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| Irmão MARIO CHIALVO |
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| Por P. Giovanni Genta | |
| 12 de March de 2006 | |
IRMÃO MARIO CHIALVO1916-2003 Era filho de Giuseppe e Teresa Paschetta e nasceu em Envie (CN) a 25.10.1916. Entrou para o Instituto em 1955, professando no ano seguinte, na Certosa di Pesio. Fez a profissão perpétua em 1959 em Alpignano, onde ficou durante 46 anos, ou seja até à morte. Foi uma vida toda entregue aos trabalhos da casa na especialidade de “hortelão”. É que conseguia embelezar tudo com verdadeiro culto floral. Além disso, conseguia juntar a tudo isso horas e horas de oração. A sua longa doença, que aguentou com enorme serenidade, foi uma constelação de contas do santo terço. Viveu no silêncio e na laboriosidade na Casa de São José; e terá sido São José, também homem de silêncio e de laboriosidade, quem o acolheu, logo no princípio da sua novena. Durante a liturgia da despedida, o superior regional saudou o irmão Mário com estas palavras: «Obrigado, irmão, porque, à maneira do Fundador, soubeste viver a tua missão durante mais de 40 anos no silêncio da comunidade de Alpignano. Obrigado, irmão, porque viveste fielmente, sempre atento aos mais simples serviços desta casa, fazendo tudo bem e sem barulho. Obrigado, irmão, porque foste sempre fiel às práticas de piedade e foste constante na reza do santo terço». O padre Mina e o padre Mondin apresentaram os seus testemunhos. E o pároco deu graças a Deus pela vocação deste seu paroquiano. O corpo foi acompanhado para o cemitério de Alpignano. P. Giuseppe Villa
TESTEMUNHOS O serviço como missãoÀs 12:45 do dia 12 de Março de 2003, após três dias de agonia, falecia o Irmão Mário Chialvo. Nascido em Envie a 25 de Outubro de 1916, vivera durante muitos anos na sua aldeia, já célebre pela abundância de vocações sacerdotais e religiosas. Decidiu fazer-se Missionário da Consolata quando já era de idade. Foi admitido no Instituto; fez o Noviciado na Certosa, onde professou a 2 de Outubro de 1956 como Irmão Auxiliar. A seguir, foi mandado para a Casa de San Giuseppe em Alpignano, para nunca mais a deixar. Um autêntico record. Aí se tornaria testemunha das várias épocas de modificações daquela casa, desde quando albergava 150 alunos dos cursos profissionais e tinha carácter missionário até ao declínio nas vocações que atingiu praticamente todas as áreas… até que se tornou casa de repouso e tratamento dos padres e irmãos regressados das missões. De temperamento recolhido, por vezes até demais, logo revelou uma piedade fervorosa e um interesse apaixonado por aquela casa. Ela acabou por tornar-se o seu campo de missão. Nunca disse palavra sobre uma ida para as missões, embora elas lhe não fossem indiferentes. Responsabilizou-se pelos serviços que a casa exigia e aos quais se dedicava com a máxima atenção, como por exemplo, as fechaduras, as portas, as torneiras, os telhados, as flores, as rosas – glória da casa – e a horta. Neste campo, o irmão Mário revelou uma criatividade tal que chegou a providenciar hortaliças para todas as estações. Fazia o cultivo de tudo segundo as regras da técnica e não tolerava ajudas que se limitassem ao mais ou menos. De braço firme e sem se poupar a canseiras, o irmão Mário, sempre sorridente e um tanto tímido, parecia até andar a desculpar-se pela enorme dedicação que tinha ao seu trabalho. Mantinha a casa em ordem, atirando-se à vassoura ainda antes de a comunidade comparecer na Igreja para as práticas de piedade, a que no entanto sempre chegava pontualmente, de hábito religioso e com fervor nunca apagado. Muitas vezes o vi eu ficar lá até hora tardia, a rezar diante do Santíssimo Sacramento! E muitas vezes, depois do jantar ainda conseguia tempo para voltar a limpar os passeios e prestar outros serviços suplementares. Gostava de estar a par de tudo; informava-se disto e daquilo; parava uns instantes junto ao grupo, para logo depois se ausentar. Sem se deixar incomodar, acontecia que os confrades de visita nem quase davam por ele. Para muitos ele era um ausente; no entanto estava presente e só Deus sabe como! Mas o tempo também o poliu, a ele que parecia inoxidável. Primeiro vieram umas perturbações de saúde; depois mais algumas. E uma vez chegado à enfermaria, nunca mais de lá saiu. Os últimos anos que passou na cama foram como que a sua paixão e provação. Sempre de terço na mão, feliz por se encontrar com quem o visitava, agradecia sempre a visita. Mesmo quando estava cansado, nunca se cansou de rezar, encontrando no santo terço o seu ponto da situação com Deus. Tal como o padre faz com o breviário… Dizer que o irmão Chialvo era do tipo “que agradava ao Fundador” é reflectir o sentir de todos. Disse-o claramente o padre Gioda, superior regional, quando presidiu à concelebração de despedida. «Muitas vezes nós pecamos por activismo, mas este irmão que nos deixa diz-nos que é na oração, no sacrifício e na contemplação vivida que se cria missionários segundo o coração de Deus…». Ao visitá-lo três dias antes de morrer, notei que já não conseguiu sorrir, não respondeu às minhas perguntas e, já ausente, recebeu a minha bênção. Disse-me que já tinha começado a sua subida ao Calvário – e era verdade. Adeus, irmão, tão pronto a dizer obrigado. Até à vista! P. Giuseppe MinaSempre fielConheci-o quando, devido ao meu cargo, costumava ir todas as semanas a Alpignano visitar os confrades idosos e doentes. Insistia em que eu o procurasse, mesmo que não tivesse problemas para tratar comigo. Tinha uma saúde boa e andava sempre ocupado: na adega, na horta, no refeitório, no pátio, nos passeios, etc. Andava sempre com alguma coisa nas mãos: ora a vassoura, ora a pá do lixo, o ancinho, a tesoura de podar ou a enxada… Queria a casa e áreas circundantes em perfeita ordem; o seu olhar penetrava em cada canto mesmo quando parecia estar a olhar para baixo. A sua maneira de falar tinha um tom queixoso, quase choramingando; e as palavras eram raras. Gostava da vida solitária, até nas refeições. Quando quebrou o fémur e não foi operado para a aplicação duma prótese, teve que ir para a cama e lá ficou mais de cinco anos. Foi um longo calvário, que viveu no sofrimento tanto físico como moral. Nunca mais saiu do seu quarto, nem mesmo quando se lhe ofereceu o uso duma cadeira de rodas. A característica marcante da sua vida diária foi a fidelidade às práticas de piedade: a comunhão e muitos terços. Quando as suas funções cerebrais começaram a falhar, ele manifestava o seu sofrimento interior chorando: «Já não consigo rezar o terço… já não recordo as orações». E eu sugeria-lhe que esse seu desejo de rezar o terço junto a uma humilde e sincera confissão de não ser capaz era a oração mais bela e evangélica oração que a Senhora da Consolata podia aceitar… e ele sentia-se comovido. Mas ele teimava. Sempre tinha recitado o terço todos os dias e, portanto, havia de ser fiel. A seguir, a razão foi-se dissipando pouco a pouco até que foi para o céu deixando-nos em herança o seu terço e um recado para sermos fiéis à santa regra. P. Giovanni Genta |
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