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| Padre DOMENICO FEYLES |
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| Por P. Giuseppe Mina | |
| 12 de March de 2006 | |
PADRE DOMENICO FEYLES1910-2003 Era filho de Domenico e Francesca Vergnano e nasceu em Riva di Chieri (TO) a 2.11.1910. Entrou para o Instituto em 1923, recebido pelo nosso Pai Fundador. Fez a profissão religiosa em 1929 e foi ordenado sacerdote em 1933. Entre 1934 e 1949 teve como primeiros cargos o de professor, sub-director, capelão e prefeito em Rovereto, Varallo, Vittorio Veneto, Fiuggi, Parabita e Turim. Em 1940, foi capelão militar por um ano. Em 1949 partiu para a Argentina onde ficou 11 anos, dedicando-se sobretudo à animação missionária e ao trabalho pastoral em Rosário. Ao escrever ao padre Fiorina, superior geral de então, em 8 de Setembro de 1952, é ele próprio que se define como «vagus suplente, que anda à disposição de todos os párocos para pregar sermões e dar auxilio de emergência». Foram anos difíceis e de poucas satisfações: «a missão de semeador esvazia-me continuamente, apesar do esforço que faço em me reabastecer com confiança e com a misericórdia de Deus», escrevia ele ao superior geral em 1956. A experiência por que passava ajudou-o, porém, a crescer espiritualmente, tal como ele próprio testemunhou: «nestes anos de adaptação fiz avanços na oração, na humildade e sobretudo na fé e na confiança em Deus. Talvez seja porque, no contacto com as almas que temos de santificar e com os males da época moderna, uma pessoa se sente pequena mas, ao mesmo tempo, também se sente confiante em pedir a Deus o que bem lhe apetece para glória Sua». Voltou depois para a Itália e, em 1960, foi para Bevera como Director Espiritual do Seminário Menor: «Estou satisfeito, não porque seja capaz, mas sim por uma certa inclinação e desejo que sentia de me dedicar mais livremente à oração. Ora este desejo cumpriu-se e eu vou procurar não desiludir o meu Deus que foi o inspirador e que tudo organizou para que tivesse realização» (Carta ao padre Fiorina: 13.3.1961). Entre 1961 e 1969 trabalhou na Espanha, em Ribadeo e em Madrid, onde mais uma vez se dedicou à animação missionária e vocacional. Em luta com as dificuldades financeiras e de falta de pessoal na Delegação, visitava seminários e escolas. O problema vocacional, que acabaria por explodir nos anos seguintes já se fazia sentir; mas ele conseguia animar os jovens com o projecto de vida missionária. Voltou para Itália e foi trabalhar para as casas de Turim, Biadene e Bedizzole como colaborador e como confessor. Entre 1975 e 1978 já estava de novo na Espanha, na cidade de Madrid, onde ficou encarregado da Exposição Missionária. Voltou de novo à Itália, servindo nas casas de Olbia e Génova; a seguir foi mandado como capelão para a casa de repouso do Cottolengo “Mary Zegna” em Trivero, cargo que desempenhou até 1995, altura em que se retirou definitivamente para Alpignano. A 6 de Março de 2003, voltou serenamente para a casa do Pai, assistido pelo padre Genta. A missa de exéquias foi no dia seguinte, presidida por Mons. Aldo Mongiano, que sublinhou a simplicidade, a generosidade e a alegre e fraterna convivência do padre Domenico. E assim, desapareceu com ele mais um pioneiro das casas da Itália, da Argentina e da Espanha. Terminadas as cerimónias de despedida, o corpo foi sepultado no cemitério de Alpignano. P. Giuseppe Villae Redacção de “Da Casa Madre” TESTEMUNHO Encontrei-me com ele na Casa Beato Giuseppe Allamano e partilhei com ele vários anos: éramos vizinhos de quarto. Era a imagem perfeita do homem sereno: conseguia aceitar as mudanças dos tempos e os achaques que os anos vão trazendo a quase todos nós. Tinha sido recebido no Instituto pelo Pai Fundador a 4 de Outubro de 1923, aos treze anos. Foi um encontro que o marcou