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Padre ALBERTO AGOSTINI PDF Imprimir E-mail
Por P. Jordão Maria Pessatti   
12 de March de 2006

PADRE ALBERTO AGOSTINI

1914-2003

Filho de Giuseppe e Filomena Astolfi, nasceu em Rimini a 19.12.1924. Entrou para o Instituto em 1928 e consagrou-se a Deus com a profissão religiosa em 1935, sendo ordenado sacerdote em 1939.

Trabalhou sete anos na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, a princípio como professor na Casa de Varallo Sesia (1939-1940) e, depois, como encarregado da Certosa di Pesio, que fora transformada em lar de idosos que tinham vindo de um grande asilo turinense que fora bombardeado. Foi ali que encontraram não só a paz das montanhas num lugar extraordinário como também e sobretudo encontraram na pessoa do padre Alberto um jovem missionário que tornou a Consolação seu programa. Naquela situação, o seu excelente temperamento tornou-se ao mesmo tempo presença e partilha, dando lascas de bondade que mais tarde haveria de revelar da melhor maneira.

Em 1946 partiu para o Brasil e aí ficou 52 anos seguidos. Durante a viagem que fez de barco, conheceu uma pessoa que o impressionou com a sua coragem e liberdade, levando-o a escrever no seu diário de bordo esta consideração: «Deveríamos aprender uma coisa destes homens que não têm medo de nada e se atiram de bom ânimo ao perigo, ou seja, “audaces fortuna juvat” (a sorte ajuda os audazes). Nós devemos imitá-los e até ser ainda mais audazes nos nossos empreendimentos espirituais da conquista das almas, da dilatação do reino de Jesus Cristo. Se a simples audácia natural consegue alcançar resultados super-brilhantes, conseguindo vencer situações que pareciam não ter saída e diante às quais um espírito mesquinho se dá por vencido logo à partida, que é que não conseguirá uma vontade resoluta, decidida a tudo, guiada por uma mente iluminada pela sabedoria divina e apoiada por uma força sobrenatural omnipotente a que nada pode resistir? Para a frente, então! Tudo por tudo. É este um programa que podemos concretizar, até mesmo de modo heróico, em cada momento do nosso dia, em qualquer ramo da nossa actividade e em qualquer circunstância da nossa vida. Os frutos serão abundantes mesmo quando invisíveis ao olhar humano e farão resplandecer como o sol, para sempre, a nossa coroa apostólica! Que sejam para nós palavras de ordem, estas: ousar, ousar sempre, ousar em tudo, cristãmente, humildemente e divinamente! A vitória será certa!»

Entre 1947 e 1950, o padre Alberto dedicou-se ao ensino no Seminário Filosófico e Teológico de São Manuel ensinando matemática, álgebra, latim, grego e, depois, teologia e moral. Fê-lo com entusiasmo, comunicando aos alunos não só as lições do espírito como também a paixão pela missão. Nos fins de semana fazia serviço pastoral nas capelanias da paróquia que se encontravam espalhadas por entre as enormes plantações de café.

Em 1949, o padre Domenico Fiorina, que era superior regional, foi eleito superior geral do Instituto e o padre Alberto Agostini foi nomeado superior delegado em seu lugar. Iria exercer este cargo durante três mandatos consecutivos, num total de 16 anos. Foram anos difíceis, feitos das contestações dos anos sessenta; e o padre Alberto fazia de mediador com paciência, irmão entre irmãos, sem tácticas e até vertendo umas lágrimas não de todo escondidas…

Uma vez encerrado este período de governação, o padre Alberto voltou às suas actividades de professor e ao trabalho pastoral em diversas localidades: em São Paulo (1966), em Sorocaba (1969) e, em 1971, em Três de Maio, onde foi pároco durante 12 anos. Na altura de deixar a paróquia, em 1983, o padre Giovanni Basso, que lhe fez companhia como auxiliar, escrevia: «Foi para mim com um pai, bom e humilde, sempre disponível para dialogar, para responder às minhas perguntas, preocupado que me sentisse bem e que me inserisse o melhor possível no meu novo ambiente de trabalho. Sempre admirei no padre Alberto o facto de ele ser um homem de Deus que se entregava à missão do evangelho com espírito de fé, esperança e, sobretudo, com imenso amor pelas pessoas».

