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Nasceu de Giuseppe e Remonato Anna em Arzignano a 13 de Fevereiro de 1930. Entrou no Instituto em 1947, professando em 1953. Foi ordenado sacerdote em 1956. Trabalhou em Bevera durante um ano como assistente/professor, de onde saiu para Portugal onde continuou a fazer o mesmo trabalho até 1966. Ainda em Portugal, passou a frequentar, desde 1958, a Semana Anual Gregoriana de Fátima, obtendo diploma em Canto Gregoriano no Centro de Estudos Gregorianos de Lisboa, o que o habilitou a professor de música e organista no Santuário de Fátima. Entre 1966 e 1970 foi professor de música no Seminário Teológico de Turim. Ao mesmo tempo, especializou-se em canto gregoriano no Pontifício Instituto de Música Sacra de Milão. Colocando o seu talento musical ao serviço da Liturgia, deu a Portugal a colectânea de Cânticos Cantate Domino e à Itália a colecção de cânticos Canticum Novum; deu à Colômbia a colecção Cantemos al Dios de la vida; e ao Equador uma colectânea de cânticos religiosos indígenas. Em 1970 foi nomeado Superior da Casa de Varallo Sesia, indo para Turim depois de três anos como Director Regional da animação missionária. Em 1979 foi destinado à Colômbia, onde trabalhou como membro da equipa de Tocaima, na qualidade de coadjutor do Pároco em Nariño-Guataquuí. Entre 1984 e 1990 foi mestre de noviços em Bucamaranga. Daqui passou ao Equador, onde trabalhou durante cinco anos na pastoral, primeiro em Punin e depois em Licto, na diocese de Riobamba. Atacado pela doença de Parkinson, submeteu-se a tratamento médico em Turim. Convencido de ainda poder ser útil à missão, voltou para o Equador; mas passados alguns meses, a doença obrigou-o a reconhecer a situação e a retirar-se definitivamente para Alpignano, onde compôs a sua última missa e doou à capela da casa um valioso órgão. O seu longo Calvário, que teve o conforto constante da sua irmã Marisa, terminou a 28 de Junho, pelas 5 da manhã, quando foi para o Pai. A missa de exéquias foi celebrada no dia seguinte. Presidiu o Padre Emmanuele Maggioni. O Padre Claudio Brualdi, superior regional emérito da Colômbia apresentou o seu testemunho. A celebração encerrou com a despedida, que foi celebrada pelo Padre Ugo Luise, com as palavras comovedoras do Padre Mondin Ignazio. Na Segunda-feira, dia 1 de Julho, os seus restos mortais saíram para Brugherio onde, pela tarde, foi celebrada a missa de exéquias e se fez o enterro. P. Giuseppe Villa TESTEMUNHO DO P. GIUSEPPE MINA Encontrei-o à sua chegada ao IMC na casa de Vittorio Veneto no ano de 1945, em plena Segunda Guerra mundial. Como Padre Espiritual, conheci-o de perto. Era tímido; queria ser um realizador e depressa, com os estudos já iniciados, para se tornar um Missionário da Consolata de valor. Aqueles anos foram difíceis: bem depressa começou a faltar a comida para os seminaristas e valemo-nos de tudo para não ter de fechar o seminário, visto que as autoridades centrais nos davam liberdade para isso. A seguir, eu fui mandado para a casa dos Irmãos Auxiliares de Comotto. Perdi-o de vista então. Mas sempre ficou gravada em mim a sua figura e a sua personalidade equilibrada, serena, expansiva e cheia de vontade de viver. Soube que teve algumas doenças longas a fechar-lhe o caminho que, no entanto, superou com virtude e paciência, ajudado até pela sua mãe, que tudo fez para o apoiar. Foi assim que chegou à sua consagração para a missão em 1953 e à ordenação sacerdotal em 1956. Ao encontrá-lo, tive a oportunidade de ver bem amadurecida uma dedicação sem limites e cada vez mais profunda à vocação missionária. Digo isto porque, tendo muitos talentos, principalmente o da música, o do canto e o da arte dos sons, deixou de lado as oportunidades que o Instituto lhe ofereceu para se dar a esses estudos para os quais se sentia atraído, para seguir, o aqui e agora da missão pelos Seminários, tal como em Varallo Sesia, onde foi superior. Ao encontrarmo-nos, ele falava-me da sua vontade de partir, mas sempre adiada. Depois foi para a Colômbia. Quando o fizeram mestre de noviços, escreveu-me a pedir esclarecimentos. Sofria ao ver que não se via compreendido nas suas intenções. Não estou à altura de poder seguir a sua caminhada; mas no período em que esteve no Equador, viveu o "novo pioneirismo" em matéria de experimentação apostólica. Tendo regressado devido à doença