a fundo. Contava-nos de boa mente como o Pai Fundador ia à Casa Mãe para estar com os rapazes do Seminário Menor de São Paulo. Dizia que lhes falava de modo familiar e com uma atitude paternal, sempre amável e sorridente. E que, a traços largos, ia-lhes indicando como ser missionários segundo o seu estilo. Se já tive a oportunidade de ouvir da boca de outros a profundidade destes contactos, posso dizer que o padre Domenico está entre os que mais a demonstraram. Uma vez ordenado sacerdote em 29 de Junho de 1933, foi pelas nossas casas a servir de assistente e professor de italiano e de latim. Chegou a manusear esta língua de forma notável… Tanto assim que, no dia do seu funeral, compareceu uma sobrinha a agradecer “ao tio pela ajuda que lhe deu nesta matéria!”. A sua marca distintiva era o entusiasmo. Frequentemente, durante as celebrações, aproveitava para dizer o seu “obrigado” a Deus e ao Fundador e muitos outros, sempre em dó maior. Quando acontecia ser ele o presidente da Liturgia e lhe calhava a homilia, já era de esperar o efeito do seu carisma de alegria solta, que alguns até consideravam exagerada. Quando foi mandado para a Argentina logo no início da fundação do IMC naquele país, teve que aguentar com as enormes dificuldades que encontrou, superando todos os obstáculos. Se aos 85 anos ainda era todo entusiasmo, quem sabe o que não seria ele quando era jovem! A seguir foi para a Espanha; e também lá tudo estava por fazer. Foi encarregado de encontrar “um lugar”… E era vê-lo contar todas as aventuras. Mas nunca apontou os sacrifícios: só manifestava a alegria do anúncio vocacional, o amor pela Consolata e pelo Pai Fundador. Depois foi para capelão da casa de repouso do Cottolengo conhecida por “Mary Zegna”, em Trivero. Passou lá anos de presença relevante. Na Casa Allamano, era convidado pelos postulantes da Rua Arnò para lhes fazer conferências, retiros e outras reuniões. Sabia dar-se com os jovens e, claro, o entusiasmo que tinha pelo Fundador e pela missão, além do conhecimento directo que tinha dele, tornavam-no uma presença muito apetecida. Nos anos mais recentes, todas as manhãs dizia, ao pequeno almoço, que estava às portas da morte. Acabou por se tornar a anedota de cada dia, para nosso divertimento e, penso, até seu. Mas quando teve que ficar preso ao quarto ou à cama a sério, ia dizendo ao padre Genta que já estava meio morto ou mais morto que vivo. Então, o padre Genta atirava-lhe que também já estava para lhe encomendar o caixão. Ao ouvir isto, o padre Domenico mudava de registo e punha-se logo a rir. Nas conversas mais íntimas, ele revelava um enorme sentido de interpretação magnânima da vida nos seus vários aspectos. Os seus dias tornaram-se uma oração contínua, embora se queixasse de não saber rezar. Também possuía o dom das lágrimas, que o atacavam lá no fundo da alma. Sabia misturar um grande fervor com um sorriso franco, inocente – diria eu de criança. Mas o sinal distintivo das bem-aventuranças que poucos conseguem alcançar era a sua serenidade permanente. Fazia questão de ser o decano dos idosos do IMC. Também sabia que esta primazia era difícil de manter. Viveu o entardecer à espera duma manhã de ressurreição. Ele incarnava a alegria de ser missionário, filho da Senhora da Consolata e do Pai Allamano. Ainda aguentou o suficiente para ver o padre António Bellagamba, vice superior geral, que se encontrava aqui para fazer a Visita Canónica. Faleceu às 4:15 do dia 6 de Março de 2003, quando começava a Quaresma. E nós ficámos com as cinzas deste peregrino que assim entrava na casa do Pai para receber a glória que está reservada aos que seguiram de perto o Senhor Jesus. Os seus restos mortais descansam no cemitério de Alpignano, ao lado dos muitos que o precederam. P. Giuseppe Mina |
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