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Padre Rosano Stofella PDF Imprimir E-mail
Por Padre Giovanni Tebaldi   
12 de March de 2006

Padre

ROSANO STOFELLA

(1914-2003)

O Padre Rosano Stofella nasceu a 21 de Setembro de 1914 numa família de lavradores em Piana di Vallarsa, Província de Trento. Os pais, Leão e Emma, levaram-no à Igreja no dia 28, onde foi baptizado. Frequentou a escola primária de Vallarsa (1924-1927); a básica em Rovereto (1927) e os restantes cursos em Camerletto, Favria Canavese (1931-1933). O resto da sua formação sucedeu em Turim, na Certosa di Pesio e Rosignano Monferrato. Os estudos teológicos, fê-los em Turim, entre 1936 e 1940. Entretanto, a guerra alastrava pelo nordeste da Itália. Foi ordenado sacerdote na Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora em Turim, a 23 de Junho de 1940. Entre 1940 e 1946 trabalhou no Secretariado do IMC no Santuário da Consolata em Turim, de que o Fundador foi Reitor durante tantos anos.

O Brasil, a primeira missão

No final da segunda guerra mundial, abriram-se as fronteiras; e o Instituto começou a enviar missionários para a América Latina. O Padre Rosano foi destinado ao Brasil, onde trabalhou na pastoral a partir de 1946. Primeiro foi Coadjutor do Pároco na paróquia de São Sebastião e, depois, na comunidade de São Benedito em Jaú, São Paulo. Desde Julho de 1948 até Dezembro de 1951 exerceu o ministério na paróquia de São Pedro em Tamôio, São Paulo. De 1952 a 1957, exerceu na paróquia de São Pedro de Alcântara (a actual paróquia da Consolata), em Jardim São Bento, São Paulo. Depois, de 1958 a 2002, serviu na paróquia de Nossa Senhora de Fátima em Imirim, São Paulo. Os anos que passou no Brasil coincidiram com uma época de grande desenvolvimento do Instituto. O Superior Geral, o Padre Gaudêncio Barlassina, tinha feito a visita canónica passando pelos seminários e paróquias onde os Missionários da Consolata formavam os futuros sacerdotes e agentes pastorais. O Brasil, tal como as demais regiões, estava a pontos de abrir um território de evangelização sob a jurisdição da Propaganda Fide – o território de Roraima. Este empreendimento trouxe benefícios à pastoral missionária e à formação que se dava nos Seminários.

O Padre Rosano não foi uma pessoa arrebatadora na sua actividade mas foi um sacerdote missionário que trabalhou na humildade e no silêncio. Era conhecido pelo seu amor assíduo para com os doentes, “o padre que ia aos velórios para encomendar os corpos dos falecidos e confortar as pessoas enlutadas”, “o padre das bênçãos”, “o padre do confessionário” (Padre Jordão Maria Pessatti, IMC). Bastam expressões deste tipo para nos darem o perfil dum sacerdote missionário feito para os outros. A sua vida comunitária também era um testemunho contínuo de obediência, disponibilidade e “alegria”.

Escreveu o Padre Célio Pedro Saldanha Dornelles a seu respeito: «O coração do Padre Rosano era um coração transbordante de mistério, um coração sacerdotal, perpassado pela alegria e pelo sofrimento. Tanto experienciou os momentos do Tabor como os do Getsêmani». Viveu santamente todos os seus dias, levando uma vida de simplicidade e de contemplação.

O sofrimento de missionário

A partir dos testemunhos dos missionários que o conheceram, resulta que viveu uma situação de sofrimento pessoal e de franco acolhimento por parte dos confrades. Passava horas na capela e considerava-se o último de todos. E no entanto era o maior de todos precisamente porque se sentia o menor de todos. Nunca se queixava. Fixava as pessoas com os seus olhos cheios de afecto e dizia: «Nada, não dói nada, está tudo bem comigo: Deo Gratias!». «Quer que chame alguém da enfermagem para lhe passar algum remédio que lhe dê um pouco de alívio?». E a resposta era sempre a mesma: «Nada; não preciso de nada, não sinto dor nenhuma». Esta santidade silenciosa que transparecia dos seus olhos e do seu sorriso era um modo insólito de esconder o sofrimento que lhe atormentava o corpo.

O último adeus dum perfeito Missionário da Consolata

A 17 de Dezembro de 2002, o Padre Rosano deu-se conta dum mau estar inesperado: o seu corpo estava parcialmente paralisado. Foi levado para o hospital de São Camilo da Pompeia, em São Paulo, onde recebeu assistência contínua dos fiéis da comunidade paroquial de Imirim e principalmente dos padres Michelangelo Piovano, Eugénio Butti, Severino Bordignon, Cláudio Cobalchini, Jaime Carlos Patias e Valeriano Paitoni, que fizeram os turnos da noite e de parte do dia à sua cabeceira.

O Padre Rosano acabaria por falecer a 11 de Fevereiro de 2003 naquele mesmo hospital. Tinha 88 anos de idade, com 67 de vida consagrada e 62 de sacerdócio missionário. Fez-se um velório que reuniu em oração o povo da paróquia de Nossa Senhora de Fátima de Imirim. No dia seguinte, Dom Odilo Pedro Scherer, Bispo da Região Episcopal de Santana concelebrou com os sacerdotes. O Padre Valeriano, na homilia que fez, descreveu a figura e a obra do Padre Rosano, o “perfeito Missionário da Consolata”. “Sacramentino, Consolatino, do bem feito bem”. E o povo comentou: “este padre era um santo!”

(Estas informações foram tiradas dos testemunhos dos Padres: Célio Pedro Saldanha Dornelles, Jordão Maria Pessatti, Michelangelo Piovano e Severino Bordignon).

 Padre Giovanni Tebaldi

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