que o levaria ao calvário, tudo fez para dela se livrar e voltar para a missão para continuar com os seus compromissos de vanguarda. Entretanto tinha feito uma série de contactos com os seus amigos da Itália, que foram ganhando forma e depois tiveram realização nos anos em que o vi na Casa Beato Giuseppe Allamano. Aprendeu a utilizar o computador para ler e para escrever, actividades essas que continuou até durante o período do Natal e da Páscoa de 2002, servindo-se da mediação da sua irmã Marisa, que sempre lhe esteve próxima. O Padre Romolo Lumetti também o ajudou na correspondência quando já não podia falar nem mexer-se, incapaz até de enxotar uma mosca, mas sempre sereno e sorridente. Foi uma espécie de martírio… O calor do Verão, com os seus caprichos, dificultava-lhe a respiração. Até o simples receber a Eucaristia se tornou complicado, coisa que o Padre Genta, sempre incansável, procurava resolver. Assim se apagou às 5 da manhã do dia 28 de Junho de 2002, exactamente no aniversário da sua ordenação sacerdotal. …Revejo agora os seus textos de canto popular colombiano, numa edição maravilhosa e bem cuidada, que fez época por lá, onde o canto, a fé, a morte e a ressurreição parecem entrar em sintonia, pela tentativa do Padre Sergio Gruppo em fazer da vida um cântico da missão. TESTEMUNHO DO PADRE ANTONIO BONANOMI Caminhei durante muitos anos na companhia do Padre Sergio Gruppo no sentido de que as nossas vidas andaram juntas. Durante esses anos criou-se em nós uma grande sintonia de espírito e de ideias. Ele tinha começado a trabalhar em Bevera como professor/assistente. Depois, foi para Portugal; e depois voltou, como superior de Varallo Sesia. Estávamos nos anos difíceis pós-conciliares. Eu chegava a Varallo como formador, com a ideia de renovar muita coisa: tirar as batinas, levar a todos para a escola pública, dar uma melhor base humana à formação, iniciar uma reflexão sobre uma nova maneira de fazer missão. O Padre Sergio ficou um tanto perplexo, a princípio, até porque esta imposição tinha suscitado uma forte reacção em alguns padres e professores do seminário. E ele fez de mediador. Nós entendíamo-nos e gostávamos muito um do outro. Com a sua sabedoria e serenidade, embora apoiasse o meu trabalho, ele travava a minha impetuosidade e fazia de intermediário com os padres do seminário. Esta sua atitude facilitou uma compreensão recíproca profunda. A sua presença foi muito positiva para mim pessoalmente e também para o seminário. Ele era apologista da disciplina, da ordem, da limpeza e da organização, mas aceitava a renovação. Depois seguimos ambos para Bedizzole, onde se formaram os secretariados. O Padre Sergio foi nomeado responsável pelo da animação missionária. O Padre Mura e o Padre Pellegrino eram os responsáveis do secretariado da animação vocacional e eu, do da formação. Os encontros e a colaboração com os outros institutos missionários levaram à criação do Secretariado Unitário da Animação Missionária (SUAM) como espaço de reflexão sobre novos temas e realidades relativas a estes secretariados. Devido aos seus talentos de sabedoria e capacidade de mediação, o padre Gruppo foi escolhido como primeiro secretário do SUAM. A seguir, os secretariados foram dissolvidos, mas esse grupo não perdeu o contacto; e entre 1975 e 1978, fizemos reuniões periódicas em que reflectíamos sobre uma possível experiência de trabalho em equipa missionária. Em 1978 pedimos para irmos todos juntos para a Colômbia; e foi assim que começou a experiência de Tocaima. Éramos cinco: A. Bonanomi, E. Roattino, S. Mura, V. Pellegrino e S. Gruppo. Vivemos juntos durante cinco anos embora trabalhássemos em aldeias diferentes. O padre Gruppo trabalhava em Nariño-Guataquí e, por sermos todos bastante impetuosos, enquanto que ele era mais calmo e mais organizado, fizemo-lo superior do grupo, de comum acordo. Foram anos maravilhosos. Cinco anos mais tarde, o grupo desfez-se e o Padre Gruppo foi nomeado mestre dos noviços. A seguir eu fui trabalhar para Toribio, entre os índios; e o padre Gruppo também foi para o meio dos índios, no Equador. Assim, sentimo-nos ligados numa reflexão sobre como fazer pastoral indígena em conjunto. Em suma, posso dizer que, entre nós, houve três espaços que eram comuns: o espaço da reflexão, o do trabalho e o da vida comunitária. Estes aspectos ligaram as nossas vidas. A sua figura Gostaria de fazer realçar três aspectos no Padre Gruppo: 1.