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| Padre ERSILIO D'ERRICO |
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| Por P. Giuseppe Mina | |
| 12 de March de 2006 | |
PADRE ERSILIO D’ERRICO1922-2003 Era filho de Enrico e Anna Tagliaferri e nasceu em Rivergaro (PC) em 1922, tendo entrado para o Instituto em 1942, vindo do Seminário de Piacenza, onde completara o Secundário. Em 1941, ao escrever ao padre Sandrone, vice-superior geral, referiu-se à luta que haveria de travar com os pais para que o deixassem sair para se fazer missionário (visto que era filho único), invocando com fervor o auxílio de Nossa Senhora da Conceição. O seu entusiasmo é único: já então considera que é uma graça da Divina Providência ter conhecido o padre Merlo Pich em Gambettola, encontro esse que despertou nele a vocação missionária. Agradece pelo envio da revista Missioni Consolata e envia uma oferta para poder obter os números precedentes da revista juntamente com o almanaque das missões – para assim poder «doravante manter-me unido em espírito à família que, se Deus quiser, em breve também será minha, e saber cada vez mais sobre o campo de apostolado que lhe está confiado». Consagrou-se com a profissão religiosa em 1943 e foi ordenado sacerdote em 1947. Foi-lhe confiado o cargo de “prefeito” no Seminário de Montevecchia, função essa “difícil de engolir” e para a qual se não sentia especialmente inspirado. Em 1951, ao escrever ao superior geral, embora aceite a vontade de Deus em toda a linha, reafirma que «não deseja nenhuma posição de autoridade, de liderança, ou mesmo onde possa ser valorizado, mas sim onde possa trabalhar e muito…». Já que se fizera missionário para sair a evangelizar, o padre Ersílio viria a notar que nem sempre a vontade de Deus se adapta aos nossos sonhos, vendo-se assim a trabalhar como animador missionário na Europa pelos próximos 25 anos! Na verdade, já desde os estudos teológicos que ele revelara o especial carisma de animador missionário vocacional, carisma esse a que dará plena expressão a nível local na casa de Bevera (1952-1959) e, depois, a nível regional na Itália (1960-1969) e na Espanha (1970-1973). Foi muito importante o seu contributo para a organização da animação missionária na Espanha. Foi graças a ele que o sector de imprensa teve enorme impulso. São dignos de nota, durante este período, os “Quaderni di Antena Misionera”, entre os quais se conta uma colectânea de pensamentos do Padre Fundador. Em 1972 celebrou o seu 25º aniversário de ordenação sacerdotal, pedindo então ao padre Mario Bianchi, superior geral, vivamente e quase em tom de súplica, que lhe desse o presente da destinação missionária. A resposta do superior foi “Bom sangue não engana”, louvando-lhe a ânsia de querer partir para as missões. Mas o presente que pedia era difícil de dar, por ser conselheiro, administrador e director de animação na Delegação, e porque a sua presença e o seu trabalho eram considerados úteis, para não dizer mesmo indispensáveis. Em 1974, conseguiu finalmente seguir para a Argentina, mas a ansiada terra de missão viria até ele como campo de animação missionária – uma vez mais. De facto, apenas chegou àquela Região, foi nomeado director da equipa de animação missionária e foi nessa função de animador que deu entrada na Conferência Regional que teve lugar em Março, apenas um mês a seguir à sua chegada. Aí apresentou um esquema de reforma de todo o sistema de animação, que obteve aprovação na totalidade. Nessa ocasião, ao escrever ao padre Mario Bianchi, dizia: «Pelo que me diz respeito, eu continuo a visualizar o Chaco ou a Formosa mas aceitei uma vez mais ficar na animação missionária por simples motivo de serviço e amor à nossa comunidade». Na qualidade de encarregado da animação missionária, incrementou a revista Misiones Consolata, de que foi único redactor e editor. Em 1974, a revista celebrou o seu jubileu de prata, o que foi ocasião para um relançamento em grande estilo, com renovação tipográfica