente no carisma e na espiritualidade que o Beato José Allamano nos deixou como herança. Nós vemos neste vosso desejo mais um dom do Espírito que sabiamente contribui para a manifestação integral da riqueza do carisma sob a forma de complemento das diversas formas de vida numa eclesiologia da comunhão. Nestes anos mais recentes temos verificado uma reflexão e um diálogo alargados sobre estes assuntos. Todos juntos, nós temos investigado a melhor forma e maneiras capazes de nos facultarem a vivência da Missão com um mesmo espírito. Cremos ter chegado o tempo de assumirmos com decisão, tanto o Instituto como os Leigos Missionários da Consolata (LMC), algumas orientações concretas que nos permitam tornar finalmente operacionais o empenho e a partilha do carisma e da espiritualidade do Beato Allamano. Entregamo-vos hoje este documento que o Secretariado para a Missão acompanhou com empenho durante o processo de redacção. Não é pretensão sua servir de Estatuto no sentido jurídico do termo. Mas é uma plataforma de arranque que apresenta: - alguns elementos, muitos dos quais já foram desenvolvidos na vossa companhia durante reflexões recentes, que consideramos necessário conservar e promover, para que se possa vir a falar de Leigos Missionários "da Consolata". - Algumas orientações ou sugestões, a título de exemplo, para que vós próprios possais construir com responsabilidade a vossa organização e o vosso compromisso missionário, na caminhada concreta que andais a fazer no contexto das várias situações socioculturais em que viveis. Podemos garantir-vos que, com esta base, o Instituto se comprometerá a acolher-vos, a acompanhar-vos, a ajudar-vos no vosso desenvolvimento, a apoiar-vos em todos os modos possíveis, trabalhando convosco para que a boa semente que representais se torne messe abundante de frutos, para bem da Missão e do mundo. Temos consciência da distância que ainda temos a percorrer. Mas queremos percorrê-la em conjunto, o IMC e os LMC. Este documento exprime o "senso" do IMC em relação aos princípios que governam o seu relacionamento com os LMC. Convencidos que estes princípios já são partilhados em grande parte por vós, pedimos que seja considerado como uma plataforma partilhada de onde começar a corrida. Agora, vós, Leigos Missionários da Consolata, estais convidados a: definir melhor, a nível de país, a vossa organização; assumir , mesmo oficialmente, o compromisso de LMC; constituir as primeiras comunidades locais de LMC; arranjar uma forma, embora embrional, de organização nacional. Indicamos como data para atingir estes objectivos o dia 20 de Junho de 2003, festa de Nossa Senhora da Consolata. Mais tarde, num adequado Encontro de LMC e de Delegados do IMC a realizar em data a combinar entre nós, poderemos encarar as eventuais diferenças ou até enriquecer o texto que hoje vos entregamos. Até poderia ser essa a data para a promulgação oficial do nascimento dos LMC. Este documento deve ser à experiência até 2005, por forma a se poder fazer uma avaliação global no Capítulo Geral do IMC. A experiência concreta será mestra e conselheira de eventuais modificações e adaptações. Que Deus abençoe o esforço e a boa vontade de todos. Confiamos a caminhada da partilha e da comunhão que prevemos à direcção segura do Espírito Santo, que é o primeiro agente da Missão, e à protecção materna da Nossa querida Senhora da Consolata, bem como à solicitude daquele que temos por Pai, o Beato José Allamano. P. Piero Trabucco, IMC (Padre Geral) P. Antonio Bellagamba, IMC P. Norberto Ribeiro Louro, IMC P. Aquiléo Fiorentini, IMC P. Jean André Benedetti, IMC
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