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Nasceu de Nemes Kiwoi e Praxedis Masaambaya a 9 de Julho de 1959 em Kwingaci, duma óptima família católica da paróquia de Usseri, na diocese de Moshi, na Tanzânia. Tendo frequentado a escola elementar da sua terra natal, entrou para o Seminário Menor dos Capuchinhos em Maua (Moshi), onde realizou os estudos secundários. Em 1981 tomou parte no curso de orientação vocacional que os Missionários da Consolata fizeram em Iringa. Lukas apresentava-se como um jovem sério, aberto e sereno. Desejava ser missionário e, atraído pelo nome "Consolata", foi admitido em Agosto desse mesmo ano no Seminário de Langata, em Nairobi. Fez o noviciado em Sagana (1984-1985) e professou a 6 de Agosto de 1985. Foi destinado ao seminário teológico de Bogotá (Colômbia) para estudar teologia. Aqui se envolveu na pastoral missionária na paróquia de Santo Atanásio, dedicando-se sobretudo aos pobres, e procurando aproveitar da melhor maneira as vivências missionárias extraordinárias do Caquetá e de Pasacaballos. A 17 de Julho de 1988 fez a profissão perpétua. Ressalta dos seus escritos um vivo desejo de ser fiel discípulo do Senhor. Decidiu conhecer e acolher o projecto de Deus para a sua vida. Assim, esforçava-se por agir com critérios e atitudes evangélicos na humildade, na simplicidade, no diálogo, na aceitação dos outros e na procura dos pobres, a quem se dedicou com amor sincero. Depois de ter completado os estudos de teologia, voltou para a Tanzânia, onde foi ordenado sacerdote a 17 de Dezembro de 1989 na paróquia de Usseri. A seguir, foi enviado para Roma-Bravetta, onde se licenciou em Mariologia pela Pontifícia Faculdade Marianum. Depois, foi destinado às missões do Quénia, onde foi pároco de Chiga (Kisumu) entre 1993 e 1996, que mal tinha sido fundada. Foi esta uma missão que o Padre Lukas tomou como um desafio, visto que teve de aprender uma nova língua e adaptar-se a outros costumes. Em 1996 foi para Gatunga, na diocese de Meru onde, com alguma dificuldade teve de aprender mais uma língua - o kimeru. Passados dois anos foi enviado para Mujwa. Aí, com a sua equipa pastoral dedicou-se à pastoral dos jovens e às escolas. Além de outras actividades, deu um contributo importante para a organização do 90.º aniversário da fundação daquela missão e para a festa do centenário do Instituto. Os últimos dias foram dolorosos A 12 de Abril de 2002, por volta das 15 horas, o Padre Lukas estava de viagem para a missão de Charia na companhia de dois sobrinhos, quando foi vítima de grave acidente rodoviário: deu-se um choque frontal com um automóvel em acto de ultrapassagem. Uma sobrinha faleceu instantaneamente, ao passo que o sobrinho saiu-se com alguns ferimentos. Mas o Padre Lukas sofreu fracturas múltiplas, entrando em coma profundo. Foi transportado para o hospital de Meru e, constatada a gravidade da sua condição, foi transferido para o hospital de Nairobi para fazer o tratamento adequado. Os médicos fizeram-lhe várias cirurgias para alinhar as várias fracturas. Embora a sua situação parecesse melhorar, ele não conseguiu sair do estado de coma, passando-se da esperança à incerteza no dia 23 de Junho, data em que, por parada cardíaca, partiu para o Pai. O funeral foi no dia 4 de Julho em Mujwa. A sua longa estadia no hospital atraiu a atenção e a solicitude de muitos confrades, irmãs e amigos que fizera na sua actividade pastoral. Assim, o seu funeral foi uma enorme manifestação de condolência em massa. O rito sagrado, a que presidiu Dom Salesius Mugambi, bispo auxiliar de Meru, contou com a participação de muitos confrades, entre os quais o Padre Giuseppe Inverardi, superior regional da Tanzânia. Da sua pátria vieram também uns vinte parentes do defunto. Foi numerosíssima a participação do clero diocesano e das irmãs de várias congregações. A grande igreja de Mujwa encheu-se até transbordar para o adro. Os testemunhos de muitos, que tinham conhecido e apreciado o Padre Lukas pelo seu trabalho e pela sua amizade, encheram de emoção a hora da despedida. Por fim, o corpo foi levada para o "histórico" cemitério de Mujwa onde já repousam tantos padres e irmãs, todos pioneiros da missão. Ali, o povo, em multidão, manifestou mais uma vez o seu afecto pelo Padre Lukas com a sua presença, lançando à cova o simbólico punhado de terra. Todos juntos, confiámos-lhe o "mandato" de continuar lá do céu, na companhia dos outros missionários, a ser da nossa família, rezando pelas nossas missões. P. Luigi Brambilla TESTEMUNHO
