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| Irmão Mário Petrino |
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| Por Padre Giovanni Tebaldi | |
| 12 de March de 2006 | |
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Irmão MÁRIO PETRINO (1913-2003) Era conhecido no Quénia como o missionário da “Garissa Boys Town”, um território ardente do nordeste. Também era conhecido como “o missionário dos melões”. Houve jornalistas vindos dos Estados Unidos que escreveram terem assistido a um milagre: plantações de hortaliças e frutas de todo o tipo a serem colhidas pelos rapazes da Boys Town e despachados para Nairobi. Tratava-se da estratégia por ele encontrada para manter uma obra cara, em plena savana. A princípio, os rapazes eram cerca de uma dezena, mas mais tarde – segundo o quotidiano East African Standard relatou a 19 de Junho de 1970 – chegaram a ser perto de 2000. Nunca se chegou a tantos, mas é verdade que esta obra era única em todo o Quénia. O Irmão Petrino teve a sorte de ter a seu lado o Padre Giovanni Bonzanino, um homem inteligente que se prezava em resolver problemas mesmo à temperatura de 40 graus centígrados. E não só: o Padre Bonzanino já tinha vivido uma experiência semelhante como fundador da “Meru Boys Home”. A amizade e a colaboração prepararam um bom terreno para uma acção missionária de valor. Enquanto o Bonzanino era pessoa calma, o Mário era irrequieto, tanto por temperamento como por circunstância. A conversão à vida religiosa O Irmão Mário Petrino nascera em Miranda di Campobasso a 29 de Novembro de 1913 e foi baptizado na igreja de Miranda a 7 de Dezembro. A época era crítica, por causa da recessão. Para se livrar do desemprego e da pobreza, a família decidiu emigrar para os Estados Unidos. O Mário atirou-se ao trabalho para ajudar a sustentar a família e foi crescendo severo e cínico para com tudo e todos. Ansiosa e preocupada, a mãe interrogava-se sobre que poderia sair dum tipo como este. Mas a situação tinha que mudar. A família comprou um bar em Denver, onde o Mário trabalhou até à idade de 20 anos. Até que encontrou Mary Mosely de Kansas City e casou civilmente com ela – talvez em 1938, dizia ele. Conviveram durante poucos anos; em 1942 pediu a anulação do casamento ao tribunal de Missouri. De seguida, apareceu uma amiga sua a sugerir-lhe que se fizesse missionário. Um tiro no escuro, claro. Começou a contactar com o ambiente missionário. Em 18 de Setembro de 1960, o Arcebispo Vehr da diocese de Denver informava o superior IMC dos Estados Unidos, Joseph Moncher, que não podia conceder a este indivíduo dispensa alguma por não o conhecer. Em carta de 15 de Fevereiro de 1961, o Padre Moncher declarou que “o Senhor Mário Petrino está realmente ansioso por ser admitido à vida religiosa no Noviciado do Instituto Missionário da Consolata e não consta nenhum impedimento a seu respeito a não ser o do casamento civil e respectivo divórcio”. O Padre Giovanni Piovano, que era o canonista oficial do Instituto, afirmaria que a recusa do Bispo de Denver era suficiente para anular qualquer eventual concessão de outros Bispos. Por conseguinte, o assunto teria que ser resolvido pela Santa Sé. A resposta favorável ao pedido endereçado à Santa Sé pelo Superior Geral para que Mário Petrino entrasse no Noviciado foi comunicada pela Propaganda Fide mediante carta do Secretário Monsenhor Pietro Sigismondi. Assim escrevia o Padre Leonard DePasquale, superior regional: «O Petrino converteu-se profundamente e decidiu tornar-se Irmão religioso. Procurou uma ordem religiosa e, no final, foi encaminhado pelo Padre Moncher para o Instituto Missionário da Consolata. Feliz por ter encontrado o seu caminho, o Irmão fez o Noviciado na Certosa di Pesio». Muito reconhecido, assim se exprime o Irmão Petrino ao Padre Delio Lucca: «O Noviciado foi para mim um tempo de grande progresso espiritual e assim o haverei de considerar no futuro. Estou grato a Nossa Senhora da Consolata e aos Missionários por me terem ajudado a concretizar a minha vocação». Fez a profissão temporária a 2 de Outubro de 1962 em Rosignano Monferrato e, a seguir, a profissão perpétua a 2 de Outubro de 1965 em Buffalo, N.Y. Foi procurador da comunidade dos Estados Unidos até 1967. Missionário no Quénia Entre 1969 e 1974, o Irmão Petrino trabalhou em Garissa com o Padre Giovanni Bonzanino, dedicado à construção duma estrada, duma pista para aviões de pequeno porte, um campo de jogos e uma quinta de melões. Mas a sua grande paixão foi a de formar jovens para o emprego e para a auto-promoção através do trabalho remunerado. Costumava dizer: “nada se faz por nada”. E dava o exemplo com o seu trabalho, que nunca parava. Escreveu cartas aos amigos da América; convidou jornalistas a escrever sobre a Garissa Boys Town para angariar fundos para a concretização do “five years development plan” (plano quinquenal de desenvolvimento). Mas não se fiava daqueles que, como dizia, nadam em rios de dinheiro mas não estão dispostos a dar sequer um cigarro. Não interessa, pensa ele: sente-se satisfeito por ter ajudado a missão a ser autosuficiente; por ter ajudado o povo do lugar, e por ter criado um centro de treino para os rapazes. Descreveu esta sua experiência em Garissa, no Quénia, numa autobiografia intitulada The Bomb Within Me – The Miracle of Garissa Boys Town (A Bomba que Vive em Mim – O Milagre da Aldeia dos Rapazes de Garissa). O milagre tornou-se possível na companhia do Padre Giovanni Bonzanino, por quem demonstrava afecto e admiração. Nestas páginas, tão curtas para conterem uma história verídica, podemos captar o fogo duma vocação missionária que foi aceite e vivida como uma “bomba” pronta a explodir. Animador Missionário até à morte A certo ponto escrevia assim ao seu superior: «Agora foi-me dado outro trabalho na América, o de espalhar a ideia missionária pelas paróquias, pelas escolas, pelos grupos de jovens e de fazer amigos para os Missionários da Consolata”. Por volta dos 68 anos pediu ao Superior Geral, o Padre Mário Bianchi, para fazer animação missionária em Toronto, no Canadá. “Hão-de vir dias melhores” – costumava dizer ele. O seu desejo – escreve o Padre De Pasquale – era durar até aos cem anos; mas ao mesmo tempo dava graças a Deus por lhe ter dado a vida e a conversão à vida religiosa. No período que passou em Somerset, N. J., o Irmão Mário revelou fidelidade às práticas de piedade e à oração diária. Fazia de sacristão e servente da comunidade. Não passava dia que não descesse à piscina para se manter em boa forma física. A 19 de Fevereiro de 2003, sentiu uma dor forte. Meteu-se logo no carro para ir ao médico. Ao chegar, teve um enfarte. Foi transportado de imediato para o Johnson University Hospital, onde recebeu tratamento. Às 5:15, o Padre Robert Rezac administrou-lhe o sacramento dos enfermos e, pelas 5:25, o Irmão Mário Petrino falecia. Ficamos-lhe muito gratos pelo fiel testemunho que deu a todos os Missionários da Consolata. Padre Giovanni Tebaldi
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