e aumento significativo da sua difusão. Passados dois anos foi chamado para a Itália como director do Secretariado Geral da Animação Missionária e responsável pelo sector vocacional (1976-1979). Esta convocação para Roma era um sinal claro do apreço em que eram tidas a sua experiência e as suas capacidades de animador missionário. Foram dons que colocou ao serviço duma tarefa nada fácil: tratava-se de inventar um cargo para si próprio a partir de zero, mas sem poder contar com pessoal auxiliar, meios ou real autoridade. O padre Ersílio desdobrou-se em esforços a estruturar uma organização moderna e eficaz de animação missionária nas várias Regiões. Graças a ele, o Instituto tomou consciência da importância dos meios de comunicação social e, especialmente, dos meios audiovisuais do sector. Na reunião dos secretariados gerais, que teve lugar em Turim entre 12 e 24 de Fevereiro de 1976, o padre Ersílio apresentou “ideias e propostas” para a planificação dum secretariado que contemplava, como opções fundamentais e prioritárias, o estudo da problemática da missão e da vocação; a preferência pela promoção vocacional acima de todas as outras actividades; a assistência assídua ao pessoal, às actividades e à organização da animação missionária nas Regiões, nas Delegações e nos Grupos, além de uma espiritualidade sólida, apoiada em iniciativas concretas, qual fundamento e fonte da AM e da promoção vocacional. A animação missionária não era apenas uma linda teoria, para o padre D’Errico. Para ser eficaz, ela tinha que possuir instrumentos concretos que fossem capazes de tornar a sua mensagem visível e compreensível. Daí surgiu então a ideia de um Centro de Estudo e Documentação em Turim que reunisse os “mass media” do Instituto, além da organização e utilização do material fotográfico, etnográfico e documental da Casa Mãe, em cooperação com as várias Regiões do Instituto. Em 1977 instituiu a “TELEXAM”, um órgão de informação e ligação da Direcção Geral de Animação Missionária. Constava de 8 páginas mimeografadas que tinham por objectivo manter informados os vários secretariados regionais sobre tudo o que estivesse em acto no campo da animação missionária e da promoção vocacional. Era um pequeno instrumento que o padre D’Errico pensava poder usar para ajudar, de forma concreta, os animadores missionários das várias Regiões. Ainda em 1977, fez o arranque do Centro Missionário IMC, na Casa Geral, a serviço da Igreja local. Foi um conjunto de obras que incluíam um salão-cinema, um museu, uma sala de conferências, uma biblioteca missionária, e uma exposição-loja de objectos artesanais do Terceiro Mundo. Em 1978, partindo dos dados de um inquérito que fora enviado a todas as Regiões, o secretariado do padre D’Errico fez um estudo aprofundado do problema da promoção vocacional para ver com maior clareza qual era o tipo de missionário que andávamos a propor, as relações entre a nossa promoção vocacional e a nossa inserção na igreja local, e o caminho que era preciso percorrer para esclarecer a vocação de quem manifestasse o desejo de se fazer missionário. Acometido de problemas de saúde e não podendo já conduzir o secretariado, voltou para a Argentina, onde trabalhou como responsável pela “caritas” do Pirané e, a seguir, como secretário da comissão episcopal para as missões. Em 1984 voltou para a Itália, continuando a oferecer os seus serviços e actuando como animador missionário na casa de Milão, primeiro, e depois em Turim como responsável pelo Secretariado da Informação e da Documentação do CAM. Para coroar todo o seu carisma de animador vocacional missionário, avançou com a publicação de Sulle vie dei popoli , um atlas rico em topografia e notas explicativas do desenvolvimento das missões da Consolata no mundo. Veio depois a terminar a sua vida apostólica como reitor do Santuario della Madonna del Monte em Rovereto (1995-1997) e, depois, na Casa Mãe de Turim como reitor da Igreja do Fundador que, graças à sua criatividade, foi elevada a “Santuário” do Beato Allamano (1997-2001). Passadas duas intervenções cirúrgicas, retirou-se para Alpignano a 7 de Dezembro de 2001. Ao submeter-se a uma terceira operação a 7 de Fevereiro de 2002, entrou num lento declínio psicofísico que o levou à casa do Pai a 10 de Abril de 2003. Durante a missa de exéquias, o padre Franco Gioda, superior regional, apresentou o seu currículo fazendo ressaltar três linhas-mestras: pessoa enamorada das missões; pessoa enamorada da Senhora da Consolata; pessoa enamorada da própria vida, como revelou o seu optimismo. Seguiram-se os testemunhos do padre Antonio Merigo que leu a mensagem do Padre Geral: “foi fermento missionário”; o do padre Giordano Rigamonti: “deu-me coragem em todos os empreendimentos e promoveu a iniciativa das “exposições missionárias”; e o do padre Giuseppe Bargetto: “sempre animou o nosso grupo missionário com o seu sorriso”. As exéquias celebraram-se no Sábado, dia 12 de Abril. Tiveram a participação do padre Giano Benedetti, conselheiro geral, dos confrades, das Irmãs da Consolata e de numerosos amigos. Foi sepultado no cemitério de Alpignano. P. Giuseppe Villae Redacção de “Da Casa Madre” Mestre da animaçãoEntre os muitos confrades que o número de anos me deu a oportunidade de conhecer, o padre D’Errico apresenta-se-me como um dos melhores sob vários pontos de vista. Em particular, o de ser uma pessoa serena, resultado da prática virtuosa de um sorriso permanente. Ele interrogava as pessoas, testava as pessoas ou até conseguia ser amavelmente irónico…, mas foi sempre tão boa pessoa! O período em que ele esteve a meu lado remonta aos anos que passámos na Casa Mãe, depois de alguns problemas de saúde. Tinha voltado da Argentina em 1984. Como encarregado do secretariado para o acolhimento…, também teve que me acolher a mim por vários motivos, e fazia-o com aquela intervenção pronta que encorajava as pessoas… a tirarem partido dela. Era inteligente, um falador brilhante, e de tal disposição que levava ao entusiasmo. Quando relatava a fase argentina da sua vida, notava-se logo a intensidade com que trabalhou a serviço das Pontifícias Obras Missionárias, por incumbência dos bispos daquele país. Tinha a paixão dos pioneiros. Quando falava das suas longas viagens, feitas pela calada da noite para poder andar mais depressa, era um divertimento ouvi-lo! Eram reuniões de todos os níveis, projectos globais, todos a seguir – aventuras missionárias da primeira ordem. Chegara ao IMC vindo do seminário de Piacenza, por vezes voltava às experiências feitas in loco para fazer confrontos mordazes: parecia-lhe que o entusiasmo pela causa missionária não estava entre nós à altura do sonho que dela tivera, já que vinha duma diocese. E sofria com isso. Mas logo a seguir, ele devolvia a bola para o nosso campo e, pronto – o D’Errico que, por altura da sua partida, recebeu realce inesperado, foi declarado por muitos (e de que categoria!) “mestre da animação missionária”. Foi o que declarou o padre Piero Trabucco, superior geral, na sua mensagem de pêsames que foi lida na comovente e muito concorrida celebração eucarística de despedida. O superior regional, o padre Franco Gioda, que presidiu, fez o mesmo, e com tintas carregadas. Disse ele: “O IMC vê nele um mestre de animação para a missão”. O mesmo disse o superior da Casa, o padre Antonio Merigo, que trabalhou a seu lado na Argentina. E o padre Giordano Rigamonti afirmou: “O padre D’Errico deu-me coragem em todos os meus empreendimentos, como por exemplo, ao promover a iniciativa das exposições missionárias”. “Não chameis mestre a ninguém!”. O Evangelho é drástico: só Jesus é Mestre. Mas numa altura em que faltam operários para a messe e andamos à procura de maneiras de os ter, porque não havemos de agradecer ao Senhor por nos ter dado o padre Ersílio D’Errico, um mestre dos nossos, e com nível para no-las desvendar com a doutrina e o testemunho da sua vida? P. Giuseppe Mina |
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