º uma humanidade riquíssima: era duma sensibilidade enorme, por vezes sofrida. Sentia tudo em profundidade e exprimia-o de muitas maneiras. Prestava muita atenção aos pormenores: ao aniversário, ao dia onomástico, à saúde. Às vezes eu dizia-lhe: "És como uma mãe"…, porque ele se preocupava com o confrade que ouvira tossir ou por um outro que ia dormir tarde demais…; ele até vinha apagar-me as luzes à meia-noite para me obrigar a descansar. Do ponto de vista humano era riquíssimo. Essa riqueza tornava-se "riqueza artística": era músico; e a música tocava lá dentro. Às vezes voltava de uma visita a uma vereda (aldeia) e logo se metia a compor, porque, daquela vereda, do panorama, do que tinha vivido, lhe nascera dentro uma música. Ao morrer, deixou muitíssimo material musical que exprime a sua profunda e rica sensibilidade artística. Posso ainda acrescentar que nunca o ouvi falar mal de ninguém: a crítica era-lhe estranha. Neste aspecto sofria muito as faltas de delicadeza, de educação, as críticas que às vezes se faziam… Tudo isso o feria até quase o fazerem chorar, pois sentia que era uma falta de caridade. Todavia, pouco a pouco, conseguiu dominar esta sensibilidade e orientá-la para o serviço da caridade. O salto que fez da Itália para a missão por certo que não foi fácil: passava assim de músico para apóstolo dos pobres. E o seu sector era o mais pobre da paróquia. Todavia, em relação aos pobres, soube sempre demonstrar uma sensibilidade e uma delicadeza deveras louváveis. Neste sentido foi um exemplo para mim. 2.º foi um bom discípulo de Jesus. Sem falar d'Ele todo o dia, ele levava o Evangelho a sério. O Evangelho era a sua vida. Manifestava-o com a oração bem feita, com uma Eucaristia bem celebrada, com a atenção pelos pobres, com a misericórdia, com a compaixão, com a paixão pelo Reino de Deus. O Padre Sergio era superior na vida espiritual e servia-me de grande exemplo. Para ele, o Evangelho não era um livro: era uma vida. Sorrindo, às vezes eu gozava com ele dizendo-lhe: "és como Natanael", ou seja, uma pessoa em quem não há dolo nem malícia… e era verdade. Para ele tudo era ou sim ou não. Por exemplo, a opção pelos pobres não tinha nada de ideológico: era algo que nascia do seu coração. Não era um ideólogo, era uma testemunha. 3.º a paixão missionária. Neste aspecto eu admirei-o muito porque soube fazer uma grande caminhada. Com o Padre Gruppo e com outros durante o curso de teologia, formáramos um pequeno grupo que deu vida à revista AMICO. Este pequeno grupo começou a abrir-se aos seminários diocesanos, a receber e a pedir cartas de missionários, etc. Fazíamos cópias e mandávamo-las para os nossos seminários. Isto resultava duma reflexão: a de definir a missão não por nossa conta, ou por livros, mas pela missão, pela vida. Se esse grupo teve algum mérito, terá sido o de obrigar o Instituto a pensar na missão. Esta reflexão culminou com o Capítulo de 1975 que se tornou "o Capítulo da Missão" por excelência. Nós pensávamos que era urgente viver a missão numa forma nova, por exemplo trabalhando em equipa. Mas também com espírito novo, ou seja, sem misturar a missão com propaganda missionária e sacramentalização, mas voltando a encontrar a sua fonte na evangelização. A equipa missionária teria sido o instrumento para dar testemunho dela. E, na equipa, era preciso valorizar a diversidade dos carismas: padres, leigos, irmãs. Toda esta riqueza de ideias foi injectada pelo Padre Gruppo no SUAM; da minha parte, foi-o no Centro Nacional de Vocações… o que depois se tornou uma coqueluche dentro e fora do Instituto. Em tudo isto o Padre Sergio investiu muita reflexão e muita vida. Por exemplo, eu apreciei enormemente o facto de ele, quando chegou a Tocaima, sendo um grande músico, acabou praticamente por renunciar à música na medida em que o impedisse de ser missionário. Renunciou a muita coisa que fazia parte da sua sensibilidade, precisamente porque estava animado desta paixão pelo Reino. Eu admirei o Padre Sergio: ele era um homem muito humilde, muito reservado, mas que foi para mim um homem extraordinário nas coisas ordinárias. Eu conheci e admirei muitos missionários, mas o padre Sergio era especial pela sua capacidade de juntar numa só vida a humanidade, o Evangelho e a missão.
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