Grande amigo e irmão Encontrei-me com o Padre Lukas pela primeira vez em Tosamaganga em Maio de 1981 durante um breve curso de orientação vocacional que o Padre A. Placucci dirigiu. Por causa disso fomos então alcunhados de "placuccini". Foi por meio daquele curso que viemos a conhecer o Instituto e a sua missão no mundo. Recordo bem que o Lukas participou com grande seriedade, distinguindo-se pelo seu empenho na oração, no discernimento e no trabalho manual. Vinha do seminário menor dos Capuchinhos em Maua-Moshi, onde tinha completado o ensino secundário. Mas, tão logo conheceu a Virgem da Consolata, decidiu entrar para o Instituto. Gostava do nome "Consolata" e falava propositadamente desta sua atracção por Ela. No fim do curso, o Lukas foi admitido no seminário filosófico de Nairobi, enquanto que eu tive de ir cumprir o serviço militar em Mafinga. Nas cartas que me escrevia durante aquele período, incitava-me a fazer o serviço militar depressa para que eu pudesse juntar-me a ele no seminário. E foi o que aconteceu em Fevereiro de 1982. Naquela ocasião ele ajudou-me a integrar-me na nova realidade do seminário. O seu papel na comunidade formativa foi muito positivo: fazia tudo com convicção, o que contribuiu para criar um ambiente de seriedade e serenidade na comunidade. Havia no seminário uma boa equipa de futebol, à qual o Lukas dedicava toda a sua energia e entusiasmo. Era bom guarda-redes e fazia questão que a nossa equipa tivesse bom nome. A seguir, fomos enviados ambos para a Colômbia, o que constituiu um verdadeiro desafio para nós, que éramos os primeiros africanos a irem estudar para a América Latina. Dizia o Lukas por brincadeira: "Gastámos mais de 25 horas de viagem para ir de Nairobi a Bogotá, coisa que altamente nos compromete com o que devemos fazer enquanto missionários". Mas talvez não estivesse a brincar afinal, porque o dizia com as lágrimas nos olhos. O seu empenho e a sua generosidade em servir foram testemunhados pela Irmã Mary Beth na carta que me escreveu: "Recordo muito bem o trabalho que o Padre Lukas fez na comissão para os pobres e os doentes de Yomosa (Bogotá-Colômbia). Era muito serviçal e interessava-se pelos doentes e pelos respectivos parentes. Era um bom missionário e um bom discípulo de Cristo. Sinto-me feliz por o ter conhecido e por ter trabalhado com ele". Após a ordenação sacerdotal, o Lukas foi destinado para Roma onde se especializou em mariologia. Não se tratava de um mero desejo de ter um grau académico: bem sabemos que ele tinha uma paixão pela Consolata e que estes estudos o teriam ajudado a conhecê-la e a amá-la melhor. Encontrou a morte pelo caminho: e exactamente na estrada que tantas vezes percorrera para levar a consolação de Maria aos irmãos mais pobres e mais necessitados. Perdi um amigo querido: apesar das diferenças de carácter, nós sempre nos entendemos e sempre nos ajudámos um ao outro, como irmãos. Ele não era de segredos com os seus amigos, sabendo dizer-lhes do seu afecto, até com as lágrimas nos olhos. As suas visitas ao seminário eram muito apreciadas porque sabia partilhar as suas experiências de missão e a todos inspirava a prepararem-se com empenho para o trabalho missionário. Obrigado, Lukas, pela tua amizade; obrigado pela coragem e pela alegria que me transmitiste durante os anos que Deus nos deu de vida em conjunto. Que Ele te receba na Sua paz. P. Dietrich Pendawazima
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