E a Irmã Anita Viapiana que, durante vários anos, trabalhou na equipa do padre Alberto escreveu: «Na paróquia Três de Maio, muitos cristãos, tanto leigos como religiosos, descobriram e tomaram o seu lugar na Igreja; sentiram-se mais cristãos graças à consciencialização, à catequese e à animação que este missionário fez.

O padre Alberto introduziu uma filosofia pastoral que descentralizava a coordenação e os serviços, dava liberdade à acção e incentivava a criatividade. Pessoa silenciosa, de grande profundidade e de sabedoria simples, ele demonstrou uma grande abertura em relação a esta Igreja, ajudando-a a caminhar e a renovar-se continuamente. Ele encaminhou a maior parte do seu esforço para a criação de pequenas comunidades que pudessem favorecer um conhecimento, uma amizade e um empenho entre si, principalmente para com os mais necessitados. Tinha a ideia bem clara de que toda a actividade pastoral devia convergir para a criação destas comunidades para assim formar um Igreja viva».

Há outros comentários que colocam em evidência o seu empenho com a formação para poder contar com pessoas bem preparadas nos vários sectores da vida eclesial e social, ou seja, criar líderes capazes de assumirem as suas responsabilidades e de levarem por diante o programa pastoral da paróquia. Graças a este esforço, a paróquia de Três de Maio tornara-se uma paróquia dinâmica constituída por 14 diaconias na cidade e 36 comunidades rurais onde se exerciam os vários ministérios.

Em 1983, o padre Alberto voltou para São Paulo como vice superior regional. Ali se dedicou ao trabalho pastoral entre os habitantes das favelas e exerceu a função de Secretário para a Pastoral bem como a de encarregado da Justiça & Paz.

Em 1998, depois de uma trombose, voltou para a Itália, para a Casa de Alpignano. Andava sempre sorridente e cheio de jovialidade, apresentando-se como um amável brincalhão. Mas com o tempo as suas faculdades foram-se deteriorando até que ficou amarrado à cama, em estado quase vegetativo. Concelebrou durante anos na capela da enfermaria. Mais tarde só o padre Genta celebrava com ele. Passava horas e horas na capela com os olhos fitos no altar ou no sacrário. O seu sacerdócio tinha-o marcado profundamente. Foi para a Casa do Pai a 25 de Abril de 2003.

Pessoa íntegra, de grande profundidade interior acoplada ao zelo missionário, o padre Alberto era grande entusiasta do Instituto e do Beato José Allamano e terno filho da Senhora da Consolata. Possuía formação bíblica autêntica que bebia directamente das fontes latinas, gregas e hebraicas “para lhes chupar o tutano”. Muito articulado e sabedor de várias línguas, era duma eloquência que condizia com a sua vida.

Foi defensor e promotor da pastoral social de gama conciliar e soube espalhar esse espírito pelas várias comunidades da Região. Era de mente e coração abertos, mas com a simplicidade dos “pequeninos do reino”, deixando-nos, assim, uma herança de fé, de amor a Deus e aos irmãos, capaz de sobreviver ao tempo e à morte.

A celebração das exéquias, a que presidiu Dom Aldo Mongiano que o conhecera no Brasil, teve lugar a 28 de Abril. Foram numerosos os concelebrantes. Dom Aldo fez a homilia num tom familiar que veio esquentar o coração dos presentes. Depois da Comunhão, o padre Silvano Sabatini deu o seu testemunho contando-nos o momento fatídico que “congelou” para sempre a memória do padre Alberto e o obrigou a viver no tempo sem se dar conta disso. O padre Alberto era um irmão e um amigo; era característica sua uma bondade paciente e um grande amor pela paz e pela concórdia na família. Bebendo da Palavra de Deus com o coração aberto às vozes do Espírito e horas e horas de oração, ele soube superar os tempos difíceis que tanto duraram. O padre Sabatini concluiu o seu testemunho pedindo a intercessão deste fraterno amigo em seu favor pessoal e de todo o Instituto que ele servira na sua pátria adoptiva durante 52 anos. Agora, o padre Alberto repousa no cemitério de Alpignano.

P. Jordão Maria Pessatti

P. Giuseppe Mina

e Redacção de “Da Casa